Hoje, dia 26/03, faz um ano que eu e minha namorada estamos morando em Salvador. Viemos de mala e cuia pra cá, prontos para a mais louca aventura de nossas vidas. Antes disso, nosso maior feito foi ter voltado de carona (dessas de dedão, na pista e no posto), em um dia e meio, de Floripa para o interior de sampa. Para comemorar célebre data (pra gente, é claro) vou tentar começar aqui um guia sobre o que a gente mais faz em Salvador, além de ficar em casa lesando: andar a pé, ou como se diz aqui, paletar. Foi andando a pé por aqui que (pouco) conhecemos um pedaço da cidade, além de termos contato com o lugar onde realmente acontecem as coisas da vida cotidiana: a rua, espaço público por excelência. Esse guia é restritíssimo e não cobre nem nada da cidade. É um pequeníssimo relato psico-geográfico nosso. Nem sei se vai ser interessante para alguém, mas o dia é nosso, não de vcs (hehehe). Vou tomar cuidado de suprimir alguns lugares de origem, pois não é de interesse meu que as pessoas fiquem sabendo onde eu moro.
Esse é, portanto, o primeiro de uma série de roteiros psicogeográficos que eu acho relevante escrever sobre. Vou tentar falar de todos (nem são tantos), em posts diferentes. No nome do percurso está um link para o google map, com o caminho destacado. Leia e olhe o mapa, pra fazer mais sentido.
La vai:
Euclydes da Cunha – Rua da Graça – Ladeira da Barra.
Primeira pernada nossa em Salvador, logo que chegamos. Ficamos hospedados dois dias na casa de um parente de minha namorada, que mora na Graça. Quando chegamos, almoçamos e fomos dar um rolê para procurar casa pra morar. A Graça é um bairro de classe média-alta, onde não tem nenhum buteco. É cheio de idosos e, conseqüentemente, de farmácias. Mas é um lugar agradável de se andar. A Rua da Graça é bem arborizada, com calçadas largas e poucas casas antigas. Não fazíamos idéia do que era tudo aquilo, nem de onde estávamos, nem se era perto ou longe do mar. Fomos andando. Chegamos ao final da rua da Graça, e resolvemos virar à esquerda, onde logo vimos uma imobiliária (depois descobrimos q imobiliária, aqui, é furada). Nada de barato lá. Saímos e resolvemos descer essa rua. Era a Ladeira da Barra, que na verdade é a continuação da Av. Sete de Setembro (uma avenida gigantesca que vai do começo do centro até o Farol da Barra), mas ninguém aqui a chama assim. Passamos por uma Aliança Francesa, q fica em uma casa antiga gigantesca, por um instituto Miguel de Cervantes, que fica em um pequeno prédio futurista espelhado e estranhamos um prédio residencial chamado “Andy Warhol”, que tentava ter uma arquitetura modernosa, mas é feio pra caramba. A Aliança Francesa daquí tem um teatro e uma sala de cinema, do circuito “Sala de Arte”. As salas desse circuito (além da Aliança, ele está presente em alguns museus espalhados pela cidade, todos em lugares muito legais, em geral em casarões antigos, depois escrevo de outros), eram os cinemas que mais frenquentávamos (ainda é, só q menos). Além de passarem filmes decentes, eram os mais baratos de Salvador. Tem um clima meio elitista, mas como era barato, não ligávamos. Agora está caro. Caro pra caralho. Agora é todo elitista.
Enquanto descíamos a ladeira, tentávamos ligar pros telefones que eu tinha listado a partir de um site de classificados antes de virmos pra cá. A ladeira, como várias ruas daqui, é cheia de curvas. Isso é legal pra quem está andando pela primeira vez nela, pois a gente se surpreende com o que a não podemos ver de longe. Foi isso que aconteceu. Descendo a rua, depois de uma curva, pronto: o mar! Sou fascinado pelo mar. Todo lugar novo que eu ando eu tento vê-lo. Já consegui ver o mar de lugares que pensava estar muito longe dele. Em Salvador tem mar pra tudo q é lado, e eu fico sempre meio bobo quando eu vejo, mesmo q por uma frestinha e por uma fração de segundos. E eu que estava acostumado com o mar poluído de São Paulo, quando vi esse aqui, azul e verde, fiquei chapado. E não era uma frestinha não. A ladeira margeia a parte de cima de um barranco, e lá em baixo está o começo da Bahia de Todos os Santos. A rua fica a uns bons metros acima do nível do mar. Entre o barranco e o mar tem o Yatch Club, mas eu nem vi a porra do Yatch Club. Vi o mar. E Itaparica, que fica depois. Era um dos lugares mais bonitos que eu já vi, e eu mal sabia que, depois de dois dias, eu ia morar poucos metros dali (moramos lá cinco meses), e toda vez q sairia pra rua teria essa visão.
Continuamos a descer e a telefonar. Logo após a entrada do Yatch Club tem um pequeno cemitério, também a beira do barranco e com vista pro mar: O Cemitério dos Ingleses. Nunca entrei lá, embora morasse do lado e tivesse (ainda tenho) muita vontade de ver e de tirar uma foto (um dia tiro e posto aqui). Depois do cemitério, na descida da Ladeira, tem a Igreja de Santo Antônio da Barra. Segunda igreja que a gente viu nesse percurso. A primeira fica no fim da Rua da Graça, no largo da Vitória. Nunca fui muito de igreja. Aqui tem trossentas igrejas e eu nunca entrei em nenhuma. Sei o que estou perdendo, mas nunca fiz mta questão. Essa igreja – Santo Antonio da Barra – é linda. Não ela, mas o lugar onde ela fica. A entrada dela é uma subida de paralelepípedo, e ela fica em um nível acima da ladeira (a ladeira desce e a entrada sobe), e também a beira mar. Tirarei fotos dela também, e da vista la de cima.
A ladeira termina na Praia do Porto da Barra, primeira praia q vimos aqui. O Porto da Barra foi a praia que eu mais fui, pois morava muito perto dela. Praia pequena e estreita, cheia de gringos e de desigualdades, fica entre o fundo da igreja e um forte antigo. Tem águas bem calmas e vários barquinhos de pescadores ancorados, q sempre são socializados. Tem dias que é legalize, quando está menos cheia. Naquele dia nem fomos pra praia. Paramos, olhamos e voltamos.
Talvez outro dia eu escrevo nossas desilusões com a Barra. De como uma estrutura tosca de turismo, aliada a uma classe média alheia, traz consigo uma série de desigualdades que não estávamos (e não estamos) afim de ignorar, como fazem os turistas e as pessoas que lá moram… Mas isso é outro papo.
27 Março , 2008 às 1:06 pm |
Ta querendo virar antropologo é ? Rs
Abraço!
23 Maio , 2009 às 9:39 pm |
seu blog e otimo parabens por ele vlw ai