Arquivo da categoria ‘Rolês’

Galeria Mariló (e minha) – Porto da Barra.

14 Junho , 2008

Outro rolê que a gente deu por aqui em Salvador foi na praia do Porto da Barra. Praia calminha, foi considerada por uma revista gringa de turismo uma das 10 praias urbanas mais bonitas do mundo. Ela realmente é linda. É uma praia bem curta, de águas calmas é relativamente limpa. É uma praia usada por pescadores, e tem vários barquinhos ancorados, que são usados pelos banhistas para namorar ou para fumar um, se bem que da pra fazer isso na praia mesmo, que tem um lado (o direito) legalize. Legal de lá também é sua dimensão histórica. Foi lá que aportou Tomé de Souza, em 1549, para fundar Salvador como a primeira cidade do Brasil. Lá era terra dos Tupinambás, e foi um dos lugares onde ocorreu a história do Caramuru e da índia Catarina (que também ocorreu no bairo da Graça e na ilha de Itaparica). A praia fez parte também da Capitania Hereditária de Francisco Pereira Coutinho a partir de 1536 e até a chegada de Tomé de Souza. Aportaram lá também a Família Real Portuguesa, em 1808, na transferência da corte portuguesa para o Brasil. A primeira recepção oficial da corte aqui no Brasil foi no Solar do Unhão, do post anterior. O Porto da Barra foi o primeiro porto do Brasil, e fica entre duas edificações históricas: o Forte de São Diogo no lado legalize, erguido entre 1609 e 1613 e o Forte de Santa Maria, erguido em 1614. A praia também foi muito frequentada pelos baianos da tropicália, como Gil, Caetano e a galera dos Novos Baianos.

Vou postar umas fotos que eu fiz em novembro do ano passado e umas que a Má fez esse ano. A Marina é uma fotografa muito melhor do que eu. A diferença é q eu fui privilegiado por um dia claro de primavera e ela pegou o inverno nublado da Bahia (luz é tudo).

Forte de Santa Maria, tirada por mim em 2007

Outra do forte, tb tirada por mim

Igreja de Santo Antônio da Barra, tirada por mim.

Vista do Forte de São Diogo da cadeira de praia q eu estava sentado.

Praia do Porto, foto minha, sentado na cadeira da praia

Lado “legalize” da praia do Porto, foto minha.

Lado “familia” do porto em praia lotada, foto minha

Forte de Santa Maria em um dia nublado, tirada pela Marina esse ano.

Igreja de Santo Antonio da Barra, foto da Ma.

Praia do Porto, na vista da Ma sentada na cadeira de praia do Bruno.

Vou aproveitar que estou falando da barra e vou postar algumas fotos que tirei da praia do Farol da Barra em novembro de 2007, quando meu grande irmão Cleiton veio pra cá pela primeira vez, apresentar um trabalho (ele veio esse ano novamente, junto com a Marina e a Denise, namorada dele). Ele trouxe a máquina da Ma, na qual eu tirei essas fotos. As fotos só foram cair na minha mão agora, com a vinda da Ma pra cá (por isso não postei antes).

A praia do Farol também é linda. Maior do que a do Porto da Barra, fica praticamente ao lado. Ela tem varias pedras, e só da para entrar nela em maré baixa, quando se formam umas piscinas naturais de aguas quentes. A parte esquerda da praia tem algumas ondas, onde alguns caras praticam surf. Ela fica entre o Morro do Cristo (à esquerda) e o Farol da Barra (à direita), o primeiro farol marítimo construído no continente. Antes de ser um farol, la existia o Forte de Santo Antônio, construído a partir de 1596. O Farol foi construído em uma reedificação do forte em 1696.

Praia do Farol vista pelo Morro do Cristo (acho q essa foi a melhor foto que tirei na vida… pura cagada)

Área do surf da Praia do Farol, vista pelo Morro do Cristo.

Farol da Barra, onde funciona hoje o Museu Marítimo e é um dos mais conhecidos cartões postais de Salvador.

O farol, o céu e o mar.

Foto da Praia do Farol tirada da cadeira da praia tomando uma breja com minha mina, o Cleiton e o grande Araka, dois irmãos.

Galeria Mariló – Solar do Unhão

12 Junho , 2008

Nos últimos dias tivemos aqui em casa visitas de grandes amigos nossos, que vieram conhecer Salvador e tirar a gente do marasmo… Foi ótimo (valeu gente)! Dentre eles (vieram 3, na verdade), veio uma ótima amiga nossa, Marina, que além de ser uma ótima companhia, é uma ótima fotografa. Ela tirou muitas fotos de nossos rolês por aqui, e eu vou postar algumas em uma seqüencia de posts meio temáticos, divididos pelos rolês q a gente deu.

Solar do Unhão.

No primeiro dia da Ma aqui fomos para o Solar do Unhão, no último dia de exposição de um grupo de intervenção artística de um amigo meu que se chama GIA (o grupo, não meu amigo). O Solar é um conjunto arquitetônico do século XVII típico, composto de uma Casa Grande, Senzala e Capela. Lá funcionou, primeiramente, um engenho de cana de açúcar. Depois virou residência, fabrica de rapé, deposito de mercadorias, quartel militar, até ser tombado pelo Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional na década de 1940 e adquirido pelo Governo da Bahia. (fonte: Wikipedia). Hoje funciona, no Solar, o Museu de Arte Moderna da Bahia, além de um cinema do circuito Sala de Arte e um restaurante de comida Baiana. Nas tardes de sábado rola um Jazz. A exposição/instalação do GIA foi na capela do Solar.

Capela do Solar do Unhão

Comunidade que fica ao lado do Solar e abaixo da Av. do Contorno.

Avenida do Contorno vista por baixo

Navio cargueiro na Baia de Todos os Santos, indo para o porto

Por do sol nublado atrás da Ilha de Itaparica

Rolê – Vitória até a Piedade

20 Abril , 2008

Falem doidos

To lotado de coisas pra fazer, mas resolvi começar a escrever esse post pra desenferrujar esse blog. Já não escrevo há dias, então vou continuar minha série de paletadas em Salvador. Esses devem ser os posts mais desinteressantes para o leitor desse blog, pois se trata de algo muito pessoal: minhas impressões sobre os lugares que ando. Pessoal demais, eu acho. Não tem nem fotos para ilustrar ou deixar menos descritivo… Mas vou escrever assim mesmo, pois o blog é meu!

La vai:

Corredor da Vitória – Avenida sete – Praça da Piedade.

Fiz esse rolê pela primeira vez aqui quando fui comprar um chip para o meu celular numa loja Insinuante (nomão pra loja, heim?) na frente da Praça da Piedade. Saí da Graça, como no rolê passado, mas em vez de virar à esquerda na Ladeira da Barra, virei à direita, no Corredor da Vitória. Ambas as duas são, na verdade, a mesma avenida: Avenida Sete de Setembro, mas, como já disse, ninguém as chama assim.

O Corredor da Vitória é lindo. Um lugar agradabilíssimo para andar e uma das avenidas mais bonitas que já vi aqui. É uma avenida não muito larga e muito arborizada. As árvores são enormes, e quase se encontram no topo, formando uma cobertura verde para a avenida. Tem arvores tão grandes (devem ser muito velhas) que o tronco de uma ocupa toda a calçada, de tão largo. Descobri (acabei de descobrir), por uma fonte nada confiável, que o corredor da Vitória, junto com a ladeira da Barra e, acredito eu, toda a Av. Sete de Setembro, foi a primeira estrada do Brasil, que ligava a antiga Vila Velha (hoje Porto da Barra) ao centro da cidade, hoje Centro Histórico… faz sentido para mim.

Foto do Corredor Vitória, tirada de http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=408318

Tem vários casarões antigos, mas cada vez em menos quantidade e cada vez mais abandonados. Antigamente devia ser muito mais bonito. Assisti um filme sobre os transsexuais de Salvador, num festival de cinema GLBTT, e uma falou que existia uma praia lá, chamada Shangri-la, antes da putaria dos prédios de luxo. Lá é assim mesmo, a especulação imobiliária é cruel. Deve ser o metro quadrado mais caro de Salvador. É uma avenida que faz margem com o começo da Bahia de Todos os Santos, mas só se vê o mar quando os vãos dos prédios permitem, e são vários, todos brilhando de novos, todos a beira mar e todos com piers para barcos e teleféricos… um lixo. Comprei um dia um scanner usado de uma mulher que morava em um desses prédios gigantes. Não passei da parte de fora do hall de entrada e fiquei o tempo todo pensando: porque uma pessoa que mora aqui quer vender um scanner por 50 contos??? Pensei que essas pessoas jogassem essas coisas no lixo. No lixo comum, pois as pessoas de lá não dividem o lixo. Sempre passávamos lá em dia de lixo e sempre tinha catadores de lixo tendo que revirar os sacos para procurar recicláveis. Em dias de lixo a rua fica insuportavelmente fedorenta.

Corredor da Vitória visto pela Bahia de Todos os Santos. Tirada de http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=408318

Lá no corredor tem uma moradia universitária, a beira mar e ilhada em meio aos prédios de luxo. Aqui, as moradias universitárias são todas (não sei se são todas, mas vi algumas) em casarões bem antigos. Achei demais, antes de saber que elas estavam caindo aos pedaços. Na Vitória tem um museu (tem uns 3, na verdade), que também fica em um casarão antigo lindo, mas eu nunca fui. Como nas igrejas, nunca fui em nenhum museu aqui em Salvador, e são vários. Mas diferente das igrejas, tenho muita vontade de ir. Eu curto museus, não sei porque não fui. Acho que penso: “vou ficar um bom tempo aqui, vai sobrar oportunidades de visitá-los” e nunca vou.

No corredor Vitória fica o museu geológico da Bahia, que só fui visitar porque tem um cinema da Sala de Arte (assisti Persépolis lá… o melhor filme que assisti nos últimos tempos). Fica também em um casarão antigo, e tem um dos quintais mais legais que eu ja vi (fotos, fotos, preciso de fotos… façam uma vaquinha, comprem uma câmera digital para mim e eu encho esse blog de fotos). No corredor está o Instituto Goethe de Salvador, que  fica em um casarão antigo e muito legal. Fui um dia numa tal Feira Hype lá (pelo nome da pra saber o que é, não? musica eletrônica, brechós, roupas modernetes e um monte de indies), quando estava tendo um evento relacionado ao Seminário da Maconha. Uma casa também muito bonita e um quintal cabulosíssimo.

O corredor da Vitória acaba no começo da praça do Campo Grande. Como disse em um post anterior, era o coração do carnaval e a praça mais bonita que eu já vi. Bem grande, arborizada, com sarjetas de mármore (da para acreditar?) e um piso que deve ser o paraíso dos skatistas. Nessa praça tem um monumento gigante feito em homenagem ao caboclo, simbolo da resistência da independência da Bahia, em 2 de julho de 1823. Quando chegamos aqui, logo reparei nessa data, 2 de julho, pois é o nome de um largo, de pelo menos uma praça e de várias ruas. Pensava: que raios aconteceu em 2 de julho? Pouco tempo depois, descobri. O Brasil teve sua independência oficial declarada em 1822, mas aqui em Salvador, as tropas portuguesas só foram completamente expulsas em 1823. Melhor dar uma lida sobre o assunto no Wikipedia.

Praça do Campo Grande. Tirada de www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=305077

Ao fim da praça está o Teatro Castro Alves (TCA), o maior de Salvador e um dos mais importantes do Brasil. De arquitetura modernista, ele é um dos mais importantes centros culturais daqui.

Passando o TCA, começa o centro. Ainda não é o centrão, mas ja se vê vários comércios de materiais de construção. É a rua do Forte São Pedro. Horrível de se andar. Sempre lotado, com calçadas estreitas e com muitas barraquinhas de temperos, de frutas e de peixe. Depois do horário do comércio, a calçada e a rua ficam lotadas de cadeiras, pois o começo da rua é cheio de botequinhos. Tomamos, eu e minha namorada, uma breja lá um dia, quando o Bar Quintal (um dia eu falo dele, é ali pertinho) estava fechado. Depois dos bares, defronte às lojas de material de construção, está o Forte de São Pedro, que teve sua primeira construção iniciada em 1627. Esse forte tem história também no 2 de julho, pois foi disputado pelas tropas brasileiras e portuguesas na ocasião. Hoje funciona uma parada do exército, alguma coisa relacionada a abastecimento cujo emblema é a formiga atômica (!?!).

Passando a Rua do Forte, na Av. Sete de Setembro (agora sim, a própria, nomeada e chamada como tal) começa o centrão. Quem vem da Vitória, passa pela praça e chega alí, nota bem a diferença. Têm várias casas antigas, mas completamente descontextualizadas. A parafernália do comércio é tanta que só da para percebê-las quando se passa de ônibus. Fora que se você olhar para cima (só a parte de cima dos sobradinhos parecem antigas, as partes de baixo são só comércio mesmo) tromba em alguém. A avenida sete é um dos circuitos do carnaval de Salvador, que vai do começo dela, na praça Castro Alves até o Campo Grande, voltando pela rua Carlos Gomes (ou o contrário, não sei). Antigamente, a avenida sete era o centro econômico da cidade. Hoje é centro centro mesmo: lojas, lojinhas, tecidos, roupas, calçados, enxovais, 1,99, bancos, insinuantes, aproveitadoras, ricardo eletros, muitos camelôs, consumidores, sem arvores, com calçadas estreitas, avenida movimentada etc. Não consigo lembrar de muita coisa interessante lá até chegar na praça da Piedade.

A praça da Piedade é também bonita. Bem cuidada, é – como o Campo Grande – refugio dos aposentados. Eles ficam lá, sentados e olhando o movimento (e que movimento). Um dia passamos por lá em um domingo a noite e é sinistro. Todas as pessoas que conversamos aquele dia para pedir informação sobre o local onde iriamos (nos Barris, numa sala de cinema, onde assistimos, naquele dia, um festival de animação e onde assistimos o filme dos travestís que citei aqui… um dia eu falo de lá tb), nos falaram para passar longe dessa praça. De dia ela é insuspeita, e como várias praças do centro, é realmente usada pela população.

Bom, é isso. No próximo post eu continuo esse rolê até o pelorinho e depois até a cidade baixa.

Outra coisa: comparando esse post com o anterior, percebi algo que me aterrorizou: como eu escrevo melhor sobre coisas fúteis do que sobre coisas sérias… que horror!

Post comemorativo!

26 Março , 2008

Hoje, dia 26/03, faz um ano que eu e minha namorada estamos morando em Salvador. Viemos de mala e cuia pra cá, prontos para a mais louca aventura de nossas vidas. Antes disso, nosso maior feito foi ter voltado de carona (dessas de dedão, na pista e no posto), em um dia e meio, de Floripa para o interior de sampa. Para comemorar célebre data (pra gente, é claro) vou tentar começar aqui um guia sobre o que a gente mais faz em Salvador, além de ficar em casa lesando: andar a pé, ou como se diz aqui, paletar. Foi andando a pé por aqui que (pouco) conhecemos um pedaço da cidade, além de termos contato com o lugar onde realmente acontecem as coisas da vida cotidiana: a rua, espaço público por excelência. Esse guia é restritíssimo e não cobre nem nada da cidade. É um pequeníssimo relato psico-geográfico nosso. Nem sei se vai ser interessante para alguém, mas o dia é nosso, não de vcs (hehehe). Vou tomar cuidado de suprimir alguns lugares de origem, pois não é de interesse meu que as pessoas fiquem sabendo onde eu moro.

Esse é, portanto, o primeiro de uma série de roteiros psicogeográficos que eu acho relevante escrever sobre. Vou tentar falar de todos (nem são tantos), em posts diferentes. No nome do percurso está um link para o google map, com o caminho destacado. Leia e olhe o mapa, pra fazer mais sentido.

La vai:

Euclydes da Cunha – Rua da Graça – Ladeira da Barra.

Primeira pernada nossa em Salvador, logo que chegamos. Ficamos hospedados dois dias na casa de um parente de minha namorada, que mora na Graça. Quando chegamos, almoçamos e fomos dar um rolê para procurar casa pra morar. A Graça é um bairro de classe média-alta, onde não tem nenhum buteco. É cheio de idosos e, conseqüentemente, de farmácias. Mas é um lugar agradável de se andar. A Rua da Graça é bem arborizada, com calçadas largas e poucas casas antigas. Não fazíamos idéia do que era tudo aquilo, nem de onde estávamos, nem se era perto ou longe do mar. Fomos andando. Chegamos ao final da rua da Graça, e resolvemos virar à esquerda, onde logo vimos uma imobiliária (depois descobrimos q imobiliária, aqui, é furada). Nada de barato lá. Saímos e resolvemos descer essa rua. Era a Ladeira da Barra, que na verdade é a continuação da Av. Sete de Setembro (uma avenida gigantesca que vai do começo do centro até o Farol da Barra), mas ninguém aqui a chama assim. Passamos por uma Aliança Francesa, q fica em uma casa antiga gigantesca, por um instituto Miguel de Cervantes, que fica em um pequeno prédio futurista espelhado e estranhamos um prédio residencial chamado “Andy Warhol”, que tentava ter uma arquitetura modernosa, mas é feio pra caramba. A Aliança Francesa daquí tem um teatro e uma sala de cinema, do circuito “Sala de Arte”. As salas desse circuito (além da Aliança, ele está presente em alguns museus espalhados pela cidade, todos em lugares muito legais, em geral em casarões antigos, depois escrevo de outros), eram os cinemas que mais frenquentávamos (ainda é, só q menos). Além de passarem filmes decentes, eram os mais baratos de Salvador. Tem um clima meio elitista, mas como era barato, não ligávamos. Agora está caro. Caro pra caralho. Agora é todo elitista.

Enquanto descíamos a ladeira, tentávamos ligar pros telefones que eu tinha listado a partir de um site de classificados antes de virmos pra cá. A ladeira, como várias ruas daqui, é cheia de curvas. Isso é legal pra quem está andando pela primeira vez nela, pois a gente se surpreende com o que a não podemos ver de longe. Foi isso que aconteceu. Descendo a rua, depois de uma curva, pronto: o mar! Sou fascinado pelo mar. Todo lugar novo que eu ando eu tento vê-lo. Já consegui ver o mar de lugares que pensava estar muito longe dele. Em Salvador tem mar pra tudo q é lado, e eu fico sempre meio bobo quando eu vejo, mesmo q por uma frestinha e por uma fração de segundos. E eu que estava acostumado com o mar poluído de São Paulo, quando vi esse aqui, azul e verde, fiquei chapado. E não era uma frestinha não. A ladeira margeia a parte de cima de um barranco, e lá em baixo está o começo da Bahia de Todos os Santos. A rua fica a uns bons metros acima do nível do mar. Entre o barranco e o mar tem o Yatch Club, mas eu nem vi a porra do Yatch Club. Vi o mar. E Itaparica, que fica depois. Era um dos lugares mais bonitos que eu já vi, e eu mal sabia que, depois de dois dias, eu ia morar poucos metros dali (moramos lá cinco meses), e toda vez q sairia pra rua teria essa visão.

Continuamos a descer e a telefonar. Logo após a entrada do Yatch Club tem um pequeno cemitério, também a beira do barranco e com vista pro mar: O Cemitério dos Ingleses. Nunca entrei lá, embora morasse do lado e tivesse (ainda tenho) muita vontade de ver e de tirar uma foto (um dia tiro e posto aqui). Depois do cemitério, na descida da Ladeira, tem a Igreja de Santo Antônio da Barra. Segunda igreja que a gente viu nesse percurso. A primeira fica no fim da Rua da Graça, no largo da Vitória. Nunca fui muito de igreja. Aqui tem trossentas igrejas e eu nunca entrei em nenhuma. Sei o que estou perdendo, mas nunca fiz mta questão. Essa igreja – Santo Antonio da Barra – é linda. Não ela, mas o lugar onde ela fica. A entrada dela é uma subida de paralelepípedo, e ela fica em um nível acima da ladeira (a ladeira desce e a entrada sobe), e também a beira mar. Tirarei fotos dela também, e da vista la de cima.

A ladeira termina na Praia do Porto da Barra, primeira praia q vimos aqui. O Porto da Barra foi a praia que eu mais fui, pois morava muito perto dela. Praia pequena e estreita, cheia de gringos e de desigualdades, fica entre o fundo da igreja e um forte antigo. Tem águas bem calmas e vários barquinhos de pescadores ancorados, q sempre são socializados. Tem dias que é legalize, quando está menos cheia. Naquele dia nem fomos pra praia. Paramos, olhamos e voltamos.

Talvez outro dia eu escrevo nossas desilusões com a Barra. De como uma estrutura tosca de turismo, aliada a uma classe média alheia, traz consigo uma série de desigualdades que não estávamos (e não estamos) afim de ignorar, como fazem os turistas e as pessoas que lá moram… Mas isso é outro papo.

 

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