Metal Machine Trio – 20/11 – São Paulo

23 novembro , 2010 by

Rá!

Eis que, em uma inesperada necessidade de falar alguma coisa, esse blog entrou novamente em uma parcial (talvez única) atividade. Vai saber…

Mas aproveitando que eu ainda tenho esse blog pra escrever alguma coisa (ou quase qualquer coisa), volto pra tentar sintetizar em uma quase linha de quase argumentação o show do Metal Machine Trio que assisti no SESC Pinheiros, em São Paulo, dia 20 de novembro. Vou tentar escrever isso pra, de uma vez por todas, eu pensar mais sobre o assunto e tentar entender o que se passou. Não quis falar muito dele pras pessoas que me perguntaram porque, em primeiro lugar, deu preguiça. Depois, acho que as pessoas não iam se interessar taaanto assim, só queriam saber se foi bom ou não (foi bom, muito bom, pelo menos pra mim). Por fim, eu ainda não consegui sistematizar a parada toda, e tenho só uma impressão muito viajante, tipo uma teoria sobre a apresentação, que eu achei preliminar e sem noção demais pra ficar contando, mas é disso q vou escrever aqui (despretensiosamente, viu galera. É só minha quase opinião sobre o que eu vi, não a verdade sobre a parada).

Bom, pra contextualizar, Metal Machine Trio é o projeto que o Lou Reed anda apresentando em turnê. É um show baseado no disco absurdamente estranho chamado Metal Machine Music, de 1975. Consegui ouvir o disco numa terceira tentativa, e não foi fácil. Não acho que é um disco ouvível (principalmente careta) e provavelmente nunca o ouvirei novamente. Projetado como LP duplo, o álbum contém quatro músicas (ruídos, distorções, samples analógicos, barulheira, enfim), uma de cada lado de cada disco. Não tem um campo harmônico palatável nem um ritmo identificável. Enfim, é um disco de barulho, noise, sujeira instrumental.

Fui comprar meu ingresso já meio que consciente do que eu ia tentar assistir. Li as notícias sobre o show, (tentei) ouvir novamente o disco e já fui me preparando. Sabia que não ia rolar velvet ou alguma canção de seu projeto solo, só barulho (no bom sentido, claro).  Então eu inventei um propósito para eu tentar me situar dentro do que eu imaginava que seria o show: ver como os caras produzem esse barulho, que tipo de instrumento/aparelho é utilizado pra fazer tanto barulho assim e como fazer isso ao vivo. Não entendo muita coisa sobre isso. Não sei diferenciar muito distorções, amplificadores, e existem muitas parafernálias que eu não conheço, mas minha pira foi ver o movimento dos caras e o que eles estavam apertando, girando, tocando, batendo ou pisando para produzir ruídos.

Fui com essa ideia. Sabia muito bem que podia odiar a parada. Sabia também que não era possível eu conseguir assistir o show careta, então decidi me entupir com um baseadão logo antes de entrar, já com umas brejas na cuca. Tava tão louco que pensei que não ia conseguir encontrar meu lugar no teatro (tenho sérios problemas com isso). Acho que o beck me ajudou bastante, pois com ele consigo (mais ou menos) brincar de distinguir algum som da massa sonora que saia das caixas amplificadoras. Achei também que o baseado me ajudou a me desconcentrar um pouco do incomodo produzido pelos ruídos e me concentrar na minha ideia de performance homem-aparelhagem-massa sonora.

Bom, achei meu lugar: oitava fileira, meio que no meio. Mas meus amigos me chamaram pra sentar na primeira fileira, bem do lado da caixa de som e do saxofonista esquizo. Quando chegamos, o palco era somente aparelhos. Do lado esquerdo do palco, um amontoado de pads, teclados e dois mcbooks. No centro, umas 4 ou 5 guitarras e uma aparelhagem também gigante (que eu não faço a menor ideia do que era). Bem na minha frente, à direita do palco, mais aparelhagem, microfone e um sax. Eram os lugares dos três integrantes da banda (banda?): Sarth Calhoun, que processava e emulava os sons produzidos no palco a partir da sua aparelhagem e também produzia alguns sons a partir dos trocentos pads (ele fez uma emulação de contra baixo que ficou bem boa); Lou Reed, que, confortavelmente sentado, produzia distonia na guitarra cheia de pedais e que, em uma hora do show, encostou a guitarra e também brincou de emular a massa sonora a partir da sua maquinaria (preferi ele com a guitarra. Nada de muito diferente sem ela, mas eu realmente queria ver ele fazendo barulho com o instrumento); e por fim, o saxofonista doido, Ulrich Krieger, que teve as manhas de colocar um overdrive no talo e várias outros efeitos para distorcer a melodia do sax (além de fazer umas dancinhas muito estranhas enquanto tocava). Contudo, ao fundo, atrás do saxofonista, tinha o que eu deduzi ser um quarto integrante, não humano, produtor de um ruido doido, meio estomacal: uma pilha de amplificadores diversos (eu acho que eu contei uns 12), empilhados na esquina do palco, com quatro guitarras ligadas e encostadas na parede de aparelhos. Quando entrei no teatro era o único som que era produzido no palco, sendo “afinado” por alguém da produção da apresentação. O cara estava tocando amplificadores! Mechia na tunagem das maquinas para alterar os ruídos produzidos pela parede amplificadora. Até o momento só existiam os 2 no palco: o maluco da produção e a pilha de amps. Logo ele encontrou um ruido que lhe (des)agradasse e saiu, deixando a gente, público, com um barulho ensurdecedor que fazia vibrar nossos órgãos internos. Muitos colocaram os dedos no ouvido, mas como abafar o estomago, principal ouvido desse timbre doido? Acredito que a pilha com as guitarras permaneceram ligada, o tempo todo, dando mais um produto sonoro bruto a ser emulado e processado pelos cientistas doidos do palco.

Cinco minutos de microfonia contínua e os artistas entraram. Cada um a postos, sem nenhuma interação com o público, eles começaram. Não faço ideia de como a apresentação começou e acho que nem importa muito, mas quando começaram, não pararam mais (acabei de lembrar de como começou: ao fundo do palco, do lado dos amps, tinha um gongo gigante e um enorme bumbo. Começou com o saxofonista tocando os 2 instrumentos de uma forma, segundo minha parca interpretação, aleatória). Piraram em 1 hora e 20 minutos de puro improviso noise. Não tinha escala, não tinha ritmo e quase não tinha cadeia harmônica. O que eu vi foi meio que uma disputa, uma tensão entre os músicos. Disputa pelo controle da massa sonora, da emulação e processamento, da busca pela desestabilização daquilo que estavam fazendo. Tudo que era brutalmente produzido no palco passava pela maquinaria de Sarth Calhoun. Ele era o anti-regente da apresentação. Seu papel era o de fazer, ali, no palco, alguma coisa com os ensurdecedores barulhos produzidos pelos outros 2 instrumentistas e pela parede de amps. Mas isso não era algo dado. Digo, não era um papel gentilmente cedido pelos outros integrantes: era uma guerra. Cada um queria ter o controle de seu instrumento e do ruido produzido por ele, e levar a massa sonora para longe de uma zona de conforto. Cada instrumentista tinha, a sua frente, um arsenal de produção de ruídos: instrumentos, pedaleiras, emuladores, distorções, uma pá de maquinarias, e usavam sem dó. Era meio que um “quero ver o que você vai fazer com isso agora”. Disputa, com pouquíssimos sinais de concordância, durante todo o improviso. Isso me deu uma quase sensação de entendimento da parada, mesmo sabendo que podia não ser nada disso. Tinha horas que até deu pra bater o pé no chão buscando acompanhar algum rítmo que algum instrumento estava produzindo. Lou Reed até produziu uma sequencia harmônica de acordes, uma hora, numa batida bem rock’n roll, e o saxofonista, em outro momento, fez o mesmo, mas estava longe do conforto do entendimento lógico da música, como se nós ouvíssemos alguma musica no rádio. Todo momento de estabilidade era quebrado rapidamente, sem nenhum sinal de acompanhamento de algum dos outros integrantes. Pelo contrário, qualquer estabilidade era quebrada. Algumas vezes, minha sensação era de que alguém ali estava perdido (eu estava), tentando puxar todos que estavam ali para o caos sonoro total. Isso foi sentido rapidamente por mais de 100  pessoas desavisadas ali presentes, que abandonaram a apresentação após 20 minutos de barulho putas da vida. Uma menina até mandou um fuck you para o palco.

Existia alguma sequência ou alguma sequência de temas, como no jazz, e isso ficou claro com as indicações nada sutis de Lou Reed, que no centro do palco aprovava ou reprovava a massa produzida e meio que apontava a mudança de tema, principalmente para o saxofonista. Ele era o verdadeiro regente da parada, pelo menos na forma. Em diversos momentos eu pirei. No auge da piração, lembrei de smashing pumpkins e do pavement, que estavam fazendo show em sampa no mesmo dia. Naquele momento tudo fazia um pouco de sentido, tinha uma conexão entre os shows. Pensei estar vendo um material bruto e ainda intragável do noise pop alternativo. Tambem me lembrei muito no velvet e das experimentações sonoras e maquinais da banda. Será que era meio que isso que eles faziam na Factory, doidos de speed? Ficavam 1 hora e meia produzindo ruidos experimentais, pirando em qualquer coisa que pudesse produzir distorções ensurdecedoras nos instrumentos?

1 hora e 20 minutos depois, eu já estava morto. Minha vontade era de acender outro beck, pois já estava ha tempos na área do desconforto. A massa sonora produzida no palco era essencialmente sensorial, principalmente pra mim, que estava do lado da caixa de som. O som era processado no corpo, nos órgãos, nos músculos, e isso me deixou exausto. Mas pouco tempo depois, Lou Reed levantou, fez uns batuques aleatórios no surdo imenso e saiu do palco, deixando a gente lá, a maioria com cara de ponto de interrogação: o que se passou aqui? Minha sensação era essa. O que foi tudo isso? A única coisa que eu consegui pensar na hora foi que tinha sido a experiência de show mais estranha que eu já tinha passado. O fim da apresentação se estendeu com alguns minutos de aplausos entusiasmados. Acho que grande parte do público se sentiu, como eu, feliz de ter passado por aquilo. Não como uma forma de provação, de ter sido massacrado por algo incompreensível, mas de ter passado por uma experiência meio que alucinante.

Ao fim dos aplausos, eis que Lou Reed volta ao palco, munido apenas de uma guitarra e um microfone, e, para colocar a cabeça da galera no lugar, toca I’ll be your mirror, do velvet. Guitarra também serve para fazer acordes. Foi estranho. Só soube que era a música por causa da letra. Não sei se ele fez aquilo de bom grado, mas acho q foi tipo um agradecimento. Não esperava um momento como esse, mas deu uma situada e um adeus.

“Marcha do Orégano” proibido em São Paulo.

27 fevereiro , 2010 by

O Ministério Público de São Paulo, a partir de uma desinfomação que beira a má fé, conseguiu uma liminar que proibiu uma manifestação a favor da legalização da cannabis na cidade de São Paulo que ocorreria hoje, no vão do Masp, organizado pelo coletivo Gandhia. Segundo notícia do jornal Folha de São Paulo, que segue abaixo, o Ministério Público de SP afirmou, em seu pedido para o Tribunal de Justiça, que a manifestação pró-cannabis planejava um “maconhaço” no Masp, onde todos os manifestantes acenderiam baseados como protesto (ia ser lindo, mas um tiro no pé). Nesse pedido, foi até colocado um link de um blog dos manifestantes. Acontece que ninguém planejava fumar nada além de orégano, chá, e ervas, digamos, legais, como forma simbólica, simulando uma mega roda de maconha. Em nenhum lugar no blog linkado pelo Ministério Público está citado o “maconhaço”. Uma mentira descarada, comprada pelo Tribunal de Justiça e que, por pura ignorância, proibiu mais uma vez uma manifestação legítima. Foda.

Atualização: Mas, o importante é que a manifestação rolou!!! Desobediência Civil na veia!!!! Veja o que rolou aqui no forum do GrowRoom. Parabéns para a galera do Gandhia e a todos os doidos de orégano do Masp!

Justiça paulista proíbe a “marcha do orégano” hoje

Participantes de protesto que seria realizado no vão livre do Masp trocariam a maconha pelo cigarro com o tempero

Ministério Público argumentou em seu pedido ao TJ que os organizadores do evento “conclamam a prática de conduta ilícita”

LAURA CAPRIGLIONE
DA REPORTAGEM LOCAL

A manifestação marcada para hoje no vão livre do Masp, em defesa da legalização da maconha e pela liberdade de expressão, foi proibida ontem à tarde pela Justiça de São Paulo em decisão liminar. Universitários reunidos no chamado Coletivo Gandhia (homenagem ao líder indiano mahatma Gandhi) pretendiam realizar um ato simbólico às 16h20, quando cada participante acenderia um cigarro de orégano, representando, como se no teatro fosse, o consumo de maconha.
Por causa dessa representação, o protesto vinha sendo chamado de “Marcha do Orégano”, citação burlesca da “Marcha da Maconha”, organizada por outro grupo de defensores da legalização da canabis.
O promotor Walter Tebet Filho, secretário-executivo do Gaerpa (Grupo de Atuação Especial de Repressão e Prevenção dos Crimes da Lei Antitóxicos), argumentou em seu pedido ao Tribunal de Justiça que os organizadores do evento “conclamam, por meio de um site na internet, a prática de conduta ilícita, inclusive alardeando que “em ato simbólico, cada um acenderá seu cigarro de maconha’”.
O site citado no pedido foi o http://oglobo.globo.com/blogs/sobredrogas/. Nele, contudo, não se encontra a frase “em ato simbólico, cada um acenderá seu cigarro de maconha”. Bem ao contrário, o grupo Gandhia distribuiu pela internet, na quarta-feira, um “manual de conduta” a ser seguido por tantos quantos aderissem ao ato no Masp. Diz explicitamente: “Não porte drogas ilegais no evento”.
A liminar proibindo a realização do protesto foi deferida pela desembargadora relatora Maria Tereza do Amaral, que em sua decisão voltou a mencionar a suposta frase de incitamento ao consumo de maconha citada pelo promotor: “Não se desconhece o direito constitucional à liberdade de expressão e reunião que (…) não se está afrontando neste caso, porquanto não se trata de um debate de ideias, mas de uma manifestação de uso público coletivo da maconha”.
“Como? Uso público coletivo da maconha? Essa não é a forma de expressão escolhida para o protesto do Masp. O que o pessoal faria, isso sim, seria “acender seus baseados simbólicos (de orégano, chá etc.)’; é isso o que está escrito no manifesto de convocação. É só ler.” A surpresa quem expressou foi o advogado criminalista Leonardo Sica, professor da especialização em direito penal da Fundação Getulio Vargas.
“É lamentável a energia que o Ministério Público perde para perseguir meia dúzia de jovens que querem se manifestar livremente, fumando orégano”, disse Sica. Para ele, a desembargadora Maria Tereza do Amaral foi induzida ao erro pelo Ministério Público, que apresentou a ela uma premissa equivocada -a citação inexistente, convocando o uso público coletivo da maconha no ato do Masp.
Em sua decisão, a desembargadora determinou que a suspensão do ato fosse comunicada “com urgência” às polícias Civil e Militar, à Guarda Civil Metropolitana, à Prefeitura de São Paulo e à Companhia de Engenharia de Tráfego.
Esta é a terceira vez que o Ministério Público impede a realização de manifestações em defesa da legalização da maconha. Em 2008 e 2009, os protestos foram organizados pelo coletivo da Marcha da Maconha.
A Folha tentou entrevistar o promotor de Justiça Walter Tebet Filho, para que ele explicasse onde encontrou a frase com o suposto incitamento ao consumo de maconha. A assessoria do Ministério Público disse que ele não concederia entrevista. Pediu-se, então, que fosse apontada a origem da frase que motivou o pedido de proibição. A mesma assessoria disse que não informaria.
Procurada por meio da assessoria de imprensa do Tribunal, a desembargadora Maria Tereza do Amaral não foi localizada para falar de sua decisão.

Plantio caseiro no O Globo

6 fevereiro , 2010 by

Galera, a revista dominical do jornal O Globo de amanhã, dia 07 de fevereiro, tem como reportagem de capa o cultivo caseiro de cannabis. O download da matéria pode ser feito aqui (via @growroom). A reportagem é sensacional, sem moralismos nem discursos proibicionistas furados, uma exposição clara do argumento “plantar maconha combate o tráfico de drogas”.

Top 1 Filmes – The Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans

25 janeiro , 2010 by

Aee doidos,

Vou colocar aqui um filme que acabei de assistir e que achei do caralho:

The Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans (Vício Frenético) – 2009

IMDb

Titulo Original: The Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans
Tamanho: 714.28 MB
Formato: DVDRip
Idioma: Inglês/Espanhol
Qualidade: XVid
Duração: 1h 56min
Release: NeDiVx

Género: Crime | Drama

Fonte: http://retirotuga.blogspot.com/2009/12/bad-lieutenant-port-of-call-new-orleans.html

Download

Legenda

Filme insano. Um policial bad trip de New Orleans pós-Katrina, entupido de todas as drogas  que ele consegue encontrar (rá, tinha que ter drogas) tem que resolver um caso de chacina e, de quebra, tentar resolver seus próprios problemas. O problema é que o cara é péssimo nisso, e acaba sempre criando mais dor de cabeça. Os corres para satisfazer seu(s) vício(s), a namorada prostituta, o trabalho na polícia, a falta de grana, tudo é motivo para ele dar mais corda para a forca.

O filme do alemão Werner Herzog é baseado em um outro, também chamado Bad Lieutenant, lançado em 1992. Não vi esse outro filme e estou procurando ele para baixar. Tem um bom panorama comparativo (e uma ótima crítica) desses dois filmes aqui, na Revista Cinética.

Marcha da Maconha Liberada em Salvador!!!

19 setembro , 2009 by

Galera malévola,

Uma centelha de consciência na “capital da alegria”.

Estive acompanhando, por um tempo, o processo da Marcha da Maconha em Salvador, movimento legítimo e democrático que visa inserir a questão da legalização das drogas na esfera pública brasileira. Compareci, com muito gosto, no debate que houve na UFBA em 2007 e acompanhei as proibições da Marcha em 2008 e 2009. Pasmo, encarei como um puta retrocesso democrático a proibição da discussão da legalização. Não foi proibido somente o uso de drogas em nossa sociedade, foi proibido falar sobre o assunto publicamente.

Acontece que os santos ativistas pró-legalização da Bahia, especificamente a ANANDA (uma rede formada por ativistas, redutores de danos, pesquisadores e cidadãos que buscam promover o diálogo sobre a legalização das drogas)  não se deram por vencidos e entraram com um Habeas Corpus aqui em Salvador em 29 de maio solicitando proteção jurídica para a realização da Marcha. Em 1 de setembro saiu a decisão a favor da manifestação.

Antes tarde do que nunca. O parecer do juiz (o Acórdão, vale a pena ler) favorável à Marcha foi de extrema consciência por apontar o óbvio: a Marcha da Maconha não incita o uso e muito menos o tráfico de drogas. É um mecanismo democrático que visa incitar um debate importante e que a muito tempo é recalcado em nossa sociedade por uma série de preconceitos, ignorâncias e muito pouca inteligência (vi um dia em 2008, num MTV Debate, que inclusive contava com a presença do incansável Sergio Vidal, um tiozinho da polícia falando que a Marcha da Maconha era financiada pelo tráfico de drogas!!!).

Bom, rolou. Depois disso, a galera da ANANDA já marcou o dia de exercer seu recém conquistado direito: 5 de dezembro. Não vou estar aqui para aproveitar, mas desejo paz, serenidade e alegria a todos os presentes.

Obrigado ANANDA, obrigado Sérgio Vidal e obrigado ao consciente Juiz.

Rádio de música jamaicana

9 setembro , 2009 by

Galera do maaaal!!

Passei pra dar uma dica:

Estava eu, um dia, fuçando no amarok, reprodutor de música aqui do mandriva, e encontrei uma rádio online fudidíssima de reggae, ska, dub, rocksteady, etc. Desde então não consigo mais ouvir outra coisa!

Pra quem gosta ou quer conhecer várias vertentes de boa música jamaicana, la vai: http://www.azevedo.ca/scratch/scratch.m3u

Não rola só em Gnu/Linux não. É só clicar no link, fazer download do arquivinho e abrir no seu reprodutor de música preferido. No amarok e no winamp, pelo menos, rola saber o nome da banda e da música que está rolando no momento.

Espero que vcs gostem.

Argentina 3 x 0 Brasil

25 agosto , 2009 by

Galera do mal!

Acabei de ler na Folha Online que a Argentina descriminalizou o porte de pequenas quantidades de maconha e o consumo para adultos e em lugares privados. A partir do julgamento de dois jovens, a Corte Suprema de Justiça do país decretou que “todo adulto é livre para tomar decisões sobre o estilo de vida sem a intervenção do Estado”. Esse é o argumento que todos os maconheiros queriam escutar de um juíz, pois deixa claro que, se o consumo de maconha não afeta a vida social e diz respeito somente ao usuário, este deve ser deixado em paz.

Contudo, nada há a respeito do que seria considerado “pequena quantidade de maconha”. Assim sendo, eles entraram no mesmo problema da lei de entorpecentes do Brasil – que não descriminaliza o uso, mas prevê penas alternativas para os usuários não-reincidentes. Cabe, portanto, ao policial que fez a apreensão num primeiro momento, e ao juíz num segundo, determinar se a quantidade apreendida pode ser considerada uso ou tráfico. Nessa, o doido vai, pelo menos, passar um tempinho na prisão e pelo constrangimento de ser algemado, coisa e tal.

Outro ponto discutível: não há nada falando, pelo menos na notícia da Folha Online, BBC, G1 e Terra (que são quase a mesma coisa, pelo menos em relação à essa notícia) sobre a possibilidade de plantio para consumo próprio. Contudo, houve outro caso, em 2008, onde juízes federais de Buenos Aires absolveram um outro jovem que estava sendo julgado pelo plantio de 6 pés de maconha em sua sacada. Nessa ocasião, o caso poderia ser levado para a Corte Suprema, mas não achei mais notícias a respeito (não procurei tãããão bem assim ;^)  ). Em um terceiro caso, com decisão bastante avançada,  a Câmara Federal de Buenos Aires absolveu uma mulher também julgada por ter plantado, mas que alegava que o uso da erva atenuava suas dores nas costas. A decisão levou à abertura de uma jurisprudência que admite que o plantio e o uso da maconha, em quantidades restritas, pode ter fins terapêuticos.

Mesmo não considerando o plantio para consumo próprio, a decisão da Corte Suprema é um avanço, pelo menos em comparação a como o tema é tratado aqui no Brasil. Acredito que o argumento de “ato privado”, em que o uso é considerado um ato que diz respeito somente ao usuário, deva ser extendido para o plantio para consumo próprio, pois se há algum dano social no uso da maconha, esse dano é o tráfico de drogas. Descriminalizar somente o uso não vai atenuar esse dano, mas pelo menos o usuário não vai mais ser encarado por aquilo que ele não é: um criminoso.

O Gnu/Linux e o Candomblé

13 julho , 2009 by

Semana passada, sexta-feira, eu acompanhei minha esposa em um encontro estadual dos pontos de cultura da Bahia. Ela estuda esses pontos, estava acompanhando esse evento desde quarta feira, e sexta ela me convidou pra ir e eu, para minha sorte, aceitei. Acontece que ela me convidou por um motivo bem específico:  ela encontrou uma senhora que estava com problemas em instalar um modem 3g em um notebook com distribuição gnu/linux. Como eu consegui instalar o mandriva no computador de minha esposa e consegui fazer com que o modem 3g dela funcionasse, ela pressupôs que eu sabia fazer aquilo.

Eu não sou um bom usuário de gnu/linux. Gosto de fuçar, sei abrir o terminal e copiar as linhas de comando que só agora eu tenho uma pequena noção do que fazem, mas não passo perto de ser um desenvolvedor (malemá sou um usuário meia boca). O meu negocio é fuçar. Curto fuçar em tudo, seja coisas relacionadas ao computador, seja outra coisa. Gosto de arrumar porta, torneira, fazer gambiarras, antenas, mesas improvisadas, etc., e o gnu/linux é o melhor sistema operacional pra quem gosta de fazer isso. Curto ter que correr atras das coisas para que elas funcionem bem no computador, ao invés de ter tudo instaladinho. Claro que tem vez que é frustrante (por exemplo, não consegui fazer funcionar minha webcam no meu mandriva), e as vezes, na maioria das vezes, as coisas funcionam de um jeito que não sei explicar como. Coloco la no terminal as linhas copiadas em receitas de bolo, da um tipo de erro, fuço aqui, fuço ali, e quando eu desisto eu percebo q a parada está funcionando. Isso da um pouco de alegria de ver a parada funcionando e um pouco de frustração, de não saber mto bem como funcionou. Com o modem 3g da minha mina foi isso que aconteceu. Mexi, mexi, desisti e funcionou. Então eu não sabia muito bem como eu consegui instalar a parada no computador dela. Fui tentar fazer a mesma coisa com o meu e passei longe de conseguir. E agora eu tinha esse desafio: aprender e instalar o modem 3g no computador de uma senhora que eu nem sabia quem era.

Bom, cheguei lá na sexta. O encontro estava sendo em um hotel q ficava no Itaigara, um bairro bem classe média alta daqui de Salvador. Lá é completamente diferente dos lugares que eu conheço aqui, dos lugares onde morei e onde eu gosto de dar um rolê. É o que chamam de “centro novo” de Salvador, uma parte da cidade razoavelmente nova, que junto com Pituba e Iguatemi, veio substituir o bom e (muito) velho Comércio como centro empresarial da cidade, e isso fez com que o Comércio ficasse às moscas, degradado, arruinado. É um bairro feio, cheio de prédios, empresariais, comerciais e residenciais, quase sem casas.

O encontro foi bem massa. Não mto por causa do conteúdo. Não q o conteúdo não fosse massa, mas é q não me interessava tanto como interessou minha esposa, que efetivamente pesquisa aquilo. O que mais me interessou foi a diversidade de pessoas juntas no mesmo lugar, o que, nas minhas divagações, simbolizava a diversidade da produção cultural do estado da Bahia (por se tratar, basicamente, de um encontro de produtores culturais). Lá tinham indígenas de cocar, mães e pais do candomblé, rastafaris, doidos de 60 anos de idade, pessoas de calça social e gravata, hippies, moderninhos, geeks, etc. Achei demais.

Nesse meio tempo encontramos a senhora que queria que eu intervisse no computador dela. Era uma senhora negra, com vestimentas de candomblé. Supus que ela seria mãe de santo (acho que o nome certo pra isso é ialorixá) ou tinha um cargo político no terreiro, que era onde ficava o ponto de cultura que ela estava representando. Ela era incrívelmente paciente, gente boa demais e muito atenta. Conversei com ela e descobri que ela queria que eu configurasse todos os tipos de conexão com a internet que o computador dela conseguisse fazer: 3G, modem discado, cabo, wireless.

Eu sou um super simpatizante do candomblé. Sei da importância política que eles têm aqui no estado, e da crucial militância a favor da manifestação da cultura negra. Em épocas de proibição, os terreiros de candomblé foram os principais atores na luta a favor da manifestação cultural e contra a opressão de todo um povo. Hoje, eles são engajados (e sofrem bastante também) na luta pela diversidade religiosa, pois vários terreiros são hoje atacados por “fundamentalistas evangélicos”, que por um motivo bem imbecil, acreditam que toda manifestação religiosa negra é enviesada para o mal, é a própria manifestação do demo e deve ser combatida. Pura intolerância, desconhecimento e idiotice. Fui, um dia, numa festa de um terreiro de candomblé de caboclo aqui em Salvador, e foi uma das coisas mais impressionantes, animadas e legais que fizemos aqui.

Na hora eu comecei minha tentativa de trabalho. Por uma surpresa, ela usava a mesma distribuição gnu/linux que eu tinha, o mandriva. Foi mais fácil assim, pois dependendo da distribuição, eu ia ter que aprender onde estavam as coisas para depois aprender como alterá-las. Outra sorte foi que lá tinha um ponto de internet, pois sem isso, minha tentativa ia ser impossível.

Bom, foi tudo ao mesmo tempo agora. Embora ela fosse bem paciente, ela estava muito na vontade de ver a coisa funcionar. Enquanto eu procurava os benditos tutoriais na rede, ela me pedia para que eu fuçasse no wireless ou no modem discado, etc. Mas sem pressão. Ela sabia da minha condição de noob fuçador. Batemos um papo bom sobre tecnologia e eu descobri que ela era uma grande entusiasta do software livre. Sabia bem dos avanços técnicos e políticos do gnu/linux, e não abria mão de utilizá-lo. Ela não tinha dual boot no micro dela. Embora estivesse aprendendo, seu computador, por opção, funcionava exclusivamente em mandriva. Ela preferia comprar outro modem 3g com suporte gnu/linux do que instalar o windows. Fiquei completamente envergonhado com meu dual boot boqueta e resolvi, com esse papo, instalar integralmente um debian aqui no meu computadorzinho.

Bom, minha luta estava sendo travada. Era eu contra a máquina. Como não sabia tããão bem o que eu estava fazendo (com o consentimento da dona da máquina, claro) e como eu tinha um comprometimento moral para que aquele troço funcionasse (como diz minha esposa, sou muito obstinado), a luta foi braba, e a máquina estava ganhando por pontos de distância. Outro ponto a favor da máquina foi que o modem 3g não estava lá com a gente, então seria muito difícil configurá-lo. Quando disse isso, na hora a senhora ligou para alguém e pediu para que o modem fosse levado pra lá. Depois dessa, pensei: meu, ela quer muito que isso funcione, tenho muito que me dedicar nessa fita e quero mto q de certo.

Minha primeira vitória contra a máquina foi o wireless. Esse foi fácil, pois já conhecia os golpes. Instalar wireless foi a minha primeira enxaqueca com o gnu/linux, ainda quando eu tinha um ubuntu instalado em um computador de mesa que acabamos vendendo. Foi bem mais fácil do que da primeira vez, nem precisei de um tutorial. Dei um ipon e pronto. A mesma coisa foi com a internet a cabo. Foi só ligar o cabo e ficar clicando nos OKs e pronto. O terceiro round, o modem discado, tb não me causou problemas. Nunca tinha feito isso antes, e demandou outros tipos de informação, como o telefone que o modem tinha que discar para conseguir conectar. Entrei no site do provedor, falei num chat com o atendente e pronto. Daí foi só configurar a paradinha com a ajuda de um santo tutorial (deixo aqui meus enormes agradecimentos a todos os anjos de candura que produzem essas coisas magníficas que são os tutoriais: vcs são meus mestres professores.. hahahaha).

Bom, 3 a 0 pra mim, mas o pior ainda estava por vir: o maldito modem 3g. Enquanto o modem não chegava, fui me armando de tutoriais e batendo papo com a dona da máquina. Ela era de um ponto de cultura da cidade de Camaçari, que faz divisa com Salvador e faz parte da Região Metropolitana da capital. O terreiro dela ficava em uma zona rural, bem longe de qualquer tipo de conexão com a internet. Nem o 3g funcionava lá, só internet discada. O 3g era pra quando ela fosse pra cidade. Camaçari é conhecida aqui por causa do polo petroquímico da Petrobrás, maior polo industrial da Bahia e o maior polo industrial integrádo do hemisfério sul, segundo o omniciente wikipedia e instalado lá desde 1978. Já tinha lido sobre a cidade e o impacto do polo. A cidade era pacata, quase vazia, meio rural. Depois da construção do polo, a cidade sofreu um inchaço populacional tão grande que virou um caos.

Bom, nesse meio tempo chegou o meu novo oponente: o modem 3g. A nova luta se iniciara e um novo problema se apresentou: ela não sabia a senha do administrador da máquina, sendo impossível eu entrar como sudo no terminal para colar minhas receitinhas de bolo. Mas como eu conseguia entrar na parte de configuração do mandriva sem precisar dessa senha, lembrei que dá pra entrar, de lá, em um terminal já como administrador. RÁ!

Comecei. Fiz o que eu sabia logo de começo e já, logo de começo, deu o primeiro pau. Em uma opção de configuração de instalação de uma rede 3g do próprio mandriva, o maldito disse que não tinha conseguido instalar uns pacotes lá (ó o nível do meu conhecimento, hahahahaha). No computador da minha esposa, foi meio que isso q eu fiz e deu certo. No meu, eu fiz isso e não rolou. No da senhora também não. Tentei fazer o que os tutoriais me ensinavam e nada. Entrei no pendrive do modem e lá tinha uns drivers pra linux. Instalei um (que, pra variar, não fazia ideia do que era) e rolou. Fiz isso com outro e nada. Do meu lado estava a paciente senhora, olhando quase que sem piscar para tudo que eu tava fazendo, meio que tentando aprender aquilo que nem eu sabia. Fiquei uma hora e meia na frente do computador, e ela ficou uma hora e meia olhando pra tudo que eu estava fazendo, com um misto de curiosidade e vontade de que aquilo funcionasse. Eu ia tentando explicar o que eu achava que estava fazendo, tentando ensinar até onde eu sabia e deixando claro aquilo que eu não sabia muito bem mas que eu ia tentar mesmo assim.

Passei muito tempo nessa. Tentei várias coisas diferentes e já estava desistindo quando aconteceu. Estava lá, no pendrive do modem, quando este parou de funcionar. Do nada, não pude mais acessar nenhum arquivo dele e na hora pensei: fodeu! Daí, do nada, a luzinha do modem, que tava vermelha, ficou verde e depois azul. A mulher se animou e soltou um grito: FICOU AZUL! Interpretei aquilo como um sucesso. Realmente, quando o modem é reconhecido, a luz fica azul. Entrei no centro de rede do mandriva e estava lá, em laranja “modem 3g zte alguma coisa”. RÁ!

Desconectei a conexão wireless e fui tentar conectar o modem 3g. Nada. Lá veio a frustração. Nessa hora, vi que ao meu redor estavam mais 3 espectadores vendo o combate. Infelizmente, nenhum dos 3 sacavam de software livre. Todos que sabiam disso estavam com minha esposa num debate acaloradíssimo sobre gnu/linux e os pontos de cultura. No encontro tinha vários desenvolvedores de software livre, e eu mesmo fui atrás de algum para me ajudar ou para me substituir no combate, mas estavam ocupados (claro que não é culpa deles, eles estavam lá pra debater, eu estava lá pra instalar o coisinho). Foi quando recebi uma informação de um espectador: não tem sinal aqui dentro pra modem 3g, não consegui conectar o meu. Desconectei o modem, conectei novamente e foi mesma coisa: luz vermelha, luz verde, luz azul e o modem 3g zte qualquer coisa no centro de rede. Sucesso, eu pensei, mesmo que limitado e sem uma real comprovação empírica, sucesso. Avisei minha amiga: ó, não tem sinal aqui. Vc vai ter que testar isso em algum lugar q tenha sinal, se não funcionar, vc me liga.

A mulher ficou animadíssima. Viu aquilo como uma possibilidade de continuar com seu queridíssimo software livre e não precisar mais quebrar a cabeça com um modem. Ficou muito agradecida, e eu tb. Por causa dela eu pude aprender mais um pouquinho sobre o gnu/linux, além de poder conhecê-la e bater um papo bem firmeza com ela. Me senti bem, satisfeito e também agradecido. Achei animal a perseverança e a paciência dela, além da vontade de que aquilo desse certo. Por fim, fui convidadíssimo para uma festa no terreiro dela, eu e a minha esposa, o que eu aceitei beem de antemão, pois sei q vai ser mto legal. Isso graças ao software livre e a minha esposa, que acreditou na minha obstinação.

Top 1

11 julho , 2009 by

Galera do mal,

Como faz um tempinho que eu não escrevo nada por aqui, como eu não tenho feito tanta coisa assim para encher esse blogue (isso aí, a partir da leitura de um blogue de um amigo meu, vou começar a escrever blogue desse jeito) com coisas interessantes e como eu me comprometi a não deixar esse blogue mto tempo parado, com o perigo de criar mofo nesse clima úmido de Salvador, vou encher linguiça com um disco mto bom q tenho ouvido aqui ultimamente.

Eddie – Carnaval no Inferno.

eddieDownload

Fonte: http://pernambucobeat.com/

Definitivamente Recife/Olinda/Pernambuco como um todo é o maior celeiro musical brasileiro contemporâneo (isso na minha mais humilde opinião, é claro). Pra mim, foi de lá que saíram as maiores novidades da música e do rock brasileiro a partir dos anos 90, (ou as únicas). Algo que ainda foge à minha inteligibilidade aconteceu por lá na época mangue que fez criar um “movimento” com propostas contundentes sobre a produção musical e criativa. Foi de lá que vieram as idéias mais pra frente sobre a relação música regional/gringa e sobre música e tecnologia (vide manifesto manguebeat, letras de mundo livre ou nação zumbi e encarte de afrociberdelia). Por uma deliciosa contradição, o cosmopolitismo mais honesto da música brasileira veio do nordeste, de um estado conhecido só pelas praias, longe, muito longe do eixo institucionalizado e reconhecido por fazer a ponte Brasil-gringolândia (SP-RJ). Como na tropicália (que apontava a mesma contradição, em que a Bahia foi o polo-ponte entre o que se fez aqui e o que se fazia lá), as bandas mangue conseguiram mesclar a produção regional – que por sinal, é animal – com o que havia de mais interessante da produção da indústria cultural internacional. Ska com frevo, punk com maracatu, dub com samba, bossa e hardcore.

Bom, dentro desse cadinho encontra-se a banda Eddie. Atuante desde 1998 e parte integrante do que conhecemos como manguebeat, ela é o exemplo claro da antropofagia carangueija. Nesse disco há tudo isso. De hardcore ao samba, a banda consegue encontrar uma sintonia fina em qualquer fundição. Conheci Eddie por intermédio de um amigo que conheci aqui em Salvador. Havia um show deles aqui, esse meu camarada foi e falou mto pra eu ir, pq sabia q eu ia gostar bastante. Não fui. Baixei o disco deles (não esse, mas o Metropolitano), e me arrependi. Nunca vi um show deles. Rolou em Campinas mas não pude ir. Rolaram outros aqui e estava sem grana. Um dia eu vou.

Obs: entre o começo e o meio desse post, chapei o globo. Comecei a tomar umas brejas e fiquei meio bebado. Responsabilizo o alcool por qualquer eventualidade desse post, e assim tiro o meu da reta.

Cosmonautas no TCA

5 julho , 2009 by

Galera do mal,

Como ninguém sabe, voltei há 2 semanas para Salvador para passar as férias. Estava com saudades imensas, em primeiro lugar da minha namorada/noiva/em-breve-esposa e também da cidade. Acho que nunca me senti tão bem em uma cidade quanto me sinto em Salvador. Depois de morar em algumas cidades realmente ruins, essa foi a única cidade que eu quis ter um tipo de envolvimento e de criação de laços com ela, seja por obrigação, seja por vontade própria.

Pois bem, cheguei numa época boa. Peguei o São João (quando fiquei em casa o tempo todo, não fiz nada e só fiquei a ouvir as toneladas de bombas) e 2 de julho aqui, que foi bem legal. A galera toda na rua, umas fanfarras bem animadas e uma oportunidade pra dar um rolê massa por aqui.  Nesse dia, indo de busão pro campo grande, trombei um stencil num muro no bairro da Barra que novamente me intrigou. Já tinha o visto antes, quando vim pra cá em abril. Trata-se de um stencil preto, com um trompete e escrito CHA CHA CHA. Em outro stencil-irmão, tinha um diabinho tocando maracas (!?!) e novamente o CHA CHA CHA. Infelizmente, não tirei nenhuma foto, mas encontrei uma na net:

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Então, dentro do ônibus fiquei pirando nesse stencil. Nada demais, só algo que me chamou a atenção mais de uma vez e fez eu ficar divagando descompromissadamente sobre o que seria isso. Minha conclusão foi que não era nada (hahahahaha, graaande conclusão), era uma arte urbana e que não necessariamente teria um sentido próprio, talvez só estético, sei la.

Bom, 2 de julho, chegamos no Campo Grande. Milicos em volta do caboclo, fanfarra, cavalos e bastante gente. O cortejo ainda não tinha passado, então fomos nos dirigindo para o nosso “bar do 2 de julho”, que fica na 7 de setembro. Quando passamos na frente do Teatro Castro Alves, vimos o cartaz: RETROFOGUETES, 05/07, LANÇAMENTO DO ÁLBUM CHACHACHA.  No banner, o diabinho das maracas. AAAHHNNN… O stencil era uma estratégia de marketing (nossa, que palavrinha escrota, essa) de guerrilha da banda, que, por sinal, achei animal. O banner era bem massa tb, vou colocá-lo aqui o diabinho das maracas:

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O show fazia parte do programa “Domingo no TCA”, que faz apresentações no teatro de domingo de manhã a 1 real. Nos animamos bem na hora. Conheço retrofoguetes desde que cheguei aqui. Já tinha ouvido a ex-banda, o Dead Billies, rockabilly responsa, e sempre quis ver os doidos ao vivo. Peguei só o finzinho do show que eles fizeram de graça no carnaval de 2007, e achei animaaal.

Nos planejamos e fomos. Domingueira massa, solzão típico da cidade, busão passando pela barra cheia de banhistas, um clima mto bom. No TCA chegamos a tempo, tomamos uma breja e entramos. O teatro tava lotado, só achamos lugar no fundão. Já tinha visto alguns shows lá. Em 2007, vi o show do Otto q foi ótimo. Achei meio assim assim ser la no teatro. Assistir show sentado, sem poder fumar e tomar uma breja, é osso. Mas para um domingo de manhã, acompanhado da minha esposa e de duas amigas morrendo de ressaca, foi, no mínimo, aconchegante.

O show começou e foi muito fudido. Mesclaram músicas do primeiro disco, “Ativar Retrofoguetes” com músicas do disco novo, o Cha Cha Chá (da pra ouvir faixas do album deles no myspace dos caras). O som deles é uma mistura de surf music, rockabilly e alguns sons mais, digamos, não-ortodoxos.. hahahaha… tocam musicas circenses, mambos, countrys, meio turcas, meio italianas, meio argentinas, etc., tudo no mais doido rock’n roll.

O show foi do caralho. Os caras tocam bastante, e chamaram uma galera responsa como convidados. Destaco a participação da Orquestra Rumpilezz, que fizeram participação em uma musica animaaal, que ao vivo ficou mto fudida. Chama-se Maldito Mambo, a música. Surf Music meio big band, meio mambo, com dois percursionistas moendo os instrumentos.

Bom, vale bem a pena ouvir os caras. Das bandas que ouvi daqui de Salvador, essa é a que eu mais recomendo. São bem respeitados por aqui e bem envolvidos com a cultura da cidade. Tocam sempre no carnaval e esse ano rolou até um trio com eles em cima. Perdi!

  • Contra Lei Azeredo .
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