A pane como prática – o caso Telefonica.

17 Junho , 2009 por Homem Verde

Tanto hoje como ontém, nós, os consumidores do serviço Speedy da Telefonica (financiadores, clientes, a galera que sustenta esse empresa) mais uma vez tivemos problemas com a conexão de internet. A esse problema, soma-se um histórico de panes que vêm ocorrendo nos últimos tempos com essa empresa de telecomunicação paulista, histórico deflagrado por uma pane monstro ocorrida em 03 de junho de 2006, que atingiu desde a internet domiciliar até a de serviços públicos e empresariais. De lá pra cá, foram mais umas 4 ou 5, (só esse ano, o serviço de internet deu problema em fereveiro, abril e maio) contando com uma pane no sistema de telefonia que afetou até os telefones de emergência semana passada no estado de São Paulo. As respostas da empresa, em um primeiro momento, sempre são os mesmos: a empresa nega a existência de uma pane generalizada, alegando que o que está ocorrendo é um problema pontual. Uma série de reclamações, principalmente a partir do serviço de microblog Twitter, desmente a desculpa esfarrapada e esclarece que a empresa está, como sempre (e como em quase todos os serviços privatizados de comunicação), tratar o consumidor, no mínimo, como burros e palhaços.

Já tive outro problema “pontual” com a Telefonica. Ao pagar uma internet de 2 megas, eles me forneceram um serviço de uma internet de 300 k!! Como ainda não estava aqui, ficamos 4 meses pagando por um serviço e recebendo 1/6 dele. Quando eu resolvi o problema e pedi um ressarcimento do período que paguei mais do que recebi, eles me deram um cretino desconto de 23 reais!!!!!

Contudo, esse problema não é, de forma alguma, exclusividade da Telefonica. Eu ja tive problemas com diversas empresas de telecomunicação (acredito que todos ja tiveram). A empresa de telefonia móvel Tim já ROUBOU todos os créditos e planos que eu tinha em meu celular, e nada adiantou ficar 6 dias ligando, no mínimo 1 hora por dia, para o famigerado serviço de telemarketing (conhecido, na boca pequena, como “bucha de canhão”). A Oi ja me fez ir atrás de uma burocracia chata só porque ela não adicionou em meu celular os créditos que eu tinha acabado de comprar. Enfim, nós, consumidores, estamos constantemente sendo lesados pelo simples fato de sermos consumidores. Não há saída, não há fuga. Aqui em casa, a opção que me foi dada, na espetacular “concorrência sadia”  felicitada pelos entusiastas das privatizações, foi o traffic shapping da Net ou os panes da Telefonica… sujo ou mal lavado?

Bom, ao meu ver, o problema das panes, das sacanagens e das maracutaias das empresas, cada vez mais aptas a lesar seus clientes, vai além dos “problemas técnicos”: A “pane enquanto problema” está, cada vez mais, dando lugar à “pane enquanto prática”. A privatização das telecomunicações no Brasil veio acompanhada por um entusiasmado e cada vez mais veloz crescimento tecnológico. O barateamento e a digitalização das linhas de telefone fixo, o extraordinário aumento e aperfeiçoamento dos telefones celulares, a internet banda larga, a TV a cabo, etc, foram todos incrementos tecnológicos cuja emergência é associada à onda de privatizações da telecomunicação. A velocidade desse crescimento e sua espetacularização – e, é claro, seu contínuo barateamento – fez com que cada vez mais brasileiros pudessem se juntar ao “novo jeito global de se comunicar”. Além disso, diversos serviços essenciais ou estratégicos – como serviços governamentais ou empresariais – se estabilizaram sobre a estrutura em rede da internet ou as facilidades da comunicação móvel.

Acontece que há uma tremenda falácia nesse crescimento. Enquanto os numeros de consumidores vão aumentando drásticamente (numeros de conectados, número de portadores de telefones celulares, numero de linhas fixas, etc), a estrutura técnica que garante o bom funcionamento dos serviços estagnou ou não acompanhou a velocidade dos serviços postos à disposição dos consumidores (nós) e dos diversos serviços que se basearam nessa estrutura. Cada vez mais aumentam as facilidades de adquirir tais produtos (celulares gratuitos, planos de marketing agressivos, computadores com prestações a perder de vista), enquanto o problema da estrutura funcional de tudo isso continua escondido em desculpas como “isso é um problema pontual” ou a maldita “você ja desligou e ligou seu modem?”. É tal problema que faz com que o Brasil esteja no ranking dos países mais conectados do mundo e no ranking da internet mais lenta do mundo, e é o que faz com que as empresas de telecomunicação sejam as com o maior número de reclamações no PROCOM.

Nesse sentido, não há possibilidades de uma internet sem pane, pois não há uma estrutura que garanta 100% de funcionamento para todos os clientes ao mesmo tempo. A banda oferecida para a demanda supera e muito àquela suportada pela estrutura técnica. A pane não é mais um problema, ela é a prática. Essa é a mesma visão que eu tenho sobre o problema do telemarketing. Não existe, por mais leis que se criem, a possibilidade de um telemarketing eficiente pois não há possiblidades técnicas de resolução de todos os problemas dos clientes. O telemarketing serve justamente para isso: enrolar e nos fazer de palhaço. Alguém aqui conseguiu resolver o problema da pane da Telefonica ligando para o Serviço ao Consumidor? Eu duvido.

Enquanto isso ocorre, nós vamos sempre ser vitimas. Primeiro porque não temos nenhuma opção, o problema é completamente generalizado. Ou nos submetemos a isso ou não temos internet. Segundo porque não temos o que fazer. Depois porque somos lesados direta e indiretamente. Diretamente porque temos o serviço que contratamos (e pagamos) descontinuado, e indiretamente porque também sofremos com o mal funcionamento de outros serviços que também foram diretamente afetados (bancos, instituições públicas, serviços de saúde, telefones de emergência, etc.). Estamos todos, em quase todos os lugares, cercados por serviços que têm seu funcionamento amparado por essa estrutura fráca e completamente ineficiente. São serviços estratégicos e necessários, seja para os conectados ou não. A falacia da estrutura tecnica dos serviços de telecomunicação se tornam cada vez mais problemática e perigosa a partir disso. O risco é sempre escondido e negligenciado a favor da maximização da venda, e os riscos não são poucos. Está em jogo o funcionamento não só da nossa internet doméstica, mas do serviço de toda estrutura em rede do estado (e do país). Todos acreditaram e todos são lesados. Por fim, vamos nos contentar com a merda de um serviço acompanhado com horas gastas com telemarketing e um desconto de 23 reais.

Tirando as teias

16 Junho , 2009 por Homem Verde

Bom gente, resolvi, pela terceira vez, tentar reanimar esse blog. Dessa vez pensei que ele ja tinha ido pro saco e que nem desfribilador adiantaria. Estava desanimadíssimo em escrever qualquer coisa. Aconteceram coisas importantes nesses tempos, mas faltou coragem de contar (ou recontar) aqui. Bom, como quero tirar as teias e dar uma boa varrida nesse blog, vou por o papo em dia.

Em primeiro lugar: eu, infelizmente e contra minha vontade (mas por uma boa causa, espero eu), saí de Salvador. Acho que foi por isso que eu desencanei um pouco de escrever. Estou numa cidadezinha péssima no interior de sampa, e nada que acontece por aqui me motiva muito. Outra: estou longe de minha musa inspiradora (hahahahaha, q piegas c não fosse verdade) e minha maior incentivadora.

Sobre os assuntos tratados aqui, muita coisa aconteceu: o Piratebay perdeu o processo e está recorrendo; a Marcha da Maconha foi novamente proibida e estão recorrendo; o Projeto Azeredo está cada vez mais aí mas com cada vez mais resistência da comunidade “interneteira”; o Partido Pirata do Brasil ta vindo aí com tudo; o Partido Pirata da Suécia ganhou uma cadeira no parlamento da União Européia; a Lei Sarkozy da França foi aprovada mas foi parcialmente vetada;

Bom, não vou desenvolver sobre tudo isso. O que passou, passou. O que importa é que vou tentar novamente ir colocando as coisas aqui no blog, comentando notícias e distribuindo links que eu acho interessante. Veremos…

Post-Scriptum: Galera, vale aqui um grande agradecimento às pessoas que comentaram no blog nesse tempo de ostracismo e esquecimento. Valeu mesmo, heim! Se não fosse vcs, bau bau mundo verde.

Free TPB!

17 Fevereiro , 2009 por Homem Verde

Está rolando desde ontém, na Suécia, o julgamento contra o The Pirate Bay – o maior, o mais legal e o mais combativo gerenciador de torrents do mundo. Eles estão sendo acusados de favorecer a infração de direitos autorais, e estão sendo processados por grandes empresas do cinema e da música. Ao todo, está sendo pedido uma bolada astronômica em dinheiro e até 2 anos de reclusão. O processo é a continuação da perseguição ao site que começou em 2006, quando os servidores do The Pirate Bay foram apreendidos pela polícia suéca em conformidade com uma denúncia feita pelas mesmas Majors que agora estão no tribunal. Naquela época, o site voltou a todo vapor três dias depois e os administradores rechaçaram a ação com notas tirando um sarro das empresas responsáveis – respostas praxe do site.

Agora os três administradores do site Peter Sunde, Frederik Neij e Gottfrid Svartholm Warg estão nos tribunais no que está sendo chamado de “o julgamento da década sobre os direitos autorais”. Em uma entrevista coletiva antes do primeiro dia de julgamento, eles disseram que tal ação não tem objetivos de acabar com o site – pois há outras pessoas capazes de tocá-los pra frente – mas sim penalizar os administradores. Ainda assim, dizem não adiantar nada impor multas pois eles não tem como pagá-las.

Contudo, o que está por trás de tal ação judicial é a legitimidade ou não dos serviços de torrent e de todo compartilhamento de arquivos. O The Pirate Bay é conhecido não só por ser um servidor torrent, mas também por fazer parte de um grupo político a favor do compartilhamento, no qual inclui o Partido Pirata Suéco e a entidade The Pirate Bureau. Sempre se posicionaram politicamente a favor da livre troca e da liberdade de compartilhamento dos bens culturais. Justamente por isso estão transformando seu julgamento em um evento midiático na rede o que eles chamam de “Spectrial” (spetacular trial – julgamento espetacular), um julgamento performance para levantar a bandeira em prol da pirataria online. Como aconteceu em maio de 2006 – data da apreensão dos servidores do site – os administradores fizeram um apelo para os piratas da europa para acompanharem o julgamento e participarem de manifestações a favor do servidor. Eles conseguiram também que o julgamento fosse transmitido ao vivo na internet. A partir da transmissão, mobilizaram blogueiros e twiteiros para traduzir e disseminar notícias sobre a batalha jurídica.

Estou acompanhando pelo twitter em português e pelos blogs. Hoje foi o segundo dia de julgamento (de aproximadamente 13 dias) e, segundo twitter, metade das acusações foram retiradas ainda antes do pronunciamento da defesa.

Vou colocar aqui alguns links de blogs, sites e do twitter para quem quiser conhecer melhor e acompanhar o julgamento:

http://info.abril.uol.com.br/aberto/infonews/022009/13022009-45.shl (notícia na Info Online sobre o julgamento)

http://www.andafter.org/publicacoes/pirate-bay-vai-a-julgamento-hoje_880.html (blog bem massa que conheci hj que trás um aglomerado de notícias sobre o assunto)

http://search.twitter.com/search?q=%23spectrial-pt (tradução para a língua portuguesa das notícias atualizadas do julgamento)

http://sites.google.com/site/spectrialpt/Home (tradução para o português da documentação do caso feito pelos manifestantes à favor do TPB)

Luz no fim do túnel?

13 Fevereiro , 2009 por Homem Verde

Depois de um tempo de retrocesso sobre o tema da descriminalização (eta palavrinha estranha para digitar), marcada por desinteligências e repressões jurídicas na marcha da maconha em 2008, o assunto voltou a ser tema na mídia e na política nacional essa semana. Dando uma olhada nos jornais, li 2 notícias a respeito. A primeira é sobre o ex-presidente FHC defendendo a descriminalização para uso pessoal (http://noticias.uol.com.br/politica/2009/02/11/ult5773u595.jhtm) e a outra é sobre o nosso ministro da saúde, José Gomes Temporão, indicando que é a favor de um debate sobre o assunto (http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,temporao-defende-debate-sobre-descriminalizacao-da-maconha,322833,0.htm). Bom, já sabemos como se desenvolvem as discussões de temas, digamos, avançados para um pensamento conservador, na política nacional. Temos exemplos como as discussões sobre legalização do aborto para fetos sem chance de sobrevivência ou o famigerado plebiscito para o porte de armas. Sobre o primeiro tema, li coisas absurdas e perturbadoras sobre o assunto, algo como “a dor da mãe dar a luz a um feto morto é necessário para sua recuperação emocional”. Essa idéia absurda e infeliz (diria imbecil) saiu da boca de um médico (homem, claro) chamado pelos parlamentares para discutir o assunto.
Sabemos que o assunto da descriminalização será debatido por caretas e/ou hipócritas. Resta esperar que haja um bom senso para que essa discussão seja levada para à opinião pública, para podermos fazer um estardalhaço.

É nóis!

13 Fevereiro , 2009 por Homem Verde

Galera do mal!
Voltei a acessar esse blog, e estou disposto a escrever nele novamente. Confesso que faz meses que nem entro nele pra dar uma olhada, pensei que tinha morrido, algo assim, e entrando nele descobri algo q me desconcertou: eu fui, talvez o único q abandonou-o. As visitas estão bombando, mais do que estavam qdo eu escrevia aqui. Bom, fiquei motivado novamente, pelo menos por agora, vou tentar postar algumas coisas por aqui.

A casa caindo 3

20 Outubro , 2008 por Homem Verde

A pouco tempo estamos vendo no Brasil um aumento das estratégias de repressão ao compartilhamento de arquivos na Rede. Em 9 de setembro, o blog de mp3 Sombarato saiu do ar após receber uma notificação do serviço de blog Blogger – serviço de publicação de blog do Google e o mais popular no Brasil – notificando-o que seu conteúdo estava sobre acusação de infringir as leis de direito autoral de acordo com o Digital Millenium Copyright Act (DMCA).

Do mesmo modo, há mais de um mês, uma das maiores comunidades de troca de links do Orkut, a Discografias, está vendo seus tópicos deletados pelo Orkut – rede social do Google – a partir de denúncias feitas pela APCM (Associação Antipirataria Cinema e Música).

Contudo, essas estratégias de repressão à livre troca de arquivos digitais estão sendo cada vez mais acompanhadas por estratégias de inserção das grandes indústrias fonográficas e de novos atores do mercado da música na realidade digital de distribuição de produtos culturais. Novas formas de negociar os produtos culturais do mercado fonográfico já representam uma outra forma de valorização e de investimento para os atores desse mercado. Uma dessas estratégias é justamente a parcial relativização do direito autoral na valorização direta desses produtos. Embora a venda direta dos produtos (seja em cd, dvd, mp3, tec) representam ainda 85% do rendimento do mercado fonográfico, as maiores indústrias de gravação já implementam espaços de distribuição gratuita de suas músicas, pautando seus rendimentos em outros produtos, como o marketing gerado nesses espaços, etc.

Nesse sentido, atualmente há uma convergência entre as estratégias de repressão e de inserção ao compartilhamento de arquivos.  Nessa confluência, o direito autoral deixa de ser medida direta de valorizacão no mercado fonográfico e é mais claramente explorado por seu caráter repressivo – que, na história das leis autorais, sempre existiu. A partir desse viés repressivo, que vem se fortalecendo a partir da virada do milênio com as modificações das leis autorais para tentar abranger a realidade digital, o direito autoral se tornou uma ferramenta de controle do comportamento dos usuários na rede – especificamente o livre compartilhamento dos produtos culturai. Portanto, mesmo o direito autoral não sendo medida direta de valorização desses produtos, ele o é indiretamente, ao reprimir as formas espontâneas de compartilhamento fomentadas pelos usuários e ao apontar para os ambientes controlados das empresas de entretenimento como unico ambiente seguro e legal de aquisição de produtos culturais gratuitos.

O que quero discutir aqui é que, a partir da maior inserção do mercado fonográfico na esfera do compartilhamento de arquivos, há uma redefinição no terreno de disputa onde se insere os movimentos anti-copyright e a favor do livre compartilhamento. Não se trata mais de lutar pelo direito de distribuição gratuita de arquivos, e sim contra a formação hegemônica de ambientes controlativos e regulados e pela distribuição fomentada pelos usuários na forma de colaboração e inovação dos ambientes livres da rede.

Associação Antipirataria trava guerra contra comunidade de 755 mil no Orkut

20 Outubro , 2008 por Homem Verde

DIÓGENES MUNIZ
editor de Informática da Folha Online

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u455850.shtml

Uma guerra silenciosa, travada nos bastidores da principal rede social do país, preocupa internautas que baixam música pela internet. O Orkut, braço do Google que neste ano passou a ser chefiado por uma equipe brasileira, começou a deletar pedaços da sua maior comunidade dedicada a compartilhamento de arquivos MP3, a “Discografias”.

O endereço existe desde 2005, conta com três administradores anônimos (Madruga, Cris e Chris) e abriga 755 mil participantes cadastrados –o número de pessoas que a utiliza efetivamente é bem maior, já que para acessar seu fórum não é preciso de inscrever. Ali, internautas compartilham links com álbuns musicais inteiros sem pagar nada. A organização e o volume de material fez com que o endereço se tornasse uma central para quem procura esse tipo de conteúdo na rede brasileira.

“É o nosso principal cliente. Em se tratando de música, ninguém tem mais arquivos que violam direitos autorais do que a ‘Discografias’”, diz Edner Bastos, coordenador antipirataria da APCM (Associação Antipirataria Cinema e Música), entidade que defende a propriedade intelectual.

Os moderadores da “Discografias”, que passam mais de cinco horas por dia trabalhando no fórum, impõem regras rígidas, inclusive banindo usuários mais insistentes. As proporções levaram à criação de comunidades satélite, que servem de apoio para a principal. Na “Discografia – Pedidos”, por exemplo, os usuários podem dizer o que querem baixar. Isso ajuda a não abarrotar o índice da comunidade “mãe” –onde entram apenas tópicos com o caminho do download.

Reprodução
Imagem da comunidade "Discografias", acusada pela APCM de ser a maior difusora de música ilegal no Orkut
Imagem da comunidade “Discografias”, acusada pela APCM de ser a maior difusora de música ilegal no Orkut

Hidra

No primeiro semestre deste ano, a APCM tirou do ar 118.750 links de filmes e músicas, 22.113 blogs e 20.332 arquivos P2P (”peer-to-peer”, referentes a programas de compartilhamento como eMule) da internet. Seu principal rival, no entanto, continua de pé.

“Estamos com várias discussões com o Google, em alguns pontos eles nos ajudam”, afirma Bastos. “Temos um trabalho para tirar [a comunidade "Discografias"] do ar, mas ela é muito complexa. É preciso pegar tópico por tópico para provar que todo aquele conteúdo é ilegal.”

A exclusão de algumas páginas dentro da comunidade já foi sentida pelos internautas. Em uma nota divulgada na quinta-feira passada, os moderadores da “Discografias” afirmaram que “tópicos continuam a sumir e não são devolvidos. Depois que a administração do Orkut passou para o Brasil, a coisa tem piorado muito”.

“Tiramos [o tópico] quando está constatado algum tipo de violação num link específico”, afirma Félix Ximenes, diretor de comunicação do Google no país. Nestes casos, o Google considera primeiramente a “liberdade de expressão”, diz ele. “A comunidade é legítima, porque há discussão de música também. Além disso, você sabe, a gente deleta uma, eles criam outra.”

A Folha Online entrou em contato com a moderação da comunidade. Sem se identificar, aceitaram responder à reportagem sobre seu trabalho na rede social.

“Muitas bandas, hoje, tanto no Brasil quanto no exterior, assumem que não fariam sucesso se não fosse a internet. Até o Presidente da República deu uma declaração favorável na semana passada sobre ‘baixar músicas da internet’. Ilegal e pirataria, na nossa opinião, é a venda de CDs piratas”, afirmam.

Segundo eles, o trabalho na Discografias é um “ótimo hobby”. Mesmo sob pressão, não cogitam fazer um blog ou outro tipo de fórum –só se o Google fechá-los de vez.

“É certo que muita gente só está no Orkut pelas poucas comunidades úteis e bem organizadas que sobraram, tais como a ‘Discografias’ e algumas outras. Com o seu fim, pensamos que o movimento no Orkut cairia consideravelmente”, apostam.

a casa caiu 1

17 Outubro , 2008 por Homem Verde

Blog de compartilhamento de músicas é retirado do ar

Fonte: Boletim G-Popai – http://www.gpopai.usp.br/boletim/article41.html

segunda-feira 6 de outubro de 2008, por jamila


Através de uma mensagem de e-mail em inglês Bruno Rodrigues, de 24 anos, soube que tinha três dias para alterar o conteúdo de seu blog ou ele seria retirado do ar pela empresa que o hospedava. “Recebi um email de notificação do Blogger/Google avisando que o blog estava sob denúncias de infringir direitos autorais. Na notificação, eles mandavam uma espécie de link para que eu pudesse consultar exatamente o que era a denúncia, mas esse link não funcionava e retornava um aviso de que o conteúdo estava sendo processado”, conta.

No dia 9 de setembro, seu blog – o Sombarato – junto com todo o seu conteúdo foi tirado do ar.

O Sombarato foi criado em 16 de janeiro de 2007, quando Rodrigues decidiu disponibilizar gratuitamente seu acervo de discos raros para os amigos. Em pouco tempo o site tornou-se popular e novos colaboradores foram adicionados ao blog que aumentava cada vez mais a quantidade e variedade de discos. “O grande diferencial do Sombarato sempre foi o acervo. Não se encontrava em outro lugar as dezenas de discos de frevos, rock psicodelico recifense e tantas outras raridades” lembra.

Segundo Filipe Barros, autor do “Manifesto a favor do Sombarato” (publicado no blog Sembarato, [1]) o blog reunia cerca de 2 mil discos – muitos dos quais não se encontram mais em circulação -, alem de áudios de shows ao vivo e aúdios de DVD. Segundo seu Manifesto, “boa parte dos artistas contavam com o Sombarato para divulgar seu conteúdo e disponibilizavam livremente suas músicas”.

Apesar de todos os links terem se perdido junto com o blog, Rodrigues ainda tem um bacup de suas músicas e de comentários que eram deixados no Sombarato. Mesmo assim, ele não pretende retomar o site. “Um dos colaboradores pretende continuar a história do sombarato. Vamos esperar”, diz.

É possível acompanhar o desenrolar dessa história através do novo blog, Sembarato (http://sembarato.blogspot.com), que reúne diversas mensagens de solidariedade ao Sombarato e manifestos contra a ação arbitrária de desativação do site.

DMCA

O Google justifica a retirada do blog Sombarato do ar com o Digital Millenium Copyright Act (DMCA), uma lei aprovada em 1998 nos Estados Unidos. Entre outras medidas, o DMCA permite que detentores de direitos autorais solicitem aos provedores de servicos online que bloqueiem o acesso a conteudos que violem direitos autorais ou os retirem de seus sistemas.

Blog Sembarato

Digital Millenium Copyright Act (em ingles)

Politica do Google sobre reclamacoes de violacao de direitos autorais

Veja as reclamacoes recebidas pelo Google com base no DMCA

Veja as perguntas comumente feitas sobre DMCA no site Chilling Effects

Observações

[1] http://sembarato.blogspot.com

Cagaram no Porto!

31 Agosto , 2008 por Homem Verde

Meu, cagaram no Porto…

Há algum tempo venho lendo nos jornais a substituição do calçamento do Porto da Barra. Era de mozaico de pedras portuguesas há tempos, mas como elas estavam bem esburacadas, soltas, etc, resolveram trocar. A praia do Porto e as praias que seguem é bastante usada para passeios, corridas e caminhadas. Realmente não dava para ficar esburacada. Mas ao invés de concertar as pedras portuguesas, resolveram tirar tudo e colocar cimento escovado com detalhes em granito. Tiraram tudo. Esse ja foi um ponto que eu desacreditei: por que não concertam? por que tirar tudo e fazer tudo de novo?

Foi um fuzuê. Uma galera veio falando que o novo calçamento não ia “ornar” com a balaustrada centenária e nem com os monumentos históricos, como os fortes e o Farol da Barra. Disseram que as pedras portuguesas eram um tipo de “ligação” entre os monumentos e as construções e que, embora não estivessem tombadas pelo Patrimônio Histórico, tinham que ser preservadas. Até Caetano Veloso se manifestou a favor do calçamento lusitano.

A partir dessa rusga, a prefeitura resolveu fazer uma consulta popular pela Internet, para decidir se as pedras ficam ou saem. O resultado foi desfavorável para as pedrinhas e a favor do concreto. A prefeitura acabou por iniciar as obras e cimentar tudo. Houve até um corte (totalmente desnecessário) de amendoeiras centenárias, que não deixou a galera muito contente. Eu, até então, não tinha me posicionado sobre o assunto. Pedras portuguesas esburacadas é foda, mas cimento? Meu maior problema era: por que tirar tudo e fazer tudo de novo? tem dinheiro sobrando para tanto? e outra: Isso é realmente muito importante? consulta popular sobre pedra na praia, em uma cidade como Salvador, com mil e um problemas? convenhamos!

Hoje de tarde fui finalmente ao Porto da Barra, tomar uma breja com minha mulher, depois de três meses de aprisionamento em casa. Quando eu vi o novo calçamento, odiei… Realmente as pedras portuguesas faziam sentido naquele lugar. Cimento é cimento… dele já estamos cheio em uma grande cidade. Eu não entendo nada de estética histórica e etc, mas não é possível alguem olhar aquele cimento e falar que está mais bonito. Não está! Mais uma cagada na orla, que ja está pra lá de maltratada.

Meu peito é de sal de fruta fervendo num copo d’agua!

31 Agosto , 2008 por Homem Verde

Bom, vou tentar começar aqui (e nunca acabar, como em todas as minhas tentativas de posts temáticos) a escrever sobre os shows que eu consegui ver aqui em Salvador.

Eu já assisti alguns, e todos muito bons… antes de vir pra cá, morava em uma cidadezinha que não oferecia porcaria de show nenhum… (um dia teve Gilberto Gil, que eu não fui… Teve Cordel do Fogo Encantado, q eu fui e curti demais, mas foi só isso).

Cou começar com o show que eu vi ontem a noite: o show do Tom Zé, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves.

Primeiro eu acho que fui para esse show por resignação. Eu queria mesmo era ir para o show do João Gilberto, sexta que vem, mas por ingenuidade e falta de vontade de passar a noite numa fila para comprar ingressos – somada a canalhice das vendas de ingressos no TCA – fiquei três horas na fila e não consegui nem chegar perto de um ingresso… foi triste… estava me imaginando nesse show desde maio.

Daí, descobri que ia ter o show do Tom Zé, do disco Danç-eh-sá, disponível gratuitamente no site da Trama. Curto muito Tom Zé… Acho que ele é um gênio da música brasileira, supercriativo, mas ele é um doido!! A fase que eu curto muito dele é a de 68 a 76, e pensei que ele nunca mais ia tocar essas músicas novamente. Antes do show estava conversando sobre isso com minha mulher. A gente gosta de umas fases antigas de artistas que ainda estão na ativa. Gil de 68, 69. Jorge Ben de 63 a 76 etc. Achava que eles nunca mais iriam tocar essas músicas em um show, pois eles têm uma carreira muito extensa, e essas fases nem são as mais importantes da carreira deles (são para mim!). Até falei que o Gil devia voltar com uma turnê de 68/69, fase rock’n roll psicodélico… (Gil, se tiver de bobeira lendo esse blog, pense nisso irmão.. hahahahaha)

Mas então, por isso nem fiquei empolgado, em um primeiro momento, de ir ver Tom Zé. Não conheço muito os novos discos dele, e achava q só ia dar música nova. Aí, lendo jornal ontem, descobri que o ingresso era um quilo de alimento. Falei com minha mulher e resolvemos ir… era em um horário perfeito para show (18:00) e era sábado a noite, era a Concha Acústica e era, enfim, Tom Zé!

Eu gosto muito da Concha Acústica. É um lugar ao ar livre, relativamente pequeno, com uma arquibancada íngreme – mas que cabe muita gente -  e com um palco muito, muito baixo. Tem um lado todo legalize e outro mais família. Um dos melhores lugares que eu fui ver show. Da uma boa aproximação com o artista, e ele deve se sentir realmente bem ao estar quase no mesmo nível do público. O último show que o Tom Zé fez aqui em Salvador foi no começo do ano no Porto da Barra, numa homenagem à Tropicália, em um palco flutuante no mar que ficou muito longe do público. Ele disse em um jornal que demorava 15 minutos para ouvir os aplausos da platéia. Eu fui nesse show, mas tive que voltar antes dele tocar, pois estava de ônibus e o show começou muito tarde.

Então, chegamos na Concha, depois de descer a ladeira mais íngreme que eu já vi aqui em Salvador, compramos um latão de breja e esperamos. Ficamos vendo o público, bastante diversificado. Crianças de break light, senhoras de idade, velhos hippies, jovens descoladões, muitos cultizinhos etc. Quando decidimos entrar, lá estava o Tom Zé doido, de pé fora do palco, de cara com a platéia, com o microfone na mão e dando uma aula. O show fez parte de um evento produzido pela Coordenadoria de Ações Afirmativas, Educação e Diversidade da Universidade Federal da Bahia chamado Fórum Universidade, Juventude e Diversidade, e Tom Zé estava dando uma de palestrante. Falava de quando foi preso em Sampa pela ditadura. Ele era profissional do CPC aqui em Salvador, como diretor de música, mas quando pediram a ficha dele pros milicos da Bahia, estava limpa! Ficou abismado: “Como a ditadura queria melhorar o Brasil se nem minha ficha eles conseguiam? Eu era profissional do partido comunista, ganhava 30 cruzeiros por mês, e minha ficha saiu limpa? A Bahia nunca ajudou a ditadura”. E o interrogatório? Ele disse o seguinte: “No interrogatório me perguntaram: Você gosta da Hebe? Respondi: Gosto sim senhor! Depois perguntaram: E do Silvio Santos, você gosta? Gosto sim”. Que raios de interrogatório é esse?

Depois da palestra, o show começou com a banda de abertura: Ronei Jorge & Os Ladrões de Bicicletas. Banda decentíssima, faz uma rockeira com um pézão no samba. Já tinha ouvido eles no carnaval, em um show que eles fizeram no Rio Vermelho, mas ja estava muito doido, mal lembrava. Mas eles abriram o show com o Tom Zé no palco, e mandaram juntos a “Tô”, do “Estudando o Samba” de 1976…  Foi demais.

Algum tempo depois, o show principal. A Concha estava lotada. Não esperava tanta gente. Tom Zé entrou, com a cara pintada, aquelas roupas escalafobéticas e uma energia invejável. O cara é um passa mal no palco… pula, cai, grita, fala com os moradores vizinhos da Concha Acústica e comanda a platéia (e a banda). A banda, por sua vez, está sempre na corda bamba. Tem que ser ligeira, ficar ligada, pois o cara é imprevisível. Conversa com a platéia e depois vira e fala “toca aquela! Vai, Vai!”, e tem que tocar. Mas eles sabem segurar a bronca bem, já acompanham o cara há tempos.

Pensei que ele fosse fazer um show só do Danç-eh-sá. Já estava esperando as músicas sem palavra, embora eu soubesse que era impossível o Tom Zé fazer um show sem falar muito. Mas logo no começo ele mandou 2001, que ele fez em parceiria com Rita Lee e que foi gravada pelos Mutantes e pelo Gilberto Gil em 1969. Pirei. Nunca tinha ouvido ele cantado essa música, que eu curto muito. Fora q o cara é enérgico, performático, segura o público e faz todo mundo cantar baixinho, para não acordar a vizinhança. Lá pelo meio do show, ele mandou um “heim”, do estudando o samba. Onomatopéica também. Aliás, falam muito desse ultimo disco dele, mas ele sempre pirou nessa parada de minimalizar a letra das músicas. O “Estudando o Samba” é mais ou menos assim… As musicas tem quase todas os nomes monosilábicos, e mesmo em “Tom Zé” de 1970 ele ja pirava demais em incompreensões das palavras. O último disco dele foi um absurdo de tudo isso.

Outra música inacreditável que ele tocou foi a “Bush”. É uma música de protesto contra a guerra do Iraque, que eu ouvi em uma passeata que eu fui na paulista em 2003, com ele tocando (segundo ele, pela primeira vez) apenas voz e violão. Odiei a música!! Ela foi repetida umas tres mil vezes na passeata. E eu nem seguí a passeata inteira… Mas foi um dia bem marcante para mim e para minha mulher, e essa música até que me tras boas lembranças.

Cantou músicas novas também, tanto do disco recente quanto dos precedentes. Destaque para duas, que eu não conhecia e que, com ele cantando no palco, foi demais: “Nascer”, que fala do trauma de vir para esse mundo, e “12 14″ que ele fala da prostituição infantil. Músicas boas, vou correr atrás para achar.

Mas o melhor ficou pro finalzinho. Na última música do bis ele mandou o “Jimmy, Renda-se”, do disco de 70 (que eu ja postei no blog em um top 5 nacional). Quase toda a vez que eu e minha mulher ficamos esperando o show começar, tomando uma breja do lado de fora da Concha, nós conversamos sobre as músicas que os artistas não iriam tocar, mas que seria demais se tocassem. A principal que veio na minha cabeça foi essa. Eu gosto muito de “Jimmy, Renda-se”. Além da piração total com a lingua britânica, num embromation pra lá de macarrônico, é uma puta sonzera. Baixão marcado, boa variação ritmica… um rockão decentíssimo pro começo da década de 70. Outra música listada, das “são boas mas nem ele deve tocar mais” foi a “Tô”, primeira tocada da noite. Quando ele disse q a última música seria a Jimmy, Renda-se, eu desacreditei. O arranjo é totalmente outro, bem mais sossegado, mas foda-se! Eu curti demais ele ter tocado.

Bom, o show foi muito bom. Não esperava nada. Fui meio  que no “é um quilo de alimento e é Tom Zé”. Iria me arrepender muito de não ter ido.

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