Falem doidos
To lotado de coisas pra fazer, mas resolvi começar a escrever esse post pra desenferrujar esse blog. Já não escrevo há dias, então vou continuar minha série de paletadas em Salvador. Esses devem ser os posts mais desinteressantes para o leitor desse blog, pois se trata de algo muito pessoal: minhas impressões sobre os lugares que ando. Pessoal demais, eu acho. Não tem nem fotos para ilustrar ou deixar menos descritivo… Mas vou escrever assim mesmo, pois o blog é meu!
La vai:
Corredor da Vitória – Avenida sete – Praça da Piedade.
Fiz esse rolê pela primeira vez aqui quando fui comprar um chip para o meu celular numa loja Insinuante (nomão pra loja, heim?) na frente da Praça da Piedade. Saí da Graça, como no rolê passado, mas em vez de virar à esquerda na Ladeira da Barra, virei à direita, no Corredor da Vitória. Ambas as duas são, na verdade, a mesma avenida: Avenida Sete de Setembro, mas, como já disse, ninguém as chama assim.
O Corredor da Vitória é lindo. Um lugar agradabilíssimo para andar e uma das avenidas mais bonitas que já vi aqui. É uma avenida não muito larga e muito arborizada. As árvores são enormes, e quase se encontram no topo, formando uma cobertura verde para a avenida. Tem arvores tão grandes (devem ser muito velhas) que o tronco de uma ocupa toda a calçada, de tão largo. Descobri (acabei de descobrir), por uma fonte nada confiável, que o corredor da Vitória, junto com a ladeira da Barra e, acredito eu, toda a Av. Sete de Setembro, foi a primeira estrada do Brasil, que ligava a antiga Vila Velha (hoje Porto da Barra) ao centro da cidade, hoje Centro Histórico… faz sentido para mim.

Foto do Corredor Vitória, tirada de http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=408318
Tem vários casarões antigos, mas cada vez em menos quantidade e cada vez mais abandonados. Antigamente devia ser muito mais bonito. Assisti um filme sobre os transsexuais de Salvador, num festival de cinema GLBTT, e uma falou que existia uma praia lá, chamada Shangri-la, antes da putaria dos prédios de luxo. Lá é assim mesmo, a especulação imobiliária é cruel. Deve ser o metro quadrado mais caro de Salvador. É uma avenida que faz margem com o começo da Bahia de Todos os Santos, mas só se vê o mar quando os vãos dos prédios permitem, e são vários, todos brilhando de novos, todos a beira mar e todos com piers para barcos e teleféricos… um lixo. Comprei um dia um scanner usado de uma mulher que morava em um desses prédios gigantes. Não passei da parte de fora do hall de entrada e fiquei o tempo todo pensando: porque uma pessoa que mora aqui quer vender um scanner por 50 contos??? Pensei que essas pessoas jogassem essas coisas no lixo. No lixo comum, pois as pessoas de lá não dividem o lixo. Sempre passávamos lá em dia de lixo e sempre tinha catadores de lixo tendo que revirar os sacos para procurar recicláveis. Em dias de lixo a rua fica insuportavelmente fedorenta.
Corredor da Vitória visto pela Bahia de Todos os Santos. Tirada de http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=408318
Lá no corredor tem uma moradia universitária, a beira mar e ilhada em meio aos prédios de luxo. Aqui, as moradias universitárias são todas (não sei se são todas, mas vi algumas) em casarões bem antigos. Achei demais, antes de saber que elas estavam caindo aos pedaços. Na Vitória tem um museu (tem uns 3, na verdade), que também fica em um casarão antigo lindo, mas eu nunca fui. Como nas igrejas, nunca fui em nenhum museu aqui em Salvador, e são vários. Mas diferente das igrejas, tenho muita vontade de ir. Eu curto museus, não sei porque não fui. Acho que penso: “vou ficar um bom tempo aqui, vai sobrar oportunidades de visitá-los” e nunca vou.
No corredor Vitória fica o museu geológico da Bahia, que só fui visitar porque tem um cinema da Sala de Arte (assisti Persépolis lá… o melhor filme que assisti nos últimos tempos). Fica também em um casarão antigo, e tem um dos quintais mais legais que eu ja vi (fotos, fotos, preciso de fotos… façam uma vaquinha, comprem uma câmera digital para mim e eu encho esse blog de fotos). No corredor está o Instituto Goethe de Salvador, que fica em um casarão antigo e muito legal. Fui um dia numa tal Feira Hype lá (pelo nome da pra saber o que é, não? musica eletrônica, brechós, roupas modernetes e um monte de indies), quando estava tendo um evento relacionado ao Seminário da Maconha. Uma casa também muito bonita e um quintal cabulosíssimo.
O corredor da Vitória acaba no começo da praça do Campo Grande. Como disse em um post anterior, era o coração do carnaval e a praça mais bonita que eu já vi. Bem grande, arborizada, com sarjetas de mármore (da para acreditar?) e um piso que deve ser o paraíso dos skatistas. Nessa praça tem um monumento gigante feito em homenagem ao caboclo, simbolo da resistência da independência da Bahia, em 2 de julho de 1823. Quando chegamos aqui, logo reparei nessa data, 2 de julho, pois é o nome de um largo, de pelo menos uma praça e de várias ruas. Pensava: que raios aconteceu em 2 de julho? Pouco tempo depois, descobri. O Brasil teve sua independência oficial declarada em 1822, mas aqui em Salvador, as tropas portuguesas só foram completamente expulsas em 1823. Melhor dar uma lida sobre o assunto no Wikipedia.

Praça do Campo Grande. Tirada de www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=305077
Ao fim da praça está o Teatro Castro Alves (TCA), o maior de Salvador e um dos mais importantes do Brasil. De arquitetura modernista, ele é um dos mais importantes centros culturais daqui.
Passando o TCA, começa o centro. Ainda não é o centrão, mas ja se vê vários comércios de materiais de construção. É a rua do Forte São Pedro. Horrível de se andar. Sempre lotado, com calçadas estreitas e com muitas barraquinhas de temperos, de frutas e de peixe. Depois do horário do comércio, a calçada e a rua ficam lotadas de cadeiras, pois o começo da rua é cheio de botequinhos. Tomamos, eu e minha namorada, uma breja lá um dia, quando o Bar Quintal (um dia eu falo dele, é ali pertinho) estava fechado. Depois dos bares, defronte às lojas de material de construção, está o Forte de São Pedro, que teve sua primeira construção iniciada em 1627. Esse forte tem história também no 2 de julho, pois foi disputado pelas tropas brasileiras e portuguesas na ocasião. Hoje funciona uma parada do exército, alguma coisa relacionada a abastecimento cujo emblema é a formiga atômica (!?!).
Passando a Rua do Forte, na Av. Sete de Setembro (agora sim, a própria, nomeada e chamada como tal) começa o centrão. Quem vem da Vitória, passa pela praça e chega alí, nota bem a diferença. Têm várias casas antigas, mas completamente descontextualizadas. A parafernália do comércio é tanta que só da para percebê-las quando se passa de ônibus. Fora que se você olhar para cima (só a parte de cima dos sobradinhos parecem antigas, as partes de baixo são só comércio mesmo) tromba em alguém. A avenida sete é um dos circuitos do carnaval de Salvador, que vai do começo dela, na praça Castro Alves até o Campo Grande, voltando pela rua Carlos Gomes (ou o contrário, não sei). Antigamente, a avenida sete era o centro econômico da cidade. Hoje é centro centro mesmo: lojas, lojinhas, tecidos, roupas, calçados, enxovais, 1,99, bancos, insinuantes, aproveitadoras, ricardo eletros, muitos camelôs, consumidores, sem arvores, com calçadas estreitas, avenida movimentada etc. Não consigo lembrar de muita coisa interessante lá até chegar na praça da Piedade.
A praça da Piedade é também bonita. Bem cuidada, é – como o Campo Grande – refugio dos aposentados. Eles ficam lá, sentados e olhando o movimento (e que movimento). Um dia passamos por lá em um domingo a noite e é sinistro. Todas as pessoas que conversamos aquele dia para pedir informação sobre o local onde iriamos (nos Barris, numa sala de cinema, onde assistimos, naquele dia, um festival de animação e onde assistimos o filme dos travestís que citei aqui… um dia eu falo de lá tb), nos falaram para passar longe dessa praça. De dia ela é insuspeita, e como várias praças do centro, é realmente usada pela população.
Bom, é isso. No próximo post eu continuo esse rolê até o pelorinho e depois até a cidade baixa.
Outra coisa: comparando esse post com o anterior, percebi algo que me aterrorizou: como eu escrevo melhor sobre coisas fúteis do que sobre coisas sérias… que horror!


28 Julho , 2008 às 2:33 pm |
baixei o cd do Richard Hell
mais precisa da senha …
qual seria ?????
abrigado ^^