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11 Julho , 2009

Galera do mal,

Como faz um tempinho que eu não escrevo nada por aqui, como eu não tenho feito tanta coisa assim para encher esse blogue (isso aí, a partir da leitura de um blogue de um amigo meu, vou começar a escrever blogue desse jeito) com coisas interessantes e como eu me comprometi a não deixar esse blogue mto tempo parado, com o perigo de criar mofo nesse clima úmido de Salvador, vou encher linguiça com um disco mto bom q tenho ouvido aqui ultimamente.

Eddie – Carnaval no Inferno.

eddieDownload

Fonte: http://pernambucobeat.com/

Definitivamente Recife/Olinda/Pernambuco como um todo é o maior celeiro musical brasileiro contemporâneo (isso na minha mais humilde opinião, é claro). Pra mim, foi de lá que saíram as maiores novidades da música e do rock brasileiro a partir dos anos 90, (ou as únicas). Algo que ainda foge à minha inteligibilidade aconteceu por lá na época mangue que fez criar um “movimento” com propostas contundentes sobre a produção musical e criativa. Foi de lá que vieram as idéias mais pra frente sobre a relação música regional/gringa e sobre música e tecnologia (vide manifesto manguebeat, letras de mundo livre ou nação zumbi e encarte de afrociberdelia). Por uma deliciosa contradição, o cosmopolitismo mais honesto da música brasileira veio do nordeste, de um estado conhecido só pelas praias, longe, muito longe do eixo institucionalizado e reconhecido por fazer a ponte Brasil-gringolândia (SP-RJ). Como na tropicália (que apontava a mesma contradição, em que a Bahia foi o polo-ponte entre o que se fez aqui e o que se fazia lá), as bandas mangue conseguiram mesclar a produção regional – que por sinal, é animal – com o que havia de mais interessante da produção da indústria cultural internacional. Ska com frevo, punk com maracatu, dub com samba, bossa e hardcore.

Bom, dentro desse cadinho encontra-se a banda Eddie. Atuante desde 1998 e parte integrante do que conhecemos como manguebeat, ela é o exemplo claro da antropofagia carangueija. Nesse disco há tudo isso. De hardcore ao samba, a banda consegue encontrar uma sintonia fina em qualquer fundição. Conheci Eddie por intermédio de um amigo que conheci aqui em Salvador. Havia um show deles aqui, esse meu camarada foi e falou mto pra eu ir, pq sabia q eu ia gostar bastante. Não fui. Baixei o disco deles (não esse, mas o Metropolitano), e me arrependi. Nunca vi um show deles. Rolou em Campinas mas não pude ir. Rolaram outros aqui e estava sem grana. Um dia eu vou.

Obs: entre o começo e o meio desse post, chapei o globo. Comecei a tomar umas brejas e fiquei meio bebado. Responsabilizo o alcool por qualquer eventualidade desse post, e assim tiro o meu da reta.

Folha Online – Informática – Anatel proíbe Telefônica de vender assinaturas do Speedy – 19/06/2009

20 Junho , 2009

Galera, parece que a Anatel já tinha sacado o problema da Telefonica e do Speedy discutido aqui no blog, vejam só (boa Anatel):

Tirado da Folha Online: http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u583818.shtml

19/06/2009 – 21h35

Anatel proíbe Telefônica de vender assinaturas do Speedy

MARCELA CAMPOS

colaboração para a Folha Online, em Brasília

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) vai proibir, a partir da semana que vem, a habilitação de novas assinaturas do serviço de banda larga Speedy. A medida, que tem caráter cautelar, será publicada no “Diário Oficial da União” na segunda-feira, 22.

A decisão deve durar até a prestadora comprovar para a Anatel que está tomando medidas para melhorar a qualidade do serviço e para coibir novas falhas. A expectativa da Anatel é de que isso seja feito em 30 dias. A empresa registrou seguidas panes nos primeiros meses deste ano.

Se descumprir a medida, a empresa pode ser punida com multa de R$ 15 milhões, além de R$ 1.000 por assinatura habilitada. Além disso, a Telefônica deverá publicar comunicado informando a situação aos consumidores.

A decisão teria sido tomada pelo conselho da agência em reunião na quarta-feira.

A Telefônica informou que “não teve conhecimento oficialmente” do caso, por isso não se manifestou.

Atualmente, a Telefônica tem cerca de 2,6 milhões de usuários do Speedy no Estado de São Paulo. No primeiro trimestre, foram cerca de 100 mil novas assinaturas, de acordo com a empresa de consultoria Teleco.

viaFolha Online – Informática – Anatel proíbe Telefônica de vender assinaturas do Speedy – 19/06/2009.

Vida longa ao p2p

18 Junho , 2009

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Esse mês fez 10 anos do surgimento da revolucionária tecnologia P2P. Em junho de 1999, um moleque de 18 anos chamado Shawn Fanning construiu sozinho um sistema de troca de arquivos na internet que facilitou (e muito) a aquisição gratuita de músicas e a distribuição por parte dos usuários da rede. Um ano antes, 1998, foi o ano em que eu, pela primeira vez, me conectei à internet aqui de casa. Nessa época, meses antes do surgimento e da descoberta do Napster, eu e meus amigos de colégio nos matávamos atrás de músicas gratuitas na rede. A possibilidade de aquisição de músicas gratuitamente era fantástica e coisa incrivelmente nova para a gente. Nada era fácil, antes do Napster. Comparado com o que é hoje, nem depois do Napster era fácil. A internet discada (e de péssima qualidade, atingia, no máximo 5kbps) fazia com que gastássemos horas para baixar uma música. Disco inteiro era impossível, e filme, impensável.

Antes do Napster, os mp3 eram difíceis de serem encontrados. A oferta era muito baixa, mas mesmo assim, nos satisfazíamos. Encontrávamos músicas em sites html ou em ftp, e os links rapidamente saiam do ar por infringirem o direito autoral. O que ajudava a procura eram as salas de bate papo, principalmente a plataforma IRC. A capacidade de armazenamento dos sites (sempre gratuitos) era muito baixa e os mp3 eram sempre de baixa qualidade.

Daí chegou o Napster, o primeiro programa P2P do mundo. Todos ficaram maravilhados pela capacidade de encontrar um número impensável de músicas gratuitamente. Morávamos no interior de sampa, e a limitação imposta pela distribuição física (e paga) de música fez com que essa nova descoberta fosse a maior maravilha do mundo para os adolescentes sedentos por coisa nova. Antes do mp3, éramos limitados. Aqui quase não existiam lojas especializadas de cds. Nossa capacidade de descobrir bandas novas se limitava ao rádio e a troca de fitas K7. Importar um disco, além de ser muito difícil, era muito caro. Nessa época, comecei a pirar no punk/hardcore, e a única coisa que consegui comprar foi um cd nacional do Dead Kennedys (muito bom, por sinal). A música tinha barreiras, impostas justamente pelo que o mp3 e o Napster veio destruir: a estreita relação entre a distribuição de música e o mercado fonográfico. Existia uma equação econômica que, no fim, decidia quem ia ouvir o que. Não era interessante comercialmente vender cds “não comerciais” no interior de São Paulo, e essa decisão mercadológica fez com que inúmeros adolescentes se limitassem em seus conhecimentos musicais. A música digital gratuita foi a libertação, e desde lá, nunca mais comprei um CD.

Aí veio o Mettalica, num primeiro momento. A banda ficou indignada que as músicas de um disco que nem tinha sido lançado estavam sendo disponibilizadas gratuitamente no programa P2P e resolveu processar Shawn Fanning (atitude que levantou a ira de milhares de fãs da banda que tinham recém descoberto uma das maiores liberdades adquiridas pelos usuários da rede: a música era gratuita e ponto). Depois, veio a maldita RIAA (Associação da indústria fonográfica estadunidense), que já tinha sacado que a lucratividade de seus associados estavam sendo colocada em xeque por uma comunidade de milhões de adolescentes fanáticos por música. O Napster foi processado, perdeu, apelou, perdeu, e em julho de 2000, saiu do ar.

Saiu, mas não deixou tantas saudades.  Logo no fim do Napster já existiam outros programas p2p, e seu fim ajudou só a pulverizar o compartilhamento de arquivos, coisa que ia acontecer inevitavelmente. Novas tecnologias mais eficientes foram surgindo e novos produtos culturais foram colocados à disponibilização.

Quando se foi, o Napster deixou, sim, um legado. Ele inaugurou práticas e ensinou lições que não vão mais  ser esquecidas. Iniciou todo o movimento de compartilhamento de arquivos e inventou o uso de tecnologias p2p para a troca de produtos culturais. Contudo, ao meu ver, existem 3 coisas importantíssimas que o Napster ajudou a fundamentar:

Em primeiro lugar, o Napster ajudou os usuários a entender que era a barreira técnica (associada à econômica) que os impediam de ter a disposição todos os produtos culturais desejados. A barreira legal – a lei de direito autoral – foi facilmente transposta, relativizada e esquecida. O rompimento do monopólio de distribuição de música e a apropriação dessa distribuição fomentada de forma gratuita pelos próprios consumidores abriram a discussão de se o direito autoral era realmente a forma mais eficaz de proteger o artista ou era só mais uma artimanha da indústria fonográfica para assegurar seu monopólio. Logo se descobriu que direito autoral é fraco e ineficiente. Ninguém se constrangia de estar infringindo uma lei quando a infração dessa lei os separava de uma distribuição gratuita de músicas de uma forma, digamos, sadia. Ninguém roubava uma loja para conseguir ouvir música (tem gente que rouba, mas vcs entenderam), mas a diferença entre roubar uma loja e trocar arquivos foi facilmente entendida, por mais que as propagandas pró direito autoral afirmavam que não. O direito autoral só era amplamente respeitado antes da internet não por ele mesmo, mas pela dita restrição técnica de produção de cópias. Quando essa restrição foi por água abaixo, bau bau direito autoral (até rimou). O processo do Napster e a defesa do direito autoral a partir do  combate ao compartilhamento de arquivos deflagrou seu caráter industrial, mercadológico e monopolista.

Em segundo lugar, o compartilhamento de arquivos iniciado pelo Napster deflagrou uma nova forma de negociar os produtos culturais. O compartilhamento não mata a música e nem o mercado cultural. Ele é somente um novo paradigma para a negociação desse mercado. Diversos atores do mercado fonográfico foram a favor do Napster e vêem, até hoje (e cada vez mais), o compartilhamento de arquivos como um aliado e uma ferramenta importante ao mercado da música.

A indústria fonográfica até sacou isso, mas não teve outra opção do que a de estabelecer uma estratégia radical de combate ao compartilhamento. Todas as suas estratégias de mercado estavam voltadas para as velhas formas de negociar a música, e a mudança dessas estratégias demandavam muito mais tempo do que a dos moleques descobrirem que agora a música é de graça. E essa foi a terceiro ensinamento do Napster: ele inaugurou as estratégias de repressão da indústria fonográfica. Primeiro foi contra ele próprio e contra as tecnologias p2p que o sucederam. Depois foi contra os usuários da rede, principalmente estadunidenses, com a moção de 35 mil processos por infração do direito autoral. Hoje em dia, vemos novamente as redes p2p como alvo. Piratebay, Mininova, Isohunt e mais um bocado de ambientes bittorrent estão sendo cada vez mais molestados por essas cabeças pequenas (esse post, inicialmente, era pra falar disso. Ia fazer uma introduçãozinha sobre o Napster e tal, mas me empolguei. Outro dia escrevo sobre a temporada de caça ao p2p).

Bom, todos sabemos hoje (até a indústria fonográfica sabe) que o compartilhamento nunca vai acabar. Na verdade ele sempre existiu, a internet só o intensificou. Cada vez mais os usuários encontram novas formas de disponibilizar quase todos os produtos culturais existentes. É uma liberdade adquirida e que não abrimos mão. Valeu Fanning. Vida longa ao p2p e ao compartilhamento de arquivos!

Um disco e um filme

17 Junho , 2009

Bom, ja que eu voltei às atividades do blog, vou fazer ma das coisas que mais curto aqui: disponibilizar uns links.

Hoje vou colocar um disco q eu estou ouvindo bastante e um filme que eu acabei de assistir (pela terceira vez).

The Jon Spencer Blues Explosion – Acme

The Jon Spencer blues explosion - Acme-1998Download

Fonte: Psicodelia Urbana (nesse link tem toda a discografia do Jon Spencer. Vale a Pena)

Nem sei como começar a falar desse disco. Não sei nem como terminar (isso porque eu não sei muita coisa sobre a banda, hehehehe). Bom, a banda é um trio: duas guitarras, dois vocais, uma bateria e nenhum baixo. Nesse disco, considerado o mais “groove” de todos, tem uma programação eletrônica. A banda toca um punk + funk + rockabilly (sem baixo??) + um blues muuuito responsa. Eles são da cena alternativa de Nova York e fazem um som bem peculiar. Recentemente o Jon Spencer veio pro Brasil fazer uns shows com outra banda, chamada Heavy Trash (link para o último disco deles, tirado do Blog do Nirso). Banda também fudidíssima, q toca um rockabilly e um psychobilly decente. Ele fez um show em sampa bem quando eu estava lá, mas não rolou de eu ir (fiquei sabendo só depois). Bom, é ouvir pra ver (OUVIR para VER!?! De onde eu tirei isso?)


Medo e Delírio (Fear and Loathing in Las Vegas)

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Legenda do Opensubtitles

Esse é um dos filmes mais droguentos que eu ja vi na vida (preciso muito fazer um top 5 filmes droguentos… conheço vários). Baseado em um livro (que no Brasil saiu com o infeliz nome de Perdendo a Cabeça em Las Vegas) escrito pelo jornalista loser Hunter Thompson (pai do jornalismo gonzo), o filme (e o livro) conta a história ocorrida com o próprio Thompson (interpretado por Jhonny Depp) quando este foi enviado para Las Vegas para cobrir a corrida de motos “Vegas 400″, “a maior corrida de motocross da história do esporte”. Para tal arriscada missão, ele e seu advogado doido (interpretado por Benicio Del Toro), alugam um Cadillac Vermelho munido de “duas bolsas cheias de fumo, setenta e cinco pílulas de mescalina, cinco papéis de ácido extremamente potentes, um saleiro cheio de cocaína, e uma colorida galáxia completa de estimulantes, tranquilizantes, excitantes, depressivos… e também uma garrafa de tequila, uma de rum, uma caixa de cerveja “Budweiser”, um vidro de éter e duas dúzias de amilas”. Com esse arcenal, vão para Las Vegas atras do sonho americano em plena década de 70 e em plena decadência da geração do LSD.

A pane como prática – o caso Telefonica.

17 Junho , 2009

Tanto hoje como ontém, nós, os consumidores do serviço Speedy da Telefonica (financiadores, clientes, a galera que sustenta esse empresa) mais uma vez tivemos problemas com a conexão de internet. A esse problema, soma-se um histórico de panes que vêm ocorrendo nos últimos tempos com essa empresa de telecomunicação paulista, histórico deflagrado por uma pane monstro ocorrida em 03 de junho de 2006, que atingiu desde a internet domiciliar até a de serviços públicos e empresariais. De lá pra cá, foram mais umas 4 ou 5, (só esse ano, o serviço de internet deu problema em fereveiro, abril e maio) contando com uma pane no sistema de telefonia que afetou até os telefones de emergência semana passada no estado de São Paulo. As respostas da empresa, em um primeiro momento, sempre são os mesmos: a empresa nega a existência de uma pane generalizada, alegando que o que está ocorrendo é um problema pontual. Uma série de reclamações, principalmente a partir do serviço de microblog Twitter, desmente a desculpa esfarrapada e esclarece que a empresa está, como sempre (e como em quase todos os serviços privatizados de comunicação), tratar o consumidor, no mínimo, como burros e palhaços.

Já tive outro problema “pontual” com a Telefonica. Ao pagar uma internet de 2 megas, eles me forneceram um serviço de uma internet de 300 k!! Como ainda não estava aqui, ficamos 4 meses pagando por um serviço e recebendo 1/6 dele. Quando eu resolvi o problema e pedi um ressarcimento do período que paguei mais do que recebi, eles me deram um cretino desconto de 23 reais!!!!!

Contudo, esse problema não é, de forma alguma, exclusividade da Telefonica. Eu ja tive problemas com diversas empresas de telecomunicação (acredito que todos ja tiveram). A empresa de telefonia móvel Tim já ROUBOU todos os créditos e planos que eu tinha em meu celular, e nada adiantou ficar 6 dias ligando, no mínimo 1 hora por dia, para o famigerado serviço de telemarketing (conhecido, na boca pequena, como “bucha de canhão”). A Oi ja me fez ir atrás de uma burocracia chata só porque ela não adicionou em meu celular os créditos que eu tinha acabado de comprar. Enfim, nós, consumidores, estamos constantemente sendo lesados pelo simples fato de sermos consumidores. Não há saída, não há fuga. Aqui em casa, a opção que me foi dada, na espetacular “concorrência sadia”  felicitada pelos entusiastas das privatizações, foi o traffic shapping da Net ou os panes da Telefonica… sujo ou mal lavado?

Bom, ao meu ver, o problema das panes, das sacanagens e das maracutaias das empresas, cada vez mais aptas a lesar seus clientes, vai além dos “problemas técnicos”: A “pane enquanto problema” está, cada vez mais, dando lugar à “pane enquanto prática”. A privatização das telecomunicações no Brasil veio acompanhada por um entusiasmado e cada vez mais veloz crescimento tecnológico. O barateamento e a digitalização das linhas de telefone fixo, o extraordinário aumento e aperfeiçoamento dos telefones celulares, a internet banda larga, a TV a cabo, etc, foram todos incrementos tecnológicos cuja emergência é associada à onda de privatizações da telecomunicação. A velocidade desse crescimento e sua espetacularização – e, é claro, seu contínuo barateamento – fez com que cada vez mais brasileiros pudessem se juntar ao “novo jeito global de se comunicar”. Além disso, diversos serviços essenciais ou estratégicos – como serviços governamentais ou empresariais – se estabilizaram sobre a estrutura em rede da internet ou as facilidades da comunicação móvel.

Acontece que há uma tremenda falácia nesse crescimento. Enquanto os numeros de consumidores vão aumentando drásticamente (numeros de conectados, número de portadores de telefones celulares, numero de linhas fixas, etc), a estrutura técnica que garante o bom funcionamento dos serviços estagnou ou não acompanhou a velocidade dos serviços postos à disposição dos consumidores (nós) e dos diversos serviços que se basearam nessa estrutura. Cada vez mais aumentam as facilidades de adquirir tais produtos (celulares gratuitos, planos de marketing agressivos, computadores com prestações a perder de vista), enquanto o problema da estrutura funcional de tudo isso continua escondido em desculpas como “isso é um problema pontual” ou a maldita “você ja desligou e ligou seu modem?”. É tal problema que faz com que o Brasil esteja no ranking dos países mais conectados do mundo e no ranking da internet mais lenta do mundo, e é o que faz com que as empresas de telecomunicação sejam as com o maior número de reclamações no PROCOM.

Nesse sentido, não há possibilidades de uma internet sem pane, pois não há uma estrutura que garanta 100% de funcionamento para todos os clientes ao mesmo tempo. A banda oferecida para a demanda supera e muito àquela suportada pela estrutura técnica. A pane não é mais um problema, ela é a prática. Essa é a mesma visão que eu tenho sobre o problema do telemarketing. Não existe, por mais leis que se criem, a possibilidade de um telemarketing eficiente pois não há possiblidades técnicas de resolução de todos os problemas dos clientes. O telemarketing serve justamente para isso: enrolar e nos fazer de palhaço. Alguém aqui conseguiu resolver o problema da pane da Telefonica ligando para o Serviço ao Consumidor? Eu duvido.

Enquanto isso ocorre, nós vamos sempre ser vitimas. Primeiro porque não temos nenhuma opção, o problema é completamente generalizado. Ou nos submetemos a isso ou não temos internet. Segundo porque não temos o que fazer. Depois porque somos lesados direta e indiretamente. Diretamente porque temos o serviço que contratamos (e pagamos) descontinuado, e indiretamente porque também sofremos com o mal funcionamento de outros serviços que também foram diretamente afetados (bancos, instituições públicas, serviços de saúde, telefones de emergência, etc.). Estamos todos, em quase todos os lugares, cercados por serviços que têm seu funcionamento amparado por essa estrutura fráca e completamente ineficiente. São serviços estratégicos e necessários, seja para os conectados ou não. A falacia da estrutura tecnica dos serviços de telecomunicação se tornam cada vez mais problemática e perigosa a partir disso. O risco é sempre escondido e negligenciado a favor da maximização da venda, e os riscos não são poucos. Está em jogo o funcionamento não só da nossa internet doméstica, mas do serviço de toda estrutura em rede do estado (e do país). Todos acreditaram e todos são lesados. Por fim, vamos nos contentar com a merda de um serviço acompanhado com horas gastas com telemarketing e um desconto de 23 reais.

Tirando as teias

16 Junho , 2009

Bom gente, resolvi, pela terceira vez, tentar reanimar esse blog. Dessa vez pensei que ele ja tinha ido pro saco e que nem desfribilador adiantaria. Estava desanimadíssimo em escrever qualquer coisa. Aconteceram coisas importantes nesses tempos, mas faltou coragem de contar (ou recontar) aqui. Bom, como quero tirar as teias e dar uma boa varrida nesse blog, vou por o papo em dia.

Em primeiro lugar: eu, infelizmente e contra minha vontade (mas por uma boa causa, espero eu), saí de Salvador. Acho que foi por isso que eu desencanei um pouco de escrever. Estou numa cidadezinha péssima no interior de sampa, e nada que acontece por aqui me motiva muito. Outra: estou longe de minha musa inspiradora (hahahahaha, q piegas c não fosse verdade) e minha maior incentivadora.

Sobre os assuntos tratados aqui, muita coisa aconteceu: o Piratebay perdeu o processo e está recorrendo; a Marcha da Maconha foi novamente proibida e estão recorrendo; o Projeto Azeredo está cada vez mais aí mas com cada vez mais resistência da comunidade “interneteira”; o Partido Pirata do Brasil ta vindo aí com tudo; o Partido Pirata da Suécia ganhou uma cadeira no parlamento da União Européia; a Lei Sarkozy da França foi aprovada mas foi parcialmente vetada;

Bom, não vou desenvolver sobre tudo isso. O que passou, passou. O que importa é que vou tentar novamente ir colocando as coisas aqui no blog, comentando notícias e distribuindo links que eu acho interessante. Veremos…

Post-Scriptum: Galera, vale aqui um grande agradecimento às pessoas que comentaram no blog nesse tempo de ostracismo e esquecimento. Valeu mesmo, heim! Se não fosse vcs, bau bau mundo verde.

É nóis!

13 Fevereiro , 2009

Galera do mal!
Voltei a acessar esse blog, e estou disposto a escrever nele novamente. Confesso que faz meses que nem entro nele pra dar uma olhada, pensei que tinha morrido, algo assim, e entrando nele descobri algo q me desconcertou: eu fui, talvez o único q abandonou-o. As visitas estão bombando, mais do que estavam qdo eu escrevia aqui. Bom, fiquei motivado novamente, pelo menos por agora, vou tentar postar algumas coisas por aqui.

Esse blog não morreu!

21 Agosto , 2008

Galega, esse blog anda em coma, mas ainda não morreu.

Estou passando pelo período mais corrido da minha vida já há uns 3 meses – entrega de qualificação e de relatório – e ta foda. Estou sem nenhum tempo para publicar nada (alias, estou sem tempo para absolutamente nada), mas continuo dando uma olhada aqui e logo logo posto mais coisas.

Desculpe o tempo de ostracismo, mas não tenho outra alternativa.

Abraços aos frequentadores

Homem Verde

Contra a Lei de Cibercrimes!

10 Julho , 2008

Galera, ontém passou no Senado Federal uma lei que versa sobre a criminalização de comportamentos dos usuários na Internet. (Mal) Escrita para combater a pedofilia e os crimes de personalidade e de fraudes, a lei pode ser uma ameaça para a privacidade na Internet e um começo para a criminalização do compartilhamento de arquivos. Segue abaixo matéria do Centro de Mídia Independente e o link da petição online pelo veto da lei de cibercrimes que será enviada para a Camara dos deputados. Essa é uma questão que atinge os internautas brasileiros como um todo, então informem-se.

Na última quarta-feira (9), o Senado votou e aprovou o projeto de Lei apresentado pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) que cria 13 novos crimes na internet e novas restrições às/aos usuárias/os e provedores, tal como obriga provedores a guardar registros pessoais de usuárias/os da internet para possíveis futuros exames da “Justiça”, se assim requisitado. O projeto foi modificado desde a saída de sua casa de origem, Câmara dos Deputados, para onde volta novamente para aprovação.

O projeto de lei, apesar de claramente atentar contra direitos civis de liberdade no uso da internet, foi votado no Senado, à revelia de fortes oposições feitas por diversos grupos e indivíduos. O texto de Azeredo é um substitutivo ao PLC nº 89, de 2003, que está tramitando em conjunto com os PLSs nºs 76 e 137, de 2000, nos termos do RQS nº 847, de 2005. O projeto já foi votado pela CCT (Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática), pela CE (Comissão de Educação, Cultura e Esporte) , pela CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) e pela CAE (Comissão de Assuntos Econômicos). O período para apresentação de emendas expirou e o substitutivo aguarda agora somente inclusão em ordem do dia.

Tendo em vista sua ilegitimidade representativa, iniciaram-se, em nível nacional, campanhas contra o projeto de Azeredo e em prol de um processo participativo de regulamentação da internet brasileira. O
enrijecimento absurdo e autoritário das medidas de controle ao acesso e navegação em redes virtuais não é capaz de apresentar justificativas plausíveis, levantando suspeitas quanto a suas origens e objetivos políticos. É como medida terrorista que tal proposta está sendo entendida por grande parte da população, que rejeita a atmosfera de vigilância e criminalidade que ela instaura.

Há diversas formas de se garantir um uso responsável, livre, comunitário e seguro da internet. Somente um grande debate cívico poderá determinar de que maneira e em que extensão a privacidade virtual deve ser articulada com as necessidades pontuais de processos de segurança pública jurídica de informações. Ao focalizar a atenção numa suposta ameaça incontornável que advém do mundo do ‘crime cibernético’, o lobby em torno do PLC 89/03 omite as possibilidades que a garantia de liberdade e anonimato na internet propiciam ao uso comum dos bens, sendo exemplos importantes, sites especializados em denúncias de corrupção, abuso de autoridade e violência policial.

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/07/424102.shtml

Assine aqui a PETIÇÃO ONLINE:
http://www.petitiononline.com/veto2008/petition.html

Acompanhe o andamento do projeto:
http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/Detalhes.asp?p_cod_mate=43555

(c) Copyleft Centro de Mídia Independente.
É livre a reprodução para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.www.midiaindependente.org

O caso Isa

19 Abril , 2008

Nos últimos dias tem-se falado muito do assassinato de Isabella: uma garotinha de seis anos e tal (acho q não preciso explicar, preciso? Todo mundo sabe dessa história).

Cruel. A garota foi morta supostamente pelo pai e pela madrasta de forma covarde (claro, ela tinha 6 anos), bárbara e por motivos ainda não explicados. Só se sabe (todos sabem) que ela foi jogada do sexto andar depois de um estrangulamento, e morreu devido a queda.

Tal crime é agora a bola da vez. A trama envolvente, o clima de mistério, o acompanhamento da investigação tipo CSI, o delineamento dos “bandidos”, somados ao caráter cruel do assassinato de uma criança de seis anos formam um prato cheio para a imprensa. Todos os meios noticiários não passam um dia sem comentar o crime. São praticamente obrigados. Têm que falar, nem que seja da mãe da garota na missa de sétimo dia de sua morte.

Disso tira-se algumas conclusões equivocadas. A gigante especulação e espetacularização do caso, que ocupa o espaço das colunas policiais (que tem sei la que papel) e que segue minunciosamente os passos da investigação policial, me faz parecer o seguinte: 1° – é caso policial mais importante (!?!) do Brasil. 2° – A polícia investigativa (ou a polícia como um todo, por que não?) é extremamente eficaz, e seus métodos científicos modernos são suficientes para resolver esse caso. 3° – Se comprovado que o pai e a madrastas são culpados, a justiça brasileira é também eficiente, e não deixa culpados impunes nesse país.

A polícia vai a forra. Aproveitando o espaço midiático positivo, tão difícil em tempos de desestruturação da instituição policial, ela mostra serviço. Investiga, interdita, apreende, faz inquéritos, usa o tal luminol e a parafernalha toda, enfim, sob as câmeras, põe a coisa para funcionar. Tem que fazer. Ela vai precisar de toda sorte para que outra criança branca de classe média morra de forma cruel para ter outra chance como essa.

E as incursões violentas do Bope na Vila Cruzeiro, Rio de Janeiro, que mataram 14 pessoas em 4 dias? E o adolescente de 13 anos que assassinou um outro, de 16, aqui em Salvador? E o jornalista Roberto Cabrini, preso por tráfico de drogas com 15 papelotes de cocaína? Não há mais crimes no Brasil, só a morte de Isabella.

A Soninha, em seu blog, faz a pergunta mais pertinente sobre esse caso: “o que a mídia quer com o caso Isabella?”. O que a mídia quer? O que ela sempre quer? Vou arriscar: audiência. O noticiário não vai solucionar o caso. Eles não querem mostrar o bom trabalho da polícia. Tão pouco acham que esse é o caso policial mais relevante dos últimos tempos. Eles exploram, com direito a reconstituição do quarto da criança e da cena do crime. Em notícia na Folha Online, o caso Isabella aumentou em até 46% a audiência dos telejornais em relação à primeira quinzena de março. Na própria Folha Online, as notícias mais lidas nessas últimas semanas são sobre o caso.

O roteiro investigativo da trama policial tornou-se novela, Big Brother alheio. Quase um jogo de futebol onde todos torcem para o mesmo time, a “justiça” (assim, com aspas), manifestadas em xingamentos, faixas, pichações, ameaças, bloqueios e tentativas de linchamento. O público gosta. Faz questão de ir para a porta da delegacia ou da casa onde estavam o casal suspeito. Faz questão, querem justiça. Como se tivessem tirado nossa Isabella, nossa Isa, já que somos tão íntimos.

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