Arquivo da categoria ‘Salvador’

Marcha da Maconha Liberada em Salvador!!!

19 Setembro , 2009

Galera malévola,

Uma centelha de consciência na “capital da alegria”.

Estive acompanhando, por um tempo, o processo da Marcha da Maconha em Salvador, movimento legítimo e democrático que visa inserir a questão da legalização das drogas na esfera pública brasileira. Compareci, com muito gosto, no debate que houve na UFBA em 2007 e acompanhei as proibições da Marcha em 2008 e 2009. Pasmo, encarei como um puta retrocesso democrático a proibição da discussão da legalização. Não foi proibido somente o uso de drogas em nossa sociedade, foi proibido falar sobre o assunto publicamente.

Acontece que os santos ativistas pró-legalização da Bahia, especificamente a ANANDA (uma rede formada por ativistas, redutores de danos, pesquisadores e cidadãos que buscam promover o diálogo sobre a legalização das drogas)  não se deram por vencidos e entraram com um Habeas Corpus aqui em Salvador em 29 de maio solicitando proteção jurídica para a realização da Marcha. Em 1 de setembro saiu a decisão a favor da manifestação.

Antes tarde do que nunca. O parecer do juiz (o Acórdão, vale a pena ler) favorável à Marcha foi de extrema consciência por apontar o óbvio: a Marcha da Maconha não incita o uso e muito menos o tráfico de drogas. É um mecanismo democrático que visa incitar um debate importante e que a muito tempo é recalcado em nossa sociedade por uma série de preconceitos, ignorâncias e muito pouca inteligência (vi um dia em 2008, num MTV Debate, que inclusive contava com a presença do incansável Sergio Vidal, um tiozinho da polícia falando que a Marcha da Maconha era financiada pelo tráfico de drogas!!!).

Bom, rolou. Depois disso, a galera da ANANDA já marcou o dia de exercer seu recém conquistado direito: 5 de dezembro. Não vou estar aqui para aproveitar, mas desejo paz, serenidade e alegria a todos os presentes.

Obrigado ANANDA, obrigado Sérgio Vidal e obrigado ao consciente Juiz.

O Gnu/Linux e o Candomblé

13 Julho , 2009

Semana passada, sexta-feira, eu acompanhei minha esposa em um encontro estadual dos pontos de cultura da Bahia. Ela estuda esses pontos, estava acompanhando esse evento desde quarta feira, e sexta ela me convidou pra ir e eu, para minha sorte, aceitei. Acontece que ela me convidou por um motivo bem específico:  ela encontrou uma senhora que estava com problemas em instalar um modem 3g em um notebook com distribuição gnu/linux. Como eu consegui instalar o mandriva no computador de minha esposa e consegui fazer com que o modem 3g dela funcionasse, ela pressupôs que eu sabia fazer aquilo.

Eu não sou um bom usuário de gnu/linux. Gosto de fuçar, sei abrir o terminal e copiar as linhas de comando que só agora eu tenho uma pequena noção do que fazem, mas não passo perto de ser um desenvolvedor (malemá sou um usuário meia boca). O meu negocio é fuçar. Curto fuçar em tudo, seja coisas relacionadas ao computador, seja outra coisa. Gosto de arrumar porta, torneira, fazer gambiarras, antenas, mesas improvisadas, etc., e o gnu/linux é o melhor sistema operacional pra quem gosta de fazer isso. Curto ter que correr atras das coisas para que elas funcionem bem no computador, ao invés de ter tudo instaladinho. Claro que tem vez que é frustrante (por exemplo, não consegui fazer funcionar minha webcam no meu mandriva), e as vezes, na maioria das vezes, as coisas funcionam de um jeito que não sei explicar como. Coloco la no terminal as linhas copiadas em receitas de bolo, da um tipo de erro, fuço aqui, fuço ali, e quando eu desisto eu percebo q a parada está funcionando. Isso da um pouco de alegria de ver a parada funcionando e um pouco de frustração, de não saber mto bem como funcionou. Com o modem 3g da minha mina foi isso que aconteceu. Mexi, mexi, desisti e funcionou. Então eu não sabia muito bem como eu consegui instalar a parada no computador dela. Fui tentar fazer a mesma coisa com o meu e passei longe de conseguir. E agora eu tinha esse desafio: aprender e instalar o modem 3g no computador de uma senhora que eu nem sabia quem era.

Bom, cheguei lá na sexta. O encontro estava sendo em um hotel q ficava no Itaigara, um bairro bem classe média alta daqui de Salvador. Lá é completamente diferente dos lugares que eu conheço aqui, dos lugares onde morei e onde eu gosto de dar um rolê. É o que chamam de “centro novo” de Salvador, uma parte da cidade razoavelmente nova, que junto com Pituba e Iguatemi, veio substituir o bom e (muito) velho Comércio como centro empresarial da cidade, e isso fez com que o Comércio ficasse às moscas, degradado, arruinado. É um bairro feio, cheio de prédios, empresariais, comerciais e residenciais, quase sem casas.

O encontro foi bem massa. Não mto por causa do conteúdo. Não q o conteúdo não fosse massa, mas é q não me interessava tanto como interessou minha esposa, que efetivamente pesquisa aquilo. O que mais me interessou foi a diversidade de pessoas juntas no mesmo lugar, o que, nas minhas divagações, simbolizava a diversidade da produção cultural do estado da Bahia (por se tratar, basicamente, de um encontro de produtores culturais). Lá tinham indígenas de cocar, mães e pais do candomblé, rastafaris, doidos de 60 anos de idade, pessoas de calça social e gravata, hippies, moderninhos, geeks, etc. Achei demais.

Nesse meio tempo encontramos a senhora que queria que eu intervisse no computador dela. Era uma senhora negra, com vestimentas de candomblé. Supus que ela seria mãe de santo (acho que o nome certo pra isso é ialorixá) ou tinha um cargo político no terreiro, que era onde ficava o ponto de cultura que ela estava representando. Ela era incrívelmente paciente, gente boa demais e muito atenta. Conversei com ela e descobri que ela queria que eu configurasse todos os tipos de conexão com a internet que o computador dela conseguisse fazer: 3G, modem discado, cabo, wireless.

Eu sou um super simpatizante do candomblé. Sei da importância política que eles têm aqui no estado, e da crucial militância a favor da manifestação da cultura negra. Em épocas de proibição, os terreiros de candomblé foram os principais atores na luta a favor da manifestação cultural e contra a opressão de todo um povo. Hoje, eles são engajados (e sofrem bastante também) na luta pela diversidade religiosa, pois vários terreiros são hoje atacados por “fundamentalistas evangélicos”, que por um motivo bem imbecil, acreditam que toda manifestação religiosa negra é enviesada para o mal, é a própria manifestação do demo e deve ser combatida. Pura intolerância, desconhecimento e idiotice. Fui, um dia, numa festa de um terreiro de candomblé de caboclo aqui em Salvador, e foi uma das coisas mais impressionantes, animadas e legais que fizemos aqui.

Na hora eu comecei minha tentativa de trabalho. Por uma surpresa, ela usava a mesma distribuição gnu/linux que eu tinha, o mandriva. Foi mais fácil assim, pois dependendo da distribuição, eu ia ter que aprender onde estavam as coisas para depois aprender como alterá-las. Outra sorte foi que lá tinha um ponto de internet, pois sem isso, minha tentativa ia ser impossível.

Bom, foi tudo ao mesmo tempo agora. Embora ela fosse bem paciente, ela estava muito na vontade de ver a coisa funcionar. Enquanto eu procurava os benditos tutoriais na rede, ela me pedia para que eu fuçasse no wireless ou no modem discado, etc. Mas sem pressão. Ela sabia da minha condição de noob fuçador. Batemos um papo bom sobre tecnologia e eu descobri que ela era uma grande entusiasta do software livre. Sabia bem dos avanços técnicos e políticos do gnu/linux, e não abria mão de utilizá-lo. Ela não tinha dual boot no micro dela. Embora estivesse aprendendo, seu computador, por opção, funcionava exclusivamente em mandriva. Ela preferia comprar outro modem 3g com suporte gnu/linux do que instalar o windows. Fiquei completamente envergonhado com meu dual boot boqueta e resolvi, com esse papo, instalar integralmente um debian aqui no meu computadorzinho.

Bom, minha luta estava sendo travada. Era eu contra a máquina. Como não sabia tããão bem o que eu estava fazendo (com o consentimento da dona da máquina, claro) e como eu tinha um comprometimento moral para que aquele troço funcionasse (como diz minha esposa, sou muito obstinado), a luta foi braba, e a máquina estava ganhando por pontos de distância. Outro ponto a favor da máquina foi que o modem 3g não estava lá com a gente, então seria muito difícil configurá-lo. Quando disse isso, na hora a senhora ligou para alguém e pediu para que o modem fosse levado pra lá. Depois dessa, pensei: meu, ela quer muito que isso funcione, tenho muito que me dedicar nessa fita e quero mto q de certo.

Minha primeira vitória contra a máquina foi o wireless. Esse foi fácil, pois já conhecia os golpes. Instalar wireless foi a minha primeira enxaqueca com o gnu/linux, ainda quando eu tinha um ubuntu instalado em um computador de mesa que acabamos vendendo. Foi bem mais fácil do que da primeira vez, nem precisei de um tutorial. Dei um ipon e pronto. A mesma coisa foi com a internet a cabo. Foi só ligar o cabo e ficar clicando nos OKs e pronto. O terceiro round, o modem discado, tb não me causou problemas. Nunca tinha feito isso antes, e demandou outros tipos de informação, como o telefone que o modem tinha que discar para conseguir conectar. Entrei no site do provedor, falei num chat com o atendente e pronto. Daí foi só configurar a paradinha com a ajuda de um santo tutorial (deixo aqui meus enormes agradecimentos a todos os anjos de candura que produzem essas coisas magníficas que são os tutoriais: vcs são meus mestres professores.. hahahaha).

Bom, 3 a 0 pra mim, mas o pior ainda estava por vir: o maldito modem 3g. Enquanto o modem não chegava, fui me armando de tutoriais e batendo papo com a dona da máquina. Ela era de um ponto de cultura da cidade de Camaçari, que faz divisa com Salvador e faz parte da Região Metropolitana da capital. O terreiro dela ficava em uma zona rural, bem longe de qualquer tipo de conexão com a internet. Nem o 3g funcionava lá, só internet discada. O 3g era pra quando ela fosse pra cidade. Camaçari é conhecida aqui por causa do polo petroquímico da Petrobrás, maior polo industrial da Bahia e o maior polo industrial integrádo do hemisfério sul, segundo o omniciente wikipedia e instalado lá desde 1978. Já tinha lido sobre a cidade e o impacto do polo. A cidade era pacata, quase vazia, meio rural. Depois da construção do polo, a cidade sofreu um inchaço populacional tão grande que virou um caos.

Bom, nesse meio tempo chegou o meu novo oponente: o modem 3g. A nova luta se iniciara e um novo problema se apresentou: ela não sabia a senha do administrador da máquina, sendo impossível eu entrar como sudo no terminal para colar minhas receitinhas de bolo. Mas como eu conseguia entrar na parte de configuração do mandriva sem precisar dessa senha, lembrei que dá pra entrar, de lá, em um terminal já como administrador. RÁ!

Comecei. Fiz o que eu sabia logo de começo e já, logo de começo, deu o primeiro pau. Em uma opção de configuração de instalação de uma rede 3g do próprio mandriva, o maldito disse que não tinha conseguido instalar uns pacotes lá (ó o nível do meu conhecimento, hahahahaha). No computador da minha esposa, foi meio que isso q eu fiz e deu certo. No meu, eu fiz isso e não rolou. No da senhora também não. Tentei fazer o que os tutoriais me ensinavam e nada. Entrei no pendrive do modem e lá tinha uns drivers pra linux. Instalei um (que, pra variar, não fazia ideia do que era) e rolou. Fiz isso com outro e nada. Do meu lado estava a paciente senhora, olhando quase que sem piscar para tudo que eu tava fazendo, meio que tentando aprender aquilo que nem eu sabia. Fiquei uma hora e meia na frente do computador, e ela ficou uma hora e meia olhando pra tudo que eu estava fazendo, com um misto de curiosidade e vontade de que aquilo funcionasse. Eu ia tentando explicar o que eu achava que estava fazendo, tentando ensinar até onde eu sabia e deixando claro aquilo que eu não sabia muito bem mas que eu ia tentar mesmo assim.

Passei muito tempo nessa. Tentei várias coisas diferentes e já estava desistindo quando aconteceu. Estava lá, no pendrive do modem, quando este parou de funcionar. Do nada, não pude mais acessar nenhum arquivo dele e na hora pensei: fodeu! Daí, do nada, a luzinha do modem, que tava vermelha, ficou verde e depois azul. A mulher se animou e soltou um grito: FICOU AZUL! Interpretei aquilo como um sucesso. Realmente, quando o modem é reconhecido, a luz fica azul. Entrei no centro de rede do mandriva e estava lá, em laranja “modem 3g zte alguma coisa”. RÁ!

Desconectei a conexão wireless e fui tentar conectar o modem 3g. Nada. Lá veio a frustração. Nessa hora, vi que ao meu redor estavam mais 3 espectadores vendo o combate. Infelizmente, nenhum dos 3 sacavam de software livre. Todos que sabiam disso estavam com minha esposa num debate acaloradíssimo sobre gnu/linux e os pontos de cultura. No encontro tinha vários desenvolvedores de software livre, e eu mesmo fui atrás de algum para me ajudar ou para me substituir no combate, mas estavam ocupados (claro que não é culpa deles, eles estavam lá pra debater, eu estava lá pra instalar o coisinho). Foi quando recebi uma informação de um espectador: não tem sinal aqui dentro pra modem 3g, não consegui conectar o meu. Desconectei o modem, conectei novamente e foi mesma coisa: luz vermelha, luz verde, luz azul e o modem 3g zte qualquer coisa no centro de rede. Sucesso, eu pensei, mesmo que limitado e sem uma real comprovação empírica, sucesso. Avisei minha amiga: ó, não tem sinal aqui. Vc vai ter que testar isso em algum lugar q tenha sinal, se não funcionar, vc me liga.

A mulher ficou animadíssima. Viu aquilo como uma possibilidade de continuar com seu queridíssimo software livre e não precisar mais quebrar a cabeça com um modem. Ficou muito agradecida, e eu tb. Por causa dela eu pude aprender mais um pouquinho sobre o gnu/linux, além de poder conhecê-la e bater um papo bem firmeza com ela. Me senti bem, satisfeito e também agradecido. Achei animal a perseverança e a paciência dela, além da vontade de que aquilo desse certo. Por fim, fui convidadíssimo para uma festa no terreiro dela, eu e a minha esposa, o que eu aceitei beem de antemão, pois sei q vai ser mto legal. Isso graças ao software livre e a minha esposa, que acreditou na minha obstinação.

Cosmonautas no TCA

5 Julho , 2009

Galera do mal,

Como ninguém sabe, voltei há 2 semanas para Salvador para passar as férias. Estava com saudades imensas, em primeiro lugar da minha namorada/noiva/em-breve-esposa e também da cidade. Acho que nunca me senti tão bem em uma cidade quanto me sinto em Salvador. Depois de morar em algumas cidades realmente ruins, essa foi a única cidade que eu quis ter um tipo de envolvimento e de criação de laços com ela, seja por obrigação, seja por vontade própria.

Pois bem, cheguei numa época boa. Peguei o São João (quando fiquei em casa o tempo todo, não fiz nada e só fiquei a ouvir as toneladas de bombas) e 2 de julho aqui, que foi bem legal. A galera toda na rua, umas fanfarras bem animadas e uma oportunidade pra dar um rolê massa por aqui.  Nesse dia, indo de busão pro campo grande, trombei um stencil num muro no bairro da Barra que novamente me intrigou. Já tinha o visto antes, quando vim pra cá em abril. Trata-se de um stencil preto, com um trompete e escrito CHA CHA CHA. Em outro stencil-irmão, tinha um diabinho tocando maracas (!?!) e novamente o CHA CHA CHA. Infelizmente, não tirei nenhuma foto, mas encontrei uma na net:

1246130373912_f

Então, dentro do ônibus fiquei pirando nesse stencil. Nada demais, só algo que me chamou a atenção mais de uma vez e fez eu ficar divagando descompromissadamente sobre o que seria isso. Minha conclusão foi que não era nada (hahahahaha, graaande conclusão), era uma arte urbana e que não necessariamente teria um sentido próprio, talvez só estético, sei la.

Bom, 2 de julho, chegamos no Campo Grande. Milicos em volta do caboclo, fanfarra, cavalos e bastante gente. O cortejo ainda não tinha passado, então fomos nos dirigindo para o nosso “bar do 2 de julho”, que fica na 7 de setembro. Quando passamos na frente do Teatro Castro Alves, vimos o cartaz: RETROFOGUETES, 05/07, LANÇAMENTO DO ÁLBUM CHACHACHA.  No banner, o diabinho das maracas. AAAHHNNN… O stencil era uma estratégia de marketing (nossa, que palavrinha escrota, essa) de guerrilha da banda, que, por sinal, achei animal. O banner era bem massa tb, vou colocá-lo aqui o diabinho das maracas:

1246794060169_f

O show fazia parte do programa “Domingo no TCA”, que faz apresentações no teatro de domingo de manhã a 1 real. Nos animamos bem na hora. Conheço retrofoguetes desde que cheguei aqui. Já tinha ouvido a ex-banda, o Dead Billies, rockabilly responsa, e sempre quis ver os doidos ao vivo. Peguei só o finzinho do show que eles fizeram de graça no carnaval de 2007, e achei animaaal.

Nos planejamos e fomos. Domingueira massa, solzão típico da cidade, busão passando pela barra cheia de banhistas, um clima mto bom. No TCA chegamos a tempo, tomamos uma breja e entramos. O teatro tava lotado, só achamos lugar no fundão. Já tinha visto alguns shows lá. Em 2007, vi o show do Otto q foi ótimo. Achei meio assim assim ser la no teatro. Assistir show sentado, sem poder fumar e tomar uma breja, é osso. Mas para um domingo de manhã, acompanhado da minha esposa e de duas amigas morrendo de ressaca, foi, no mínimo, aconchegante.

O show começou e foi muito fudido. Mesclaram músicas do primeiro disco, “Ativar Retrofoguetes” com músicas do disco novo, o Cha Cha Chá (da pra ouvir faixas do album deles no myspace dos caras). O som deles é uma mistura de surf music, rockabilly e alguns sons mais, digamos, não-ortodoxos.. hahahaha… tocam musicas circenses, mambos, countrys, meio turcas, meio italianas, meio argentinas, etc., tudo no mais doido rock’n roll.

O show foi do caralho. Os caras tocam bastante, e chamaram uma galera responsa como convidados. Destaco a participação da Orquestra Rumpilezz, que fizeram participação em uma musica animaaal, que ao vivo ficou mto fudida. Chama-se Maldito Mambo, a música. Surf Music meio big band, meio mambo, com dois percursionistas moendo os instrumentos.

Bom, vale bem a pena ouvir os caras. Das bandas que ouvi daqui de Salvador, essa é a que eu mais recomendo. São bem respeitados por aqui e bem envolvidos com a cultura da cidade. Tocam sempre no carnaval e esse ano rolou até um trio com eles em cima. Perdi!

Cagaram no Porto!

31 Agosto , 2008

Meu, cagaram no Porto…

Há algum tempo venho lendo nos jornais a substituição do calçamento do Porto da Barra. Era de mozaico de pedras portuguesas há tempos, mas como elas estavam bem esburacadas, soltas, etc, resolveram trocar. A praia do Porto e as praias que seguem é bastante usada para passeios, corridas e caminhadas. Realmente não dava para ficar esburacada. Mas ao invés de concertar as pedras portuguesas, resolveram tirar tudo e colocar cimento escovado com detalhes em granito. Tiraram tudo. Esse ja foi um ponto que eu desacreditei: por que não concertam? por que tirar tudo e fazer tudo de novo?

Foi um fuzuê. Uma galera veio falando que o novo calçamento não ia “ornar” com a balaustrada centenária e nem com os monumentos históricos, como os fortes e o Farol da Barra. Disseram que as pedras portuguesas eram um tipo de “ligação” entre os monumentos e as construções e que, embora não estivessem tombadas pelo Patrimônio Histórico, tinham que ser preservadas. Até Caetano Veloso se manifestou a favor do calçamento lusitano.

A partir dessa rusga, a prefeitura resolveu fazer uma consulta popular pela Internet, para decidir se as pedras ficam ou saem. O resultado foi desfavorável para as pedrinhas e a favor do concreto. A prefeitura acabou por iniciar as obras e cimentar tudo. Houve até um corte (totalmente desnecessário) de amendoeiras centenárias, que não deixou a galera muito contente. Eu, até então, não tinha me posicionado sobre o assunto. Pedras portuguesas esburacadas é foda, mas cimento? Meu maior problema era: por que tirar tudo e fazer tudo de novo? tem dinheiro sobrando para tanto? e outra: Isso é realmente muito importante? consulta popular sobre pedra na praia, em uma cidade como Salvador, com mil e um problemas? convenhamos!

Hoje de tarde fui finalmente ao Porto da Barra, tomar uma breja com minha mulher, depois de três meses de aprisionamento em casa. Quando eu vi o novo calçamento, odiei… Realmente as pedras portuguesas faziam sentido naquele lugar. Cimento é cimento… dele já estamos cheio em uma grande cidade. Eu não entendo nada de estética histórica e etc, mas não é possível alguem olhar aquele cimento e falar que está mais bonito. Não está! Mais uma cagada na orla, que ja está pra lá de maltratada.

Meu peito é de sal de fruta fervendo num copo d’agua!

31 Agosto , 2008

Bom, vou tentar começar aqui (e nunca acabar, como em todas as minhas tentativas de posts temáticos) a escrever sobre os shows que eu consegui ver aqui em Salvador.

Eu já assisti alguns, e todos muito bons… antes de vir pra cá, morava em uma cidadezinha que não oferecia porcaria de show nenhum… (um dia teve Gilberto Gil, que eu não fui… Teve Cordel do Fogo Encantado, q eu fui e curti demais, mas foi só isso).

Cou começar com o show que eu vi ontem a noite: o show do Tom Zé, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves.

Primeiro eu acho que fui para esse show por resignação. Eu queria mesmo era ir para o show do João Gilberto, sexta que vem, mas por ingenuidade e falta de vontade de passar a noite numa fila para comprar ingressos – somada a canalhice das vendas de ingressos no TCA – fiquei três horas na fila e não consegui nem chegar perto de um ingresso… foi triste… estava me imaginando nesse show desde maio.

Daí, descobri que ia ter o show do Tom Zé, do disco Danç-eh-sá, disponível gratuitamente no site da Trama. Curto muito Tom Zé… Acho que ele é um gênio da música brasileira, supercriativo, mas ele é um doido!! A fase que eu curto muito dele é a de 68 a 76, e pensei que ele nunca mais ia tocar essas músicas novamente. Antes do show estava conversando sobre isso com minha mulher. A gente gosta de umas fases antigas de artistas que ainda estão na ativa. Gil de 68, 69. Jorge Ben de 63 a 76 etc. Achava que eles nunca mais iriam tocar essas músicas em um show, pois eles têm uma carreira muito extensa, e essas fases nem são as mais importantes da carreira deles (são para mim!). Até falei que o Gil devia voltar com uma turnê de 68/69, fase rock’n roll psicodélico… (Gil, se tiver de bobeira lendo esse blog, pense nisso irmão.. hahahahaha)

Mas então, por isso nem fiquei empolgado, em um primeiro momento, de ir ver Tom Zé. Não conheço muito os novos discos dele, e achava q só ia dar música nova. Aí, lendo jornal ontem, descobri que o ingresso era um quilo de alimento. Falei com minha mulher e resolvemos ir… era em um horário perfeito para show (18:00) e era sábado a noite, era a Concha Acústica e era, enfim, Tom Zé!

Eu gosto muito da Concha Acústica. É um lugar ao ar livre, relativamente pequeno, com uma arquibancada íngreme – mas que cabe muita gente -  e com um palco muito, muito baixo. Tem um lado todo legalize e outro mais família. Um dos melhores lugares que eu fui ver show. Da uma boa aproximação com o artista, e ele deve se sentir realmente bem ao estar quase no mesmo nível do público. O último show que o Tom Zé fez aqui em Salvador foi no começo do ano no Porto da Barra, numa homenagem à Tropicália, em um palco flutuante no mar que ficou muito longe do público. Ele disse em um jornal que demorava 15 minutos para ouvir os aplausos da platéia. Eu fui nesse show, mas tive que voltar antes dele tocar, pois estava de ônibus e o show começou muito tarde.

Então, chegamos na Concha, depois de descer a ladeira mais íngreme que eu já vi aqui em Salvador, compramos um latão de breja e esperamos. Ficamos vendo o público, bastante diversificado. Crianças de break light, senhoras de idade, velhos hippies, jovens descoladões, muitos cultizinhos etc. Quando decidimos entrar, lá estava o Tom Zé doido, de pé fora do palco, de cara com a platéia, com o microfone na mão e dando uma aula. O show fez parte de um evento produzido pela Coordenadoria de Ações Afirmativas, Educação e Diversidade da Universidade Federal da Bahia chamado Fórum Universidade, Juventude e Diversidade, e Tom Zé estava dando uma de palestrante. Falava de quando foi preso em Sampa pela ditadura. Ele era profissional do CPC aqui em Salvador, como diretor de música, mas quando pediram a ficha dele pros milicos da Bahia, estava limpa! Ficou abismado: “Como a ditadura queria melhorar o Brasil se nem minha ficha eles conseguiam? Eu era profissional do partido comunista, ganhava 30 cruzeiros por mês, e minha ficha saiu limpa? A Bahia nunca ajudou a ditadura”. E o interrogatório? Ele disse o seguinte: “No interrogatório me perguntaram: Você gosta da Hebe? Respondi: Gosto sim senhor! Depois perguntaram: E do Silvio Santos, você gosta? Gosto sim”. Que raios de interrogatório é esse?

Depois da palestra, o show começou com a banda de abertura: Ronei Jorge & Os Ladrões de Bicicletas. Banda decentíssima, faz uma rockeira com um pézão no samba. Já tinha ouvido eles no carnaval, em um show que eles fizeram no Rio Vermelho, mas ja estava muito doido, mal lembrava. Mas eles abriram o show com o Tom Zé no palco, e mandaram juntos a “Tô”, do “Estudando o Samba” de 1976…  Foi demais.

Algum tempo depois, o show principal. A Concha estava lotada. Não esperava tanta gente. Tom Zé entrou, com a cara pintada, aquelas roupas escalafobéticas e uma energia invejável. O cara é um passa mal no palco… pula, cai, grita, fala com os moradores vizinhos da Concha Acústica e comanda a platéia (e a banda). A banda, por sua vez, está sempre na corda bamba. Tem que ser ligeira, ficar ligada, pois o cara é imprevisível. Conversa com a platéia e depois vira e fala “toca aquela! Vai, Vai!”, e tem que tocar. Mas eles sabem segurar a bronca bem, já acompanham o cara há tempos.

Pensei que ele fosse fazer um show só do Danç-eh-sá. Já estava esperando as músicas sem palavra, embora eu soubesse que era impossível o Tom Zé fazer um show sem falar muito. Mas logo no começo ele mandou 2001, que ele fez em parceiria com Rita Lee e que foi gravada pelos Mutantes e pelo Gilberto Gil em 1969. Pirei. Nunca tinha ouvido ele cantado essa música, que eu curto muito. Fora q o cara é enérgico, performático, segura o público e faz todo mundo cantar baixinho, para não acordar a vizinhança. Lá pelo meio do show, ele mandou um “heim”, do estudando o samba. Onomatopéica também. Aliás, falam muito desse ultimo disco dele, mas ele sempre pirou nessa parada de minimalizar a letra das músicas. O “Estudando o Samba” é mais ou menos assim… As musicas tem quase todas os nomes monosilábicos, e mesmo em “Tom Zé” de 1970 ele ja pirava demais em incompreensões das palavras. O último disco dele foi um absurdo de tudo isso.

Outra música inacreditável que ele tocou foi a “Bush”. É uma música de protesto contra a guerra do Iraque, que eu ouvi em uma passeata que eu fui na paulista em 2003, com ele tocando (segundo ele, pela primeira vez) apenas voz e violão. Odiei a música!! Ela foi repetida umas tres mil vezes na passeata. E eu nem seguí a passeata inteira… Mas foi um dia bem marcante para mim e para minha mulher, e essa música até que me tras boas lembranças.

Cantou músicas novas também, tanto do disco recente quanto dos precedentes. Destaque para duas, que eu não conhecia e que, com ele cantando no palco, foi demais: “Nascer”, que fala do trauma de vir para esse mundo, e “12 14″ que ele fala da prostituição infantil. Músicas boas, vou correr atrás para achar.

Mas o melhor ficou pro finalzinho. Na última música do bis ele mandou o “Jimmy, Renda-se”, do disco de 70 (que eu ja postei no blog em um top 5 nacional). Quase toda a vez que eu e minha mulher ficamos esperando o show começar, tomando uma breja do lado de fora da Concha, nós conversamos sobre as músicas que os artistas não iriam tocar, mas que seria demais se tocassem. A principal que veio na minha cabeça foi essa. Eu gosto muito de “Jimmy, Renda-se”. Além da piração total com a lingua britânica, num embromation pra lá de macarrônico, é uma puta sonzera. Baixão marcado, boa variação ritmica… um rockão decentíssimo pro começo da década de 70. Outra música listada, das “são boas mas nem ele deve tocar mais” foi a “Tô”, primeira tocada da noite. Quando ele disse q a última música seria a Jimmy, Renda-se, eu desacreditei. O arranjo é totalmente outro, bem mais sossegado, mas foda-se! Eu curti demais ele ter tocado.

Bom, o show foi muito bom. Não esperava nada. Fui meio  que no “é um quilo de alimento e é Tom Zé”. Iria me arrepender muito de não ter ido.

Galeria Mariló (e minha) – Porto da Barra.

14 Junho , 2008

Outro rolê que a gente deu por aqui em Salvador foi na praia do Porto da Barra. Praia calminha, foi considerada por uma revista gringa de turismo uma das 10 praias urbanas mais bonitas do mundo. Ela realmente é linda. É uma praia bem curta, de águas calmas é relativamente limpa. É uma praia usada por pescadores, e tem vários barquinhos ancorados, que são usados pelos banhistas para namorar ou para fumar um, se bem que da pra fazer isso na praia mesmo, que tem um lado (o direito) legalize. Legal de lá também é sua dimensão histórica. Foi lá que aportou Tomé de Souza, em 1549, para fundar Salvador como a primeira cidade do Brasil. Lá era terra dos Tupinambás, e foi um dos lugares onde ocorreu a história do Caramuru e da índia Catarina (que também ocorreu no bairo da Graça e na ilha de Itaparica). A praia fez parte também da Capitania Hereditária de Francisco Pereira Coutinho a partir de 1536 e até a chegada de Tomé de Souza. Aportaram lá também a Família Real Portuguesa, em 1808, na transferência da corte portuguesa para o Brasil. A primeira recepção oficial da corte aqui no Brasil foi no Solar do Unhão, do post anterior. O Porto da Barra foi o primeiro porto do Brasil, e fica entre duas edificações históricas: o Forte de São Diogo no lado legalize, erguido entre 1609 e 1613 e o Forte de Santa Maria, erguido em 1614. A praia também foi muito frequentada pelos baianos da tropicália, como Gil, Caetano e a galera dos Novos Baianos.

Vou postar umas fotos que eu fiz em novembro do ano passado e umas que a Má fez esse ano. A Marina é uma fotografa muito melhor do que eu. A diferença é q eu fui privilegiado por um dia claro de primavera e ela pegou o inverno nublado da Bahia (luz é tudo).

Forte de Santa Maria, tirada por mim em 2007

Outra do forte, tb tirada por mim

Igreja de Santo Antônio da Barra, tirada por mim.

Vista do Forte de São Diogo da cadeira de praia q eu estava sentado.

Praia do Porto, foto minha, sentado na cadeira da praia

Lado “legalize” da praia do Porto, foto minha.

Lado “familia” do porto em praia lotada, foto minha

Forte de Santa Maria em um dia nublado, tirada pela Marina esse ano.

Igreja de Santo Antonio da Barra, foto da Ma.

Praia do Porto, na vista da Ma sentada na cadeira de praia do Bruno.

Vou aproveitar que estou falando da barra e vou postar algumas fotos que tirei da praia do Farol da Barra em novembro de 2007, quando meu grande irmão Cleiton veio pra cá pela primeira vez, apresentar um trabalho (ele veio esse ano novamente, junto com a Marina e a Denise, namorada dele). Ele trouxe a máquina da Ma, na qual eu tirei essas fotos. As fotos só foram cair na minha mão agora, com a vinda da Ma pra cá (por isso não postei antes).

A praia do Farol também é linda. Maior do que a do Porto da Barra, fica praticamente ao lado. Ela tem varias pedras, e só da para entrar nela em maré baixa, quando se formam umas piscinas naturais de aguas quentes. A parte esquerda da praia tem algumas ondas, onde alguns caras praticam surf. Ela fica entre o Morro do Cristo (à esquerda) e o Farol da Barra (à direita), o primeiro farol marítimo construído no continente. Antes de ser um farol, la existia o Forte de Santo Antônio, construído a partir de 1596. O Farol foi construído em uma reedificação do forte em 1696.

Praia do Farol vista pelo Morro do Cristo (acho q essa foi a melhor foto que tirei na vida… pura cagada)

Área do surf da Praia do Farol, vista pelo Morro do Cristo.

Farol da Barra, onde funciona hoje o Museu Marítimo e é um dos mais conhecidos cartões postais de Salvador.

O farol, o céu e o mar.

Foto da Praia do Farol tirada da cadeira da praia tomando uma breja com minha mina, o Cleiton e o grande Araka, dois irmãos.

Galeria Mariló – Solar do Unhão

12 Junho , 2008

Nos últimos dias tivemos aqui em casa visitas de grandes amigos nossos, que vieram conhecer Salvador e tirar a gente do marasmo… Foi ótimo (valeu gente)! Dentre eles (vieram 3, na verdade), veio uma ótima amiga nossa, Marina, que além de ser uma ótima companhia, é uma ótima fotografa. Ela tirou muitas fotos de nossos rolês por aqui, e eu vou postar algumas em uma seqüencia de posts meio temáticos, divididos pelos rolês q a gente deu.

Solar do Unhão.

No primeiro dia da Ma aqui fomos para o Solar do Unhão, no último dia de exposição de um grupo de intervenção artística de um amigo meu que se chama GIA (o grupo, não meu amigo). O Solar é um conjunto arquitetônico do século XVII típico, composto de uma Casa Grande, Senzala e Capela. Lá funcionou, primeiramente, um engenho de cana de açúcar. Depois virou residência, fabrica de rapé, deposito de mercadorias, quartel militar, até ser tombado pelo Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional na década de 1940 e adquirido pelo Governo da Bahia. (fonte: Wikipedia). Hoje funciona, no Solar, o Museu de Arte Moderna da Bahia, além de um cinema do circuito Sala de Arte e um restaurante de comida Baiana. Nas tardes de sábado rola um Jazz. A exposição/instalação do GIA foi na capela do Solar.

Capela do Solar do Unhão

Comunidade que fica ao lado do Solar e abaixo da Av. do Contorno.

Avenida do Contorno vista por baixo

Navio cargueiro na Baia de Todos os Santos, indo para o porto

Por do sol nublado atrás da Ilha de Itaparica

Proibição da marcha e o retrocesso democrático.

7 Maio , 2008

Pois é, galera!

Como todos devem estar sabendo, nesse domingo, dia 04, não aconteceu a Marcha da Maconha em Salvador. O evento – que tinha a intenção de reabrir o debate no espaço público sobre os prós e contras da legalização das drogas na sociedade civil – foi proibido no dia 28/04 pelo promotor de justiça Paulo Gomes Júnior, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e de Investigações Criminais, do Ministério Público da Bahia. O argumento foi que a Marcha da Maconha em Salvador atua “induzindo, instigando ou auxiliando as pessoas a consumirem drogas de forma indevida”. Rolou o bom e velho argumento de “apologia às drogas”.

A Marcha náo foi só proibida aqui em Salvador. Liminares parecidas foram emitidas pelos Ministérios Públicos, proibindo a manifestação em Cuiabá, Curitiba, Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, João Pessoa, Rio de Janeiro e São Paulo. Das 13 cidades onde a malucada se organizou para discutir o tema, eles puderam realmente se manifestar em 4: Florianópolis, Porto Alegre, Recife e Vitória.

A Marcha é um evento global, realizada em 239 cidades ao redor do mundo, e só no Brasil viu-se esse esforço do poder público para proibi-la. Proibi-la repressivamente. Aqui em Salvador, oito pessoas foram detidas no Campo Grande nesse domingo, quando tentavam fazer um protesto pacífico sobre o tema. Segundo a polícia, a ordem era deter que possuísse drogas ou faixas/cartazes/panfletos/etc. Em Curitiba foram seis detidos, no Rio, cinco foram detidos por divulgar a marcha e um foi detido na manifestação. Em Fortaleza foram dezenove manifestantes presos.

Bom, gente, a ordem foi essa. O que se viu foi o receio de ampliar o debate sobre a legalização das drogas em nossa sociedade. A Marcha tinha a idéia de levar tal discussão para fora do nível institucional – sempre marcado por grandes desconhecimentos sobre o tema. A Marcha era legal, constitucional e responsável. A organização sempre se preocupou em não baixar a discussão para o nível do “nós vamos fumar mesmo” para não ser pegos por um argumento impensado de apologia às drogas. Era um risco pensado. E a ação manifestada do receio de tal ampliação do debate foi cara, muito cara para a recente democracia brasileira.

Ao proibir uma manifestação pacífica e constitucional, o estado democrático brasileiro perdeu uma grande oportunidade de realizar uma discussão ampla e decente sobre os danos da proibição do comércio legal de drogas no país. De quebra, se portou como um estado de excessão, ao negar a liberdade de reunião, de manifestação e de expressão, previstas na Constituição e que é um dos pilares que fazem do Brasil um Estado de Direito.

Daqui tiramos ao menos duas lições sobre a rastejante democracia do país e sobre a discussão pública de um tema complicadíssimo – porem, muito relevante – que é a discriminalização do uso de entorpecentes:

A primeira é que a proibição do uso de drogas no país vem acompanhada com a proibição de discutir sobre o assunto. Isso se relaciona com o teor da discussão que vem sendo feita até então: moralista e irracional. Não há pretensões a respeito de um debate aberto sobre o tema, democrático e pautado em argumentos sérios. Ao proibir uma manifestação que se prestava a isso, o poder público declarou não estar preparado para tal abertura sobre o tema. Os debates devem continuar no ranço moral onde podem ser controlados. A necessidade de tal debate é cada vez mais urgente, mas simplesmente não há abertura, não há espaço.

A outra lição é também importante: a recente democracia brasileira ainda não está suficientemente madura para que se assegure a liberdade de expressão. Há ainda uma mentalidade dominante no aparelho dito democrático que diz que certas discussões democraticamente ampliadas podem ser maléficas à sociedade. Não chegou ao entendimento de que, em uma democracia, não há discussões públicas que são maléficas. A liberdade de manifestação e de expressão dizem respeito a isso: toda discussão pública deve ser levada à exaustão, pois ela tem um importante papel para as decisões tomadas pelo governo. É imensamente relevante para uma democracia a exposição pública de idéias divergentes sobre um tema, e a partir da discussão e do esclarecimento dessas divergências – levada a cabo por um exaustivo processo de debate – que deve se pautar a tomada de decisão dos estados democráticos. Aqui, a Marcha da Maconha não vem reivindicar apenas a necessidade de descriminalizar o uso da cannabis, e sim a necessidade latente de pautar uma discussão clara e abrangente sobre o tema. Porém, fez-se necessário rebaixar qualquer manifestação desse tipo ao “incentivo ao uso de drogas” para legitimar a proibição de manifestação e de expressão. Não é a primeira vez que tal calaboca foi utilizado para coibir a liberdade de expressão relacionada a maconha, lembremos da prisão do Planet Hemp em 1997. A verdade é essa: não temos espaço, em nossa democracia fajuta, para uma discussão inteligente e massiva sobre a legalização das drogas. Esse espaço continua fechado, anos depois da abertura democrática do país. Por isso que a discussão sobre a descriminalização da maconha deve se pautar em uma defesa prévia: a da liberdade de expressão. Os coordenadores da marcha já sacaram isso: não da pra discutir legalização de drogas em um país institucionalmente fechado para o tema. Por isso tais coordenadores estão organizando, para o dia 10/05, no mesmo horário e local que ocorreria a Marcha da Maconha, uma outra marcha, agora pela liberdade de expressão.

Bom, aqui em Salvador não rolou Marcha, mas ainda está acontecendo, em toda essa semana, o fantástico II Seminário “Maconha na Roda”, na UFBA, com excelentes discussões a respeito do tema. Infelizmente não estou com tempo de participar, mas vou la ver uma mesa na sexta.

Rolê – Vitória até a Piedade

20 Abril , 2008

Falem doidos

To lotado de coisas pra fazer, mas resolvi começar a escrever esse post pra desenferrujar esse blog. Já não escrevo há dias, então vou continuar minha série de paletadas em Salvador. Esses devem ser os posts mais desinteressantes para o leitor desse blog, pois se trata de algo muito pessoal: minhas impressões sobre os lugares que ando. Pessoal demais, eu acho. Não tem nem fotos para ilustrar ou deixar menos descritivo… Mas vou escrever assim mesmo, pois o blog é meu!

La vai:

Corredor da Vitória – Avenida sete – Praça da Piedade.

Fiz esse rolê pela primeira vez aqui quando fui comprar um chip para o meu celular numa loja Insinuante (nomão pra loja, heim?) na frente da Praça da Piedade. Saí da Graça, como no rolê passado, mas em vez de virar à esquerda na Ladeira da Barra, virei à direita, no Corredor da Vitória. Ambas as duas são, na verdade, a mesma avenida: Avenida Sete de Setembro, mas, como já disse, ninguém as chama assim.

O Corredor da Vitória é lindo. Um lugar agradabilíssimo para andar e uma das avenidas mais bonitas que já vi aqui. É uma avenida não muito larga e muito arborizada. As árvores são enormes, e quase se encontram no topo, formando uma cobertura verde para a avenida. Tem arvores tão grandes (devem ser muito velhas) que o tronco de uma ocupa toda a calçada, de tão largo. Descobri (acabei de descobrir), por uma fonte nada confiável, que o corredor da Vitória, junto com a ladeira da Barra e, acredito eu, toda a Av. Sete de Setembro, foi a primeira estrada do Brasil, que ligava a antiga Vila Velha (hoje Porto da Barra) ao centro da cidade, hoje Centro Histórico… faz sentido para mim.

Foto do Corredor Vitória, tirada de http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=408318

Tem vários casarões antigos, mas cada vez em menos quantidade e cada vez mais abandonados. Antigamente devia ser muito mais bonito. Assisti um filme sobre os transsexuais de Salvador, num festival de cinema GLBTT, e uma falou que existia uma praia lá, chamada Shangri-la, antes da putaria dos prédios de luxo. Lá é assim mesmo, a especulação imobiliária é cruel. Deve ser o metro quadrado mais caro de Salvador. É uma avenida que faz margem com o começo da Bahia de Todos os Santos, mas só se vê o mar quando os vãos dos prédios permitem, e são vários, todos brilhando de novos, todos a beira mar e todos com piers para barcos e teleféricos… um lixo. Comprei um dia um scanner usado de uma mulher que morava em um desses prédios gigantes. Não passei da parte de fora do hall de entrada e fiquei o tempo todo pensando: porque uma pessoa que mora aqui quer vender um scanner por 50 contos??? Pensei que essas pessoas jogassem essas coisas no lixo. No lixo comum, pois as pessoas de lá não dividem o lixo. Sempre passávamos lá em dia de lixo e sempre tinha catadores de lixo tendo que revirar os sacos para procurar recicláveis. Em dias de lixo a rua fica insuportavelmente fedorenta.

Corredor da Vitória visto pela Bahia de Todos os Santos. Tirada de http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=408318

Lá no corredor tem uma moradia universitária, a beira mar e ilhada em meio aos prédios de luxo. Aqui, as moradias universitárias são todas (não sei se são todas, mas vi algumas) em casarões bem antigos. Achei demais, antes de saber que elas estavam caindo aos pedaços. Na Vitória tem um museu (tem uns 3, na verdade), que também fica em um casarão antigo lindo, mas eu nunca fui. Como nas igrejas, nunca fui em nenhum museu aqui em Salvador, e são vários. Mas diferente das igrejas, tenho muita vontade de ir. Eu curto museus, não sei porque não fui. Acho que penso: “vou ficar um bom tempo aqui, vai sobrar oportunidades de visitá-los” e nunca vou.

No corredor Vitória fica o museu geológico da Bahia, que só fui visitar porque tem um cinema da Sala de Arte (assisti Persépolis lá… o melhor filme que assisti nos últimos tempos). Fica também em um casarão antigo, e tem um dos quintais mais legais que eu ja vi (fotos, fotos, preciso de fotos… façam uma vaquinha, comprem uma câmera digital para mim e eu encho esse blog de fotos). No corredor está o Instituto Goethe de Salvador, que  fica em um casarão antigo e muito legal. Fui um dia numa tal Feira Hype lá (pelo nome da pra saber o que é, não? musica eletrônica, brechós, roupas modernetes e um monte de indies), quando estava tendo um evento relacionado ao Seminário da Maconha. Uma casa também muito bonita e um quintal cabulosíssimo.

O corredor da Vitória acaba no começo da praça do Campo Grande. Como disse em um post anterior, era o coração do carnaval e a praça mais bonita que eu já vi. Bem grande, arborizada, com sarjetas de mármore (da para acreditar?) e um piso que deve ser o paraíso dos skatistas. Nessa praça tem um monumento gigante feito em homenagem ao caboclo, simbolo da resistência da independência da Bahia, em 2 de julho de 1823. Quando chegamos aqui, logo reparei nessa data, 2 de julho, pois é o nome de um largo, de pelo menos uma praça e de várias ruas. Pensava: que raios aconteceu em 2 de julho? Pouco tempo depois, descobri. O Brasil teve sua independência oficial declarada em 1822, mas aqui em Salvador, as tropas portuguesas só foram completamente expulsas em 1823. Melhor dar uma lida sobre o assunto no Wikipedia.

Praça do Campo Grande. Tirada de www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=305077

Ao fim da praça está o Teatro Castro Alves (TCA), o maior de Salvador e um dos mais importantes do Brasil. De arquitetura modernista, ele é um dos mais importantes centros culturais daqui.

Passando o TCA, começa o centro. Ainda não é o centrão, mas ja se vê vários comércios de materiais de construção. É a rua do Forte São Pedro. Horrível de se andar. Sempre lotado, com calçadas estreitas e com muitas barraquinhas de temperos, de frutas e de peixe. Depois do horário do comércio, a calçada e a rua ficam lotadas de cadeiras, pois o começo da rua é cheio de botequinhos. Tomamos, eu e minha namorada, uma breja lá um dia, quando o Bar Quintal (um dia eu falo dele, é ali pertinho) estava fechado. Depois dos bares, defronte às lojas de material de construção, está o Forte de São Pedro, que teve sua primeira construção iniciada em 1627. Esse forte tem história também no 2 de julho, pois foi disputado pelas tropas brasileiras e portuguesas na ocasião. Hoje funciona uma parada do exército, alguma coisa relacionada a abastecimento cujo emblema é a formiga atômica (!?!).

Passando a Rua do Forte, na Av. Sete de Setembro (agora sim, a própria, nomeada e chamada como tal) começa o centrão. Quem vem da Vitória, passa pela praça e chega alí, nota bem a diferença. Têm várias casas antigas, mas completamente descontextualizadas. A parafernália do comércio é tanta que só da para percebê-las quando se passa de ônibus. Fora que se você olhar para cima (só a parte de cima dos sobradinhos parecem antigas, as partes de baixo são só comércio mesmo) tromba em alguém. A avenida sete é um dos circuitos do carnaval de Salvador, que vai do começo dela, na praça Castro Alves até o Campo Grande, voltando pela rua Carlos Gomes (ou o contrário, não sei). Antigamente, a avenida sete era o centro econômico da cidade. Hoje é centro centro mesmo: lojas, lojinhas, tecidos, roupas, calçados, enxovais, 1,99, bancos, insinuantes, aproveitadoras, ricardo eletros, muitos camelôs, consumidores, sem arvores, com calçadas estreitas, avenida movimentada etc. Não consigo lembrar de muita coisa interessante lá até chegar na praça da Piedade.

A praça da Piedade é também bonita. Bem cuidada, é – como o Campo Grande – refugio dos aposentados. Eles ficam lá, sentados e olhando o movimento (e que movimento). Um dia passamos por lá em um domingo a noite e é sinistro. Todas as pessoas que conversamos aquele dia para pedir informação sobre o local onde iriamos (nos Barris, numa sala de cinema, onde assistimos, naquele dia, um festival de animação e onde assistimos o filme dos travestís que citei aqui… um dia eu falo de lá tb), nos falaram para passar longe dessa praça. De dia ela é insuspeita, e como várias praças do centro, é realmente usada pela população.

Bom, é isso. No próximo post eu continuo esse rolê até o pelorinho e depois até a cidade baixa.

Outra coisa: comparando esse post com o anterior, percebi algo que me aterrorizou: como eu escrevo melhor sobre coisas fúteis do que sobre coisas sérias… que horror!

Post comemorativo!

26 Março , 2008

Hoje, dia 26/03, faz um ano que eu e minha namorada estamos morando em Salvador. Viemos de mala e cuia pra cá, prontos para a mais louca aventura de nossas vidas. Antes disso, nosso maior feito foi ter voltado de carona (dessas de dedão, na pista e no posto), em um dia e meio, de Floripa para o interior de sampa. Para comemorar célebre data (pra gente, é claro) vou tentar começar aqui um guia sobre o que a gente mais faz em Salvador, além de ficar em casa lesando: andar a pé, ou como se diz aqui, paletar. Foi andando a pé por aqui que (pouco) conhecemos um pedaço da cidade, além de termos contato com o lugar onde realmente acontecem as coisas da vida cotidiana: a rua, espaço público por excelência. Esse guia é restritíssimo e não cobre nem nada da cidade. É um pequeníssimo relato psico-geográfico nosso. Nem sei se vai ser interessante para alguém, mas o dia é nosso, não de vcs (hehehe). Vou tomar cuidado de suprimir alguns lugares de origem, pois não é de interesse meu que as pessoas fiquem sabendo onde eu moro.

Esse é, portanto, o primeiro de uma série de roteiros psicogeográficos que eu acho relevante escrever sobre. Vou tentar falar de todos (nem são tantos), em posts diferentes. No nome do percurso está um link para o google map, com o caminho destacado. Leia e olhe o mapa, pra fazer mais sentido.

La vai:

Euclydes da Cunha – Rua da Graça – Ladeira da Barra.

Primeira pernada nossa em Salvador, logo que chegamos. Ficamos hospedados dois dias na casa de um parente de minha namorada, que mora na Graça. Quando chegamos, almoçamos e fomos dar um rolê para procurar casa pra morar. A Graça é um bairro de classe média-alta, onde não tem nenhum buteco. É cheio de idosos e, conseqüentemente, de farmácias. Mas é um lugar agradável de se andar. A Rua da Graça é bem arborizada, com calçadas largas e poucas casas antigas. Não fazíamos idéia do que era tudo aquilo, nem de onde estávamos, nem se era perto ou longe do mar. Fomos andando. Chegamos ao final da rua da Graça, e resolvemos virar à esquerda, onde logo vimos uma imobiliária (depois descobrimos q imobiliária, aqui, é furada). Nada de barato lá. Saímos e resolvemos descer essa rua. Era a Ladeira da Barra, que na verdade é a continuação da Av. Sete de Setembro (uma avenida gigantesca que vai do começo do centro até o Farol da Barra), mas ninguém aqui a chama assim. Passamos por uma Aliança Francesa, q fica em uma casa antiga gigantesca, por um instituto Miguel de Cervantes, que fica em um pequeno prédio futurista espelhado e estranhamos um prédio residencial chamado “Andy Warhol”, que tentava ter uma arquitetura modernosa, mas é feio pra caramba. A Aliança Francesa daquí tem um teatro e uma sala de cinema, do circuito “Sala de Arte”. As salas desse circuito (além da Aliança, ele está presente em alguns museus espalhados pela cidade, todos em lugares muito legais, em geral em casarões antigos, depois escrevo de outros), eram os cinemas que mais frenquentávamos (ainda é, só q menos). Além de passarem filmes decentes, eram os mais baratos de Salvador. Tem um clima meio elitista, mas como era barato, não ligávamos. Agora está caro. Caro pra caralho. Agora é todo elitista.

Enquanto descíamos a ladeira, tentávamos ligar pros telefones que eu tinha listado a partir de um site de classificados antes de virmos pra cá. A ladeira, como várias ruas daqui, é cheia de curvas. Isso é legal pra quem está andando pela primeira vez nela, pois a gente se surpreende com o que a não podemos ver de longe. Foi isso que aconteceu. Descendo a rua, depois de uma curva, pronto: o mar! Sou fascinado pelo mar. Todo lugar novo que eu ando eu tento vê-lo. Já consegui ver o mar de lugares que pensava estar muito longe dele. Em Salvador tem mar pra tudo q é lado, e eu fico sempre meio bobo quando eu vejo, mesmo q por uma frestinha e por uma fração de segundos. E eu que estava acostumado com o mar poluído de São Paulo, quando vi esse aqui, azul e verde, fiquei chapado. E não era uma frestinha não. A ladeira margeia a parte de cima de um barranco, e lá em baixo está o começo da Bahia de Todos os Santos. A rua fica a uns bons metros acima do nível do mar. Entre o barranco e o mar tem o Yatch Club, mas eu nem vi a porra do Yatch Club. Vi o mar. E Itaparica, que fica depois. Era um dos lugares mais bonitos que eu já vi, e eu mal sabia que, depois de dois dias, eu ia morar poucos metros dali (moramos lá cinco meses), e toda vez q sairia pra rua teria essa visão.

Continuamos a descer e a telefonar. Logo após a entrada do Yatch Club tem um pequeno cemitério, também a beira do barranco e com vista pro mar: O Cemitério dos Ingleses. Nunca entrei lá, embora morasse do lado e tivesse (ainda tenho) muita vontade de ver e de tirar uma foto (um dia tiro e posto aqui). Depois do cemitério, na descida da Ladeira, tem a Igreja de Santo Antônio da Barra. Segunda igreja que a gente viu nesse percurso. A primeira fica no fim da Rua da Graça, no largo da Vitória. Nunca fui muito de igreja. Aqui tem trossentas igrejas e eu nunca entrei em nenhuma. Sei o que estou perdendo, mas nunca fiz mta questão. Essa igreja – Santo Antonio da Barra – é linda. Não ela, mas o lugar onde ela fica. A entrada dela é uma subida de paralelepípedo, e ela fica em um nível acima da ladeira (a ladeira desce e a entrada sobe), e também a beira mar. Tirarei fotos dela também, e da vista la de cima.

A ladeira termina na Praia do Porto da Barra, primeira praia q vimos aqui. O Porto da Barra foi a praia que eu mais fui, pois morava muito perto dela. Praia pequena e estreita, cheia de gringos e de desigualdades, fica entre o fundo da igreja e um forte antigo. Tem águas bem calmas e vários barquinhos de pescadores ancorados, q sempre são socializados. Tem dias que é legalize, quando está menos cheia. Naquele dia nem fomos pra praia. Paramos, olhamos e voltamos.

Talvez outro dia eu escrevo nossas desilusões com a Barra. De como uma estrutura tosca de turismo, aliada a uma classe média alheia, traz consigo uma série de desigualdades que não estávamos (e não estamos) afim de ignorar, como fazem os turistas e as pessoas que lá moram… Mas isso é outro papo.

 

  •  

    Novembro 2009
    S T Q Q S S D
    « Set    
     1
    2345678
    9101112131415
    16171819202122
    23242526272829
    30  
  • Estatísticas

  • As variedades

    1 Compartilhamento Cultura Filmes Gnu/Linux Música Nada Psicotrópicos Rolês Salvador
  • Páginas

  • Principais mensagens

  • Tópicos recentes

  • Arquivos

  • web stats