Aee galerinha
Resolvi voltar com as séries de posts temáticos parados há tempos e de quebra dar mais uma infringidinha nas leis de direito autoral. Estão aí os álbuns que mais ouvi nesses últimos dias, listados em ordem cronológica. O link está no nome do álbum, e abaixo segue os créditos e uma pequena lenga-lenga.
Crédito: http://lagrimapsicodelica.blogspot.com
Senha do arquivo: lagrimapsicodelica
Quando comecei a ouvir punk/hc, com uns 14 anos, odiava Ramones. Sabia e respeitava sua importância para o punk rock, mas eu achava muito idiota (descobri a pólvora). Os Ramones foram definitivamente a primeira banda punk do universo, e é a banda que mais influenciou outras bandas na história. Onde vocês ouvirem músicas rápidas, curtas, de três acordes, mal tocada e sem solo, lá estará a semente ramonística. Não sei porque creditam os Sex Pistols por isso, já que eles não existiriam sem a banda novaiorquina. Nessa época, eu tentava me convencer que era plenamente possível curtir punk rock sem passar por eles. Tanto que baixei esse álbum para provar para mim mesmo esse fato. Estava errado! Ramones é demais! Vanguardistas, marginais, geniais e idiotas. Prato cheio para o punk rock. Para quem curte muito, no nesse link do Lágrima Psicodélica tem a discografia toda da banda.
Richard Hell & The Voidoids – Blank Generation – 1977
Crédito: http://drunksongs.blogspot.com
Senha: drunksongs.blogspot.com
Outro fudidíssimo do punk 77, Ricardo Inferno foi um dos mais criativos do estilo. Participou da fundação do Television em 74, da Johnny Thunders and the Heartbreakers em 75. Tocou também com Neon Boys, não sei quando, até fundar o The Voidoids. De quebra, forjou a alcunha da sua geração (blank generation) e do título do livro mais cabuloso sobre o tema, Kill me Please (Richard Hell andava com uma camiseta escrita Kill Me, Please, com um alvo desenhado. Diz o livro que ele parou de usá-la quando um fã virou para ele e disse: você está falando sério?). Ainda deu idéia ao Malcon McLaren (o inventor dos Sex Pistols) do que viria a ser o estilo punk: rebites, roupas rasgadas, cabelo espetado… Bom, o cara é bom mesmo. Sua música é meio esquizofrenicamente influenciada pelo funk, o groove e o jazz. Juntou isso com um vocal afetadíssimo e uma pegada punkona e fez um disco genial. Tem uma resenha muito boa desse disco aqui.
Sonic Youth – Daydream Nation – 1989
Crédito: http://fuktmp3.blogspot.com
Banda formada em 1981 por Thurston Moore, Kim Gordon e Lee Ranaldo, o Sonic Youth são os filhos pródigos do Velvet Underground. Com um estilo completamente estranho, eles foram responsáveis por fundar a alcunha jornalesca “rock underground”. O Sonic Youth está bem longe de ser uma unanimidade. Sua música é cacofônica, estranhíssima, uma massa sonora distorcida e indecifrável. Eles levaram ao extremo o experimentalismo no rock e criaram uma nova forma de tocar guitarra. Eram criadores, quase engenheiros. Inventavam (des)afinações, experimentavam captadores, distorções, amplificadores. Tinham trocentas guitarras, cada uma minunciosamente estudadas. Até que um dia, em um show, robaram todas as guitarras da banda. Anos de experimentos perdidos. Lá foram eles novamente para o “laboratório”.
Esse álbum é o mais digerível da banda, mas é ainda genial. Contam ainda com as viageiras sonoras, só que em um estágio mais… pop. O Sonic Youth está na ativa até hoje. Tocaram no Brasil pela primeira vez há uns 6 anos, e eu perdi. Acho que foi um dos (vários) shows que perdi que mais me arrependi de não ter ido.
Créditos: http://indieposts.blogspot.com/
Nos últimos três ou quatro anos do século XX o que dominava a cena musical internacional era o rap e o r&b. Tudo era rap e r&b, só se ouvia isso. O rock, tão promissor na década de 90 estava mal. As velhas camisas de flanela xadrez estavam cada vez mais desbotadas, e o único grito novo no mainstream do rock’n roll era o Nu Metal… Heavy metal misturado com o que? O que? Com rap. Foi quando, no primeiro ano do novo milênio, eles surgiram com esse álbum. Na volta do rock garagista com influencias tiradas não sei do que no underground novaiorquino, os Strokes foram considerados os salvadores do rock. Para o terror dos flanelinhas, foram comparados ao Nirvana, o baluarte do heroísmo do grunge. Nirvana salvou o rock em tempos de nojeiras do poperô, e os Strokes, do Rap/r&b e do pop escroto. Bom, o álbum é demais. Original e inovadora, a banda foi uma das responsáveis pela explosão indie no mundo. Coisa nova, realmente nova, e indicou os caminhos que o rock seguiu daí por diante.
Arctic Monkeys – Whatever People Say I Am, That’s What I Am Not – 2006
Crédito: http://milsic.blogspot.com/
Primeiro chegou “I Bet You Look Good on the Dancefloor” e as bocas se abriram. Que guitarra é essa? E essa bateria? Macacos Árticos? Que porra é essa? Já tínhamos ouvido algo parecido (os Strokes já estavam bem), mas aquilo? Para mim, o Arctic Monkeys é a melhor banda dessa nova era do rock’n roll. Com músicas dançantes, uma garotada competente e uma pegada fudida, eles não deixam a peteca cair. Surgida integrada às novas formas de distribuição de música na atualidade, eles conseguiram sucesso com o compartilhamento de arquivo e foram muito felizes com isso. Mostraram que as novas tecnologias estão aí e que têm potencialidades que podem ser muito proveitosas para os artistas independentes. Inteligentes esses macacos. Inteligentes e talentosos.




